A poesia de Mario Quintana ganha música, teatro e imagens para encontrar crianças e adultos em Campo Grande. Nos dias 19 e 20 de setembro, às 16h, o Teatro Glauce Rocha, na UFMS, recebe “Crianceiras Mário Quintana – Poesias Musicadas por Márcio de Camillo“, espetáculo que transforma poemas do escritor gaúcho em canções e propõe uma experiência cênico-musical para toda a família.
A temporada em Campo Grande tem um significado especial para Márcio de Camillo. Nascido em São Paulo e criado na capital sul-mato-grossense desde os 10 anos, o cantor e compositor retorna à cidade onde construiu sua relação com a música e com a poesia. A apresentação também marca seu reencontro com o Teatro Glauce Rocha, espaço que faz parte de sua memória afetiva. “Eu tenho muitas histórias nesse teatro e respeito muito esse espaço. Para mim, é um dos grandes teatros da cidade e do Brasil”, afirma.
A ligação de Márcio com Mario Quintana também começou cedo e, curiosamente, pelas mãos de um educador. Foi o professor de literatura Mestre João quem lhe presenteou com uma edição da “Antologia Poética de Mario Quintana”. O livro abriu caminho para uma paixão que, anos depois, se transformaria em música. “Eu cheguei à poesia por causa da educação. Então, essa homenagem também é para os educadores, que às vezes são responsáveis pelo sonho de uma pessoa”, conta.
A partir dessa memória, o espetáculo revisita poemas de Quintana por meio de uma linguagem pensada para aproximar a literatura do universo das crianças. Para Márcio, a obra do poeta reúne uma delicadeza capaz de dialogar diretamente com o público infantil. “Mario Quintana é doce e, ao mesmo tempo, cítrico. A criança consegue se sensibilizar com as palavras dele porque é uma poesia inteligente. E a criança é plenamente capaz de compreender poesia”, afirma.
Poesia que vira cena
“Crianceiras Mário Quintana” combina música, teatro e elementos visuais inspirados no toy theater, ou teatro de papel. Na montagem, figuras bidimensionais de papelão formam o cenário criado pelo designer e artista gráfico Carlo Giovani, enquanto a direção de Luiz André Cherubini, do Grupo Sobrevento, conduz a narrativa.
A história parte de um personagem solitário, em uma cidade pequena e marcada pelos tons cinzentos. Aos poucos, o espaço é transformado pela urbanização, pela chegada de novos personagens e pela multiplicidade de sons e cores, até desembocar em uma celebração da primavera. “É um jogo teatral muito interessante: começa com uma pessoa solitária no palco e termina numa grande festa, numa celebração da primavera. E fazer isso em Campo Grande, justamente nesse período, deixa tudo ainda mais simbólico”, diz Márcio.
O espetáculo reúne valsa, forró, jazz, rock e outros ritmos para musicar poemas como “Canção de Junto de Berço”, “Canção da Ruazinha Desconhecida”, “Cidadezinha”, “Canção de Nuvem e Vento”, “Cantiguinha de Verão” e “Canção da Primavera”, entre outros.
A montagem dá continuidade ao projeto Crianceiras, criado por Márcio de Camillo a partir da obra de grandes poetas brasileiros. A primeira edição foi dedicada a Manoel de Barros e, além do espetáculo musical, ganhou videoclipes de animação e aplicativo. As duas edições também passaram a ser utilizadas como material educativo em escolas.
Para Márcio, essa presença no ambiente escolar foi uma consequência importante do projeto. “Desde o começo, o Crianceiras entrou na escola. Professores diziam que faltava um material assim para trabalhar a poesia de Manoel de Barros e de Mario Quintana. O projeto ajuda as crianças a conhecer e compreender a poesia aproximando a literatura do universo delas”, afirma.
O resultado é uma experiência que atravessa gerações. Crianças que conheceram o projeto anos atrás hoje retornam aos espetáculos acompanhadas dos próprios filhos. “É um espetáculo realmente para toda a família. O Crianceiras se tornou transgeracional”, resume.
Um encontro entre a cidade e a primavera
A apresentação em Campo Grande também reafirma a relação do projeto com Mato Grosso do Sul, onde o Crianceiras nasceu antes de ganhar circulação nacional. “Eu acredito que o Crianceiras é um patrimônio do Mato Grosso do Sul, porque nasceu no Estado e foi para o Brasil. É importante manter esse vínculo com o meu Estado e com a minha cidade”, afirma Márcio.
Depois de passar por diferentes cidades brasileiras, o espetáculo retorna agora à capital sul-mato-grossense para uma temporada que também celebra os 120 anos de Mario Quintana e a chegada da primavera. “Cantar na minha cidade é sempre muito especial. E poder fazer esse show na abertura da primavera, com a ‘Canção da Primavera’, poema que musiquei, torna esse momento ainda mais simbólico”, completa.
Com duração de 55 minutos e classificação livre, “Crianceiras Mário Quintana” traz Márcio de Camillo na voz, violão e viola caipira; Nath Calan na percussão e bateria; Tiago Sormani no teclado, sanfona, flauta e clarinete; e Denise Ferrari no violoncelo. A direção geral é de Luiz André Cherubini, com cenografia de Carlo Giovani, figurinos de Sandra Vargas e iluminação de Renato Machado, técnico de luz Joao Nunes e técnico de som Daniel Inácio.
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As apresentações acontecem nos dias 19 e 20 de setembro de 2026, sábado e domingo, às 16h, no Teatro Glauce Rocha, na UFMS. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. Os ingressos custam R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). Podem ser adquiridos pelo link:https://bit.ly/

