Entre as espécies encontradas, estavam lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras.
A estiagem que atinge trechos do Rio da Prata, em Jardim, a 236 km de Campo Grande, mobilizou uma operação emergencial para resgatar peixes que ficaram ilhados em poças com baixa oxigenação. Conforme o último monitoramento, cerca de 4 quilômetros do leito do rio foram afetados pela seca, um quilômetro a mais do que na semana anterior.
A ação foi realizada na última sexta-feira (4), pelo IGMA (Instituto Guarda Mirim Ambiental de Jardim), em parceria com o Instituto Amigos do Rio da Prata. Segundo o IGMA, aproximadamente 200 animais de pequeno porte foram retirados dos pontos mais críticos e realocados para trechos mais profundos e perenes do rio. Entre as espécies encontradas, estavam lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras.
Nisroque da Silva, presidente do IGMA, explica que a estiagem severa tem acelerado a seca do leito do rio, formando poças que concentram grupos de peixes de pequeno porte. Quando isso ocorre, é necessário realizar o resgate e a realocação para locais onde o rio flui normalmente.
“O monitoramento é realizado diariamente, percorrendo todo o leito seco e avaliando as poças onde os peixes estão ilhados. Quando identificada a necessidade de resgate, acionamos o plano emergencial”, afirma.
A operação teve como objetivo evitar a mortandade dos animais que estavam isolados em poças com baixa oxigenação. Segundo o IGMA, “a ação rápida e coordenada foi fundamental para evitar a mortandade desses animais e proteger o equilíbrio do nosso ecossistema”.
Após o resgate, a equipe informou que continuará acompanhando o leito do Rio da Prata nas próximas semanas para identificar novos pontos em que seja necessário realizar o manejo e a realocação de peixes.
“O monitoramento do leito do rio continua firme e sem pausas pelas próximas semanas”, informou o instituto.
Seca recorrente no Rio da Prata
A redução do nível da água já vinha sendo observada na região. Em 25 de agosto, o Recanto Ecológico Rio da Prata publicou imagens da Ponte do Curé, mostrando que a água havia deixado de passar sob a estrutura no trecho mais elevado.
Na ocasião, o empreendimento informou que havia pontos com água e pequenas poças nas proximidades e que o curso do rio retomava o fluxo mais à frente. Também afirmou que os atrativos da região continuavam funcionando normalmente e que a equipe seguiria monitorando o local para, se necessário, realizar ações de manejo para evitar que peixes ficassem ilhados.
O cenário também tem precedentes recentes. Em 2025, a estiagem afetou uma área de cerca de sete quilômetros do Rio da Prata, nas proximidades da Ponte do Curé e da MS-178. Já em 2024, o curso d’água chegou a secar durante o período de estiagem, sendo necessárias operações para retirar peixes que ficaram isolados em poças. O fluxo começou a ser restabelecido com a chegada das chuvas, em novembro.
Para Nisroque, a chegada do fenômeno El Niño também está entre as preocupações diante do cenário climático. A equipe, segundo ele, segue acompanhando as condições do rio e a situação dos peixes nos trechos afetados pela seca.
Fonte: Midiamax

