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Ponta Porã
quinta-feira, 27 de agosto, 2026

Câmara de Ponta Porã promove debate sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher

A influência da família e tecnologia foram alguns dos temas da Roda de Conversa

Com o objetivo de ir além das estatísticas e atuar diretamente na raiz social da agressão, a Câmara Municipal de Ponta Porã realizou na manhã desta quinta-feira, 27, Roda de Conversa para debater sobre os diferentes tipos de violência contra a Mulher.

Câmara de Ponta Porã promove debate sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher

A Roda de Conversa foi mediada pela vereadora Anny Espínola, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, contando com a participação do vereador presidente Jelson Bernabé e demais vereadores na plataforma com pauta específica, elaborando uma diretriz de debates estruturada em quatro eixos centrais de conscientização.

A Roda de Conversa contou com a destacada presença de autoridades, dentre as quais a advogada e secretária de Governo, Paula Consalter, além da diretora da Escola do Legislativa, Edilene Bernabé, professora Dra. Maria de Fátima Josgrilbert, Gabriela Bampi Paixão, estudante Felipe da Silva Brites, presidente do Conselho de Combate a Violência contra a Mulher da Escola João Brembatti Calvoso.

A iniciativa propõe reflexões profundas que conectam o reconhecimento do abuso em suas formas invisíveis à educação emocional de jovens, a responsabilidade familiar e o impacto dos algoritmos das redes sociais no comportamento masculino.

A proposta parte do pressuposto de que a prevenção à violência contra a mulher exige transformar o aprendizado básico dentro de casa e nos espaços educacionais. Como resume uma das frases orientadoras da Roda de Convesa “se queremos que nossas filhas não aceitem relacionamentos abusivos, precisamos ensiná-las a reconhecer seus limites. E se queremos que nossos filhos não reproduzam comportamentos violentos, precisamos ensiná-los a respeitar os limites dos outros.”

Marcas invisíveis e o ciclo da violência

O primeiro bloco do documento alerta que a violência de gênero não se resume à agressão física — como empurrões, tapas ou contenção corporal. O material joga luz sobre as agressões psicológicas e patrimoniais, caracterizadas pelo controle financeiro, retenção de documentos, humilhações, manipulação e o isolamento da vítima de seus amigos e familiares.

O debate também aborda o complexo “ciclo da violência”, no qual pedidos de desculpas e períodos temporários de carinho costumam dificultar a percepção do relacionamento abusivo por parte da vítima.

Nos blocos dedicados à educação e ao papel dos pais, a iniciativa questiona em que momento a violência começa a ser aprendida, enfatizando que comportamentos violentos muitas vezes têm origem na infância e na adolescência, influenciados pelo exemplo dentro do ambiente doméstico.

Câmara de Ponta Porã promove debate sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher

A diretriz defende que meninos precisam aprender a lidar com rejeição, frustração, raiva e término de relacionamentos sem recorrer à dominação ou ao controle. Frases como “homem é assim mesmo” ou “ele fez isso porque gosta dela” são apontadas como formas perigosas de normalização de atitudes inadequadas. O projeto ressalta que ensinar respeito e resolver conflitos sem violência é uma responsabilidade compartilhada entre a família e a escola.

Uma das abordagens mais inovadoras do projeto está na reflexão sobre o impacto da tecnologia na formação dos jovens. O quarto bloco levanta a provocação: “Quem está ensinando nossos jovens sobre relacionamentos: a família, a escola ou o algoritmo?”

O documento alerta para o risco da radicalização de conteúdos na internet, onde jovens que buscam conselhos sobre desenvolvimento pessoal ou término de namoro passam a consumir conteúdos misóginos que transformam frustrações amorosas individuais em ressentimento contra todas as mulheres. A proposta enfatiza que conceitos de masculinidade, força e disciplina não podem ser confundidos com controle, dominação ou inferiorização da mulher.

Ao propor esses quatro eixos de debate, a Câmara Municipal de Ponta Porã busca fortalecer redes de apoio e criar espaços de diálogo que permitam interromper o ciclo da violência antes mesmo que ele comece.

 Fonte: Câmara Municipal de Ponta Porã