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terça-feira, 21 de julho, 2026

Educação, a saída para o Brasil, por Wilson Aquino

Wilson Aquino*

Enquanto no Brasil a leitura de livros, per capita, é de apenas 3,96 livros por ano — o menor índice já registrado pela série histórica da pesquisa Retratos da Leitura —, em países desenvolvidos como Estados Unidos (17 livros/ano), Reino Unido (15 livros/ano) e França (14 livros/ano) esse número é de 3 a 4 vezes superior. Mais grave ainda: 53% dos brasileiros não leram nenhum livro nos últimos três meses, e o país perdeu 6,7 milhões de leitores nos últimos quatro anos. Pela primeira vez na história, os não leitores são maioria no Brasil.

Somente com a reversão desses lamentáveis números o país conseguirá, a médio e longo prazos, finalmente ganhar terreno no campo do desenvolvimento. Um país que não lê, e, consequentemente, não estuda, não progride. Não alcança o desenvolvimento tão desejado, conquistado por países como China (6,6 livros/ano), Japão (6,2) e Coreia do Sul (5,7) — nações que, mesmo com realidades distintas, mantêm indicadores de leitura superiores aos nossos e colhem os frutos disso em inovação, produtividade e qualidade de vida.

Se de um lado os pais são grandes responsáveis pela falta de incentivo de seus filhos ao hábito da leitura e da busca de conhecimento por outros livros e fontes que não só o da rotina da escola, o poder público, especialmente o Executivo e o Legislativo, em todos os níveis, são os maiores responsáveis pelo país estar patinando há décadas, sem galgar grandes voos rumo ao tão desejado desenvolvimento, gerando mais riqueza e renda para a Nação e, consequentemente, para as famílias, para que tenham mais qualidade de vida com atendimentos exemplares em todas as áreas, especialmente infraestrutura e saúde.

Se o país leva a sério a máxima de que a educação é prioridade, por que tratar livros e materiais didáticos como mercadorias comuns? Um livro deveria ter tributação zero em toda a sua cadeia produtiva, do papel à estante. Mais do que isso: o governo deveria instituir subsídios diretos para a produção e distribuição de livros, especialmente para bibliotecas públicas e escolares. Países como a Coreia do Sul e o Japão não chegaram aonde chegaram por acaso: investiram pesadamente em bibliotecas, em programas nacionais de leitura e na redução de barreiras fiscais ao conhecimento.

Enquanto o Brasil insiste em tratar o livro como um artigo qualquer, países que competem conosco no cenário global fazem o oposto — e colhem os resultados em produtividade, inovação e desenvolvimento humano. Em Buenos Aires, capital da Argentina, por exemplo, tem mais livrarias que todo o Brasil.

Não é apenas a tributação que clama por reforma urgente. São inúmeras as maneiras que o Governo poderia adotar para reverter o processo educacional do país. A começar pelas escolas, com mais investimento em infraestrutura para proporcionar conforto e condições dignas de trabalho no processo ensino/aprendizagem, em tempo integral, principalmente para os ensinos básico e fundamental. Escolas sem bibliotecas, sem laboratórios, sem quadras esportivas, com salas superlotadas e professores desmotivados não formam leitores — formam repetidores de conteúdo.

Também é preciso resgatar o respeito e a liberdade do professor dentro de sala de aula e, ao mesmo tempo, dar um basta ao que uma minoria procura fazer hoje, utilizando o espaço escolar para doutrinar crianças e adolescentes com políticas partidárias e/ou ideológicas. Dentro da sala deve imperar, o tempo todo, o respeito mútuo entre professores e alunos e um sério programa de ensino/aprendizagem, baseado em evidências e focado no desenvolvimento do pensamento crítico.

Os poderes Legislativo e Executivo deveriam criar concursos e premiações à leitura de livros, campeonatos de conhecimento, olimpíadas do saber, para estimular, assim como no esporte, crianças e adolescentes a buscarem as primeiras colocações. Se o país é capaz de mobilizar milhões de jovens em torneios de futebol e vôlei, por que não seria capaz de fazer o mesmo com a leitura e o conhecimento?

Um país onde 53% da população não lê é um país refém da própria ignorância. É um país vulnerável a discursos vazios, a promessas fáceis, a líderes que exploram a falta de informação para perpetuar-se no poder. A leitura não é apenas um prazer ou um passatempo — é o antídoto mais poderoso contra a manipulação, o obscurantismo e a estagnação.

É preciso que cada família entenda seu papel: ler para os filhos, dar o exemplo, encher a casa de livros. É preciso que cada professor seja valorizado, respeitado e preparado. É preciso que cada gestor público tenha a coragem de fazer da educação a verdadeira prioridade — não no discurso, mas no orçamento. É preciso que o livro seja tratado não como mercadoria, mas como patrimônio nacional, com tributação zero e acesso facilitado a todos.

A China, o Japão, a Coreia, os Estados Unidos e tantos outros não chegaram ao desenvolvimento por acaso. Chegaram porque leram antes. Porque estudaram antes. Porque investiram em conhecimento antes. O Brasil ainda está a tempo. Mas o relógio não para. E a cada dia que passa sem ação, o abismo se aprofunda. A educação é a saída. Sempre foi. E continuará sendo — enquanto houver tempo.

*Jornalista, Professor e Escritor