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quarta-feira, 19 de agosto, 2026

Para evitar ocupação, fazendeira manda abrir valeta ao lado de aldeia

A máquina foi levada ao local num caminhão prancha, mas só conseguiu iniciar os trabalhos sob escolta da Força Tática da Polícia Militar.

A convivência entre produtores rurais e indígenas voltou a ter momentos de tensão na manhã desta quarta-feira (19) na região oeste de Dourados, a 251 km de Campo Grande. A proprietária da Fazenda Gleba Uirapuru registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil para denunciar a invasão da propriedade e disse que os indígenas danificaram uma caminhonete S10 atirando pedras com estilingue.

Para tentar impedir novas ocupações, a proprietária contratou uma escavadeira hidráulica para abrir uma valeta entre a fazenda e a Aldeia Bororó. A máquina foi levada ao local num caminhão prancha, mas só conseguiu iniciar os trabalhos sob escolta da Força Tática da Polícia Militar. Antes, houve confronto e os policiais tiveram de usar bombas de gás e tiros de balas de borracha para conter o grupo.

Conforme o boletim de ocorrência registrado pelo marido da proprietária, na tarde de ontem, ele presenciou 6 indígenas danificando a cerca da propriedade em três pontos distintos para invadir a área.

Ao se aproximar para constatar os danos e registrar imagens, sua caminhonete teria sido atingida por pedras disparadas com estilingue. O para-brisa ficou danificado. Segundo a versão dele, os indígenas teriam ameaçado invadir toda a propriedade durante a noite. O marido da proprietária informou que na segunda-feira a Polícia Militar já havia retirado os indígenas da fazenda, mas eles retornaram no dia seguinte.

A Polícia Militar declarou que foi acionada após receber informações de que um grupo de indígenas estaria ingressando de forma não autorizada e ameaçando funcionários da fazenda. Entretanto, não conseguiram concluir a intervenção em razão do anoitecer e das condições de segurança.

Com reforço da Força Tática e do Getam (Grupamento Especial Tático de Motos), os policiais entraram na área e encontraram duas barracas instaladas no interior da propriedade.

“Durante a aproximação em direção às barracas, antes mesmo que fossem emitidas ordens de dispersão, indivíduos que se encontravam no local passaram a arremessar pedras e a lançar flechas contra os policiais. Em razão dos ataques, foi necessário o emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo para conter e fazer cessar as injustas agressões”, afirmou a Polícia Militar, em nota.

Ainda segundo a corporação, os indígenas correram para o mato e os policiais não os detiveram. No local, os policiais apreenderam duas lanças, uma foice, um facão, duas facas e instrumentos artesanais destinados à perfuração de pneus, conhecidos como “miguelitos”

Para evitar ocupação, fazendeira manda abrir valeta ao lado de aldeia
Armas artesanais, faca, foice, facão e instrumento usado para furar pneus de carros, apreendidos pela PM (Foto: Divulgação)

Sem mandado

A Aty Guasu, movimento social que luta em defesa dos povos indígenas, afirmou que a área em conflito faz parte da Terra Indígena Aratikuty. Em suas redes sociais, a organização indígena afirma que a Polícia Militar atacou os Guarani-Kaiowá sem mandado judicial.

Há uma década, indígenas de Dourados e de outros territórios da região sul reivindicam a demarcação de propriedades rurais no entorno da reserva, criada em 1917. A comunidade afirma que parte das terras foi ocupada por fazendeiros ao longo dos anos. Entretanto, ainda não existe um estudo definitivo comprovando essa alegação.

Fonte: Campograndenews