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sábado, 17 de outubro, 2026

Brasil contesta tarifas dos EUA e alega discriminação em comércio internacional

O Brasil manifestou oficialmente sua insatisfação com as tarifas impostas pelos Estados Unidos, classificando as medidas americanas como discriminatórias e contrárias às normas do comércio global. A posição foi formalizada durante uma reunião virtual entre os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

Em nota conjunta, os ministérios brasileiros criticaram o que chamaram de tratamento injusto, argumentando que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos em suas investigações não refletem as práticas comerciais do Brasil. As pastas afirmaram que as conclusões, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, não condizem com a realidade das operações brasileiras, resultando em uma discriminação contra o país.

Apesar das divergências significativas, ambas as nações concordaram em prosseguir com o diálogo. Reuniões técnicas estão agendadas para as próximas semanas, com a possibilidade de encontros presenciais ou virtuais, culminando em uma nova reunião ministerial para avaliar os progressos. O governo brasileiro reiterou seu compromisso em buscar um acordo equilibrado e vantajoso para ambas as partes, pautado pelo respeito mútuo e pela soberania nacional.

A retomada das negociações ocorre após um contato telefônico entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em agosto, quando o presidente brasileiro voltou a questionar as tarifas e Trump propôs a reabertura das discussões. O Brasil enfrenta atualmente uma tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA, além de uma sobretaxa de 12,5% justificada por Washington em relação ao combate ao trabalho forçado.

A primeira tarifa, segundo o governo brasileiro, baseou-se em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) que apontou supostas práticas comerciais desleais, incluindo questões sobre o sistema de pagamentos instantâneos Pix e o acesso ao mercado de etanol. O Brasil refuta veementemente essas alegações, considerando a medida arbitrária. A disputa se insere em um contexto de acirrada competição econômica entre Estados Unidos e China pela influência na América Latina, adicionando um componente geopolítico às relações comerciais entre Brasil e EUA.