Com o setor pet em alta, especialista da UniCesumar explica como a arquitetura atual adapta projetos residenciais para unir estética, segurança e conforto animal
O Brasil consolida sua posição como um dos principais mercados globais no segmento de animais de estimação. Dados e projeções do setor indicam que o mercado pet nacional deve movimentar mais de R$ 75 bilhões entre 2025 e 2026. Esse volume financeiro reflete uma mudança direta na estrutura familiar: cães e gatos deixaram de ocupar os quintais e assumiram o status de membros centrais nas residências. Esse movimento afeta o setor de arquitetura e design de interiores, que passou a adaptar projetos residenciais desde a sua concepção.
A exigência por propriedades e projetos alinhados ao conceito “lar pet friendly” superou a simples alocação de comedouros e caminhas. O foco atual é o planejamento de espaços que atendam às necessidades físicas e comportamentais dos animais, garantindo ao mesmo tempo a funcionalidade, a estética e a qualidade de vida dos moradores.
“A humanização dos animais transformou a forma como os espaços residenciais são projetados. Hoje, as necessidades dos pets são contempladas logo na fase de planta. Na arquitetura contemporânea, isso se reflete na criação de ambientes seguros, bem ventilados e com áreas de circulação adequadas. Os clientes solicitam espaços específicos para alimentação, descanso e higiene, sem comprometer a identidade visual do imóvel”, afirma Bruna Folmer, professora de Arquitetura e Urbanismo da EAD UniCesumar.
Materiais de alto desempenho e funcionalidade
A especificação correta de acabamentos é a decisão mais crítica em projetos voltados para famílias com animais. A escolha impacta diretamente na durabilidade da estrutura e na rotina de manutenção (limpeza, controle de pelos e odores). Em pisos, os porcelanatos acetinados e os pisos vinílicos de alta resistência são os mais indicados por oferecerem conforto térmico, resistência à umidade e segurança contra escorregões. Superfícies polidas, pedras muito lisas e revestimentos porosos devem ser evitados, pois aumentam o risco de acidentes e retêm odores.
“Para estofados, a regra é aliar durabilidade e baixa absorção. Tecidos com tecnologia de repelência a líquidos, suede e couro (natural ou sintético) apresentam alta eficiência na higienização e resistência à abrasão. Em contrapartida, tramas como veludo de pelo longo, linho puro, bouclé e seda retêm sujeira e estão mais suscetíveis a danos por arranhões”, explica a docente.
Design de produto e marcenaria inteligente
Para evitar a poluição visual em apartamentos compactos, o design de mobiliário sob medida desempenha um papel central ao ocultar os acessórios dos animais. “Os móveis planejados permitem integrar as demandas dos animais de forma discreta. Soluções como caixas de areia embutidas em armários ventilados, comedouros retráteis e arranhadores incorporados a estantes mantêm a estética do projeto. O objetivo não é transformar a casa em um pet shop, mas incorporar esses elementos ao desenho arquitetônico com harmonia”, diz Folmer.
Essa integração viabiliza o enriquecimento ambiental indoor. Circuitos elevados em prateleiras para gatos e o aproveitamento de nichos sob escadas funcionam como estímulos físicos e mentais, reduzindo a ansiedade dos animais em espaços reduzidos.
Segurança estrutural
De acordo com a professora da UniCesumar, o projeto deve prever a mitigação de riscos desde a fase inicial. “Em apartamentos, sobretudo em andares altos, a instalação de redes de proteção e guarda-corpos sem vãos amplos é mandatória. O planejamento engloba ainda o isolamento de fiação elétrica, o armazenamento restrito de produtos químicos em áreas de serviço e a especificação de plantas não tóxicas no paisagismo interno”, pontua.
Para orientar proprietários e profissionais do setor na adaptação funcional dos lares, Bruna Folmer reforça que um projeto focado em animais preserva a sofisticação do ambiente quando pautado em decisões técnicas precisas. A especialista ressalta que escolhas assertivas de materiais e de planejamento espacial geram impacto direto na rotina de manutenção do imóvel e na qualidade de vida de todos os moradores. Com base nessa premissa, a especialista detalha as principais ações necessárias:
- Revestimentos: priorizar superfícies impermeáveis e antiderrapantes (porcelanato acetinado ou vinílico). Instalar rodapés de PVC, poliestireno ou porcelanato pela alta resistência à umidade e impactos.
- Tapeçaria: especificar tecidos de alta resistência (Aquablock, Acquaclean) e evitar materiais que acumulem pelos.
- Mobiliário: projetar marcenaria multifuncional que oculte estações de higiene e alimentação.
- Bem-estar: criar rotas de circulação verticais para felinos e preservar o espaço de solo livre para fluxo e ventilação de caninos.
- Segurança: implementar barreiras físicas em áreas de risco (varandas e piscinas) e eliminar pontos de aprisionamento em portas e esquadrias.
Fonte: Priscilla Poubel Moreira

