A erva-mate produzida sob sombra alcança, em média, valor 20% superior ao obtido no cultivo a pleno sol.
Os aplicativos Manejo-Matte e Ferti-Matte, ferramentas destinadas a apoiar profissionais da assistência técnica e produtores rurais no manejo e na adubação da erva-mate, foram atualizados e ganharam novas funcionalidades. Os dois aplicativos fazem parte do conjunto de tecnologias do Sistema Erva 20, que reúne recomendações técnicas para o cultivo da erva-mate. O Manejo-Matte realiza diagnósticos do manejo das áreas de produção e indica pontos que podem ser melhorados. Já o Ferti-Matte interpreta análises de solo e ajuda a definir a adubação de acordo com a fase de desenvolvimento das plantas.
As novas versões passam a funcionar como aplicativos para a web responsivos, isto é, cuja interface se adapta a diferentes tamanhos de tela. Com a mudança, as ferramentas deixam de depender de sistemas operacionais específicos e podem ser acessadas diretamente pelo navegador, em computadores, tablets e celulares, sem necessidade de instalação.
Aplicativos serão lançados na Expointer 2026
As atualizações dos aplicativos Manejo-Matte e Ferti-Matte serão lançadas na 49ª Expointer, que ocorre em Esteio, RS, de 29 de agosto a 6 de setembro.
A previsão é de que cerca de 200 mil pessoas visitem o evento em 2026.
Manejo-Matte amplia diagnóstico para cultivos sombreados
O Manejo-Matte utiliza informações fornecidas pelo agricultor ou pelo extensionista para diagnosticar as condições de manejo de um talhão (área delimitada de cultivo). A partir das respostas, o aplicativo gera um gráfico que indica fatores limitantes do potencial produtivo e aponta medidas de manejo a serem adotadas.
Na nova versão, a ferramenta passou a considerar o sombreamento das plantações de erva-mate e o uso de variedades desenvolvidas pela Embrapa, chamadas de cultivares BRS. O usuário informa o percentual de cobertura de sombra do talhão, e o aplicativo considera essa condição na avaliação do potencial produtivo e nas recomendações de manejo.
Segundo Ives Goulart, analista da Embrapa Florestas (PR), “a inclusão dos sistemas sombreados traz mais refinamento ao uso da ferramenta. A erva-mate é uma espécie nativa de sub-bosque da Floresta com Araucárias e os ervais sombreados ocupam espaço importante na produção nacional”.
De acordo com as pesquisas, em áreas com 0% a 35% de sombra, não há alteração significativa do potencial produtivo, e as tecnologias de manejo preconizadas pelo Erva 20 podem ser aplicadas. Entre 40% e 60% de sombreamento, a resposta do erval à adubação diminui, porque a disponibilidade de luz passa a ser um dos fatores que limitam a efetividade dos fertilizantes.
Essa condição também modifica outros aspectos do cultivo. Com o sombreamento, há alterações na dinâmica das podas e redução da ocorrência de plantas daninhas, o que interfere no manejo.
O cultivo sombreado apresenta características de interesse econômico e ambiental. Goulart explica que a erva-mate produzida sob sombra alcança, em média, valor 20% superior ao obtido no cultivo a pleno sol. Os sistemas com árvores também contribuem para a conservação da água e do solo, preservação da genética da espécie e maior resiliência dos ervais em períodos de estiagem. “Cada produtor deve escolher o sistema de cultivo que melhor se adapte à sua realidade”, enfatiza o especialista.
Ferti-Matte incorpora adubação orgânica e cálculo de custos
O Ferti-Matte utiliza os dados da análise de solo de cada talhão e informações sobre o erval para interpretar os resultados, indicar a demanda nutricional e calcular as doses de adubação. O sistema considera as fases de plantio, formação de copa e produção.
A nova versão inclui a adubação orgânica, além dos fertilizantes minerais e químicos já contemplados. O aplicativo também ganhou um módulo para auxiliar na escolha dos fertilizantes.
A ferramenta possui ainda um banco de adubos, que vem configurado com os fertilizantes minerais, químicos e orgânicos mais comuns e seus respectivos teores de nutrientes. O usuário pode ajustar os preços de acordo com o mercado de sua região e incluir novos produtos, informando categoria, composição e valor.
Para obter diretivas para um talhão, o usuário seleciona os fertilizantes de que dispõe. O aplicativo calcula, então, a combinação de menor custo capaz de atender à demanda nutricional do erval. “Se os produtos escolhidos não forem suficientes para atender determinado nutriente, o sistema indica a deficiência, permitindo que o usuário avalie a necessidade de adquirir outro fertilizante”, complementa Goulart.
Outra atualização está relacionada aos formatos das covas no plantio. O Ferti-Matte calcula o volume tanto de covas quadradas quanto de covas cilíndricas. Nas covas quadradas, o usuário informa a largura e a profundidade; nas cilíndricas — abertas, por exemplo, com motocoveadoras (equipamentos motorizados utilizados para abrir covas no solo) —, o diâmetro e a profundidade. A alteração corrige uma limitação da versão anterior, que utilizava parâmetros de covas quadradas também para as cilíndricas.
O novo cálculo também verifica se as dimensões informadas estão dentro das recomendações técnicas. “Com isso, evitamos que se atribua a uma cova menor um volume maior que o real e, consequentemente, que seja aplicada uma quantidade excessiva de adubo, o que pode causar danos às plantas”, avalia Goulart.
Já a adubação em sistemas sombreados, embora produza uma resposta menor, continua sendo importante. O analista observa que a queda de folhas das árvores contribui para a ciclagem de nutrientes, mas não compensa totalmente o que é retirado pela colheita da erva-mate. “Por isso, a reposição de nutrientes continua sendo necessária, ainda que em doses menores”, acrescenta.
Ferramentas para apoiar decisões no campo
Os aplicativos Manejo-Matte e Ferti-Matte têm funções complementares. Enquanto o primeiro ajuda a identificar problemas e oportunidades de melhoria no manejo, o segundo utiliza a análise de solo e as características do erval para apoiar a decisão sobre a adubação.
Eles também podem contribuir para o trabalho de assistência técnica. Os diagnósticos e recomendações ajudam a embasar o diálogo entre extensionistas e agricultores e permitem comparar diferentes talhões de uma mesma propriedade. Isso facilita o planejamento e a tomada de decisões técnicas, além do ajuste do investimento ao potencial produtivo de cada área.
Fonte: Embrapa

