Depois de seis anos, o Grito Rock Dourados está de volta. Entre os dias 25, 26 e 27 de setembro, a Praça do Cinquentenário será novamente ocupada por música, artes visuais, literatura, cultura urbana, cinema, circo, atividades para crianças, sustentabilidade e outras linguagens artísticas.
A retomada marca uma nova edição de um festival que já teve passagens importantes pela cidade. O Grito Rock Dourados contou edições em 2011, 2013, 2014, 2015, 2016 e 2018, fortalecendo a cena independente e criando espaços para artistas de diferentes áreas. Em todos estes anos, a Praça do Cinquentenário foi palco principal durante os dias do evento, mas outros espaços da cidade também foram ocupados.
Para a idealizadora Fabi Fernandes, o retorno do festival representa a retomada de uma história construída coletivamente e, ao mesmo tempo, a possibilidade de apresentar uma nova configuração para o Grito Rock.
“O Grito Rock tem uma história muito forte em Dourados, construída por artistas, produtores, coletivos e pelo público. Depois de seis anos, o retorno do evento para a cidade significa reencontrar essa memória, mas também olhar para o presente e entender o que os artistas estão produzindo hoje. É um retorno com novas ideias, novas linguagens e muita vontade de ocupar novamente a cidade”, afirma Fabi Fernandes.
O Grito Rock surgiu no país em 2003 e, ao longo de sua trajetória, ampliou sua atuação para diferentes estilos e linguagens artísticas, transformando-se em uma plataforma de circulação de artistas e de democratização de tecnologias sociais na produção cultural.
Um festival com diferentes “gritos”
Em 2026, a programação do Grito Rock Dourados reúne diferentes frentes: O Grito Rock mantém a música como um dos eixos centrais do festival, abrindo espaço para bandas e artistas independentes; O Grito Hip Hop reúne MCs, DJs, grafiteiros e dançarinos de breaking, além de batalhas, oficinas e intervenções artísticas; O Grito Slam leva a poesia falada para a programação, reunindo poetas e performers e fortalecendo novas narrativas da literatura marginal; O Grito D’Ellas coloca no centro o protagonismo das mulheres na cultura, com debates, rodas de conversa e encontros sobre feminismo, equidade de gênero e os desafios enfrentados por mulheres e dissidências na cena independente.
Ainda há espaço na literatura, com o Grito Litera, que transforma a palavra em movimento, aproximando escrita, oralidade, vivência e criação coletiva; O Cine Grito amplia a programação para o audiovisual, com circulação, exibição e debate de obras autorais, além de encontros com criadores e ações de fortalecimento da cena regional; O Circo Grita reúne malabares, acrobacias, palhaçaria e performances em uma proposta marcada pelo lúdico e pela imaginação; Já o Gritinho é voltado ao público infantil, com atividades de descobertas, brincadeiras e aprendizagem em um ambiente seguro, inclusivo e estimulante.
A programação também conta com o Techno Grito, onde haverá uma conferência internacional de produtores musicais e DJs da cena eletrônica e laboratório de antropologia multimídia da University College London estará presente com experimentos e vivências imersivas durante todos os dias de evento.
O Grito Capoeira, para celebrar a cultura afro-brasileira, o Grito Ballroom, trazendo a cultura LGBTQIAPN+ para o festival, e o Grito Flashback, que resgata referências musicais das décadas de 1980 e 1990, propõe um encontro entre gerações por meio da música, da dança e da memória afetiva e acontece no dia 27 de setembro, quando é comemorado o Dia Municipal do Flashback em Dourados.
Cultura independente e ocupação do espaço público
A Expo Grito reúne expositores, produção independente, artes visuais e artesanato, fortalecendo quem cria e vive da arte e movimentando a economia criativa. O Grito Verde aproxima cultura e sustentabilidade, com ações agroecológicas, oficinas de permacultura, bioconstrução, consciência ambiental e distribuição de plantas da Matisse Frutíferas.
Já o Grito Tekoha Sapucaí é dedicado ao protagonismo indígena e promove oficinas, workshops e rodas de conversa que aproximam saberes tradicionais, perspectivas contemporâneas, jovens e anciãos.
Segundo Fabi Fernandes, a diversidade de frentes é parte fundamental da identidade construída pelo festival. “A gente não quer fazer um festival em que as pessoas apenas chegam, assistem a um show e vão embora. A ideia é criar uma experiência de encontro. Tem música, tem literatura, tem cinema, tem graffiti, tem circo, tem infância, tem sustentabilidade, tem cultura urbana. São diferentes portas de entrada para que as pessoas possam se reconhecer dentro do festival”, destaca.
Graffiti vai revitalizar a Praça do Cinquentenário
Entre as ações desta edição está uma intervenção de graffiti na Praça do Cinquentenário, com o tema “Identidade, Fronteira e Território”.
A proposta é utilizar a arte urbana como ferramenta de transformação e realizar uma revitalização visual do espaço público. Artistas de outros estados também podem participar da ação. As inscrições para artistas do graffiti, bandas, expositores e autores interessados em lançar livros autorais de forma independente ficam abertas até 20 de setembro pelo site www.gritorock.com.
Conforme Fabi, a escolha da praça e do tema dialoga diretamente com a identidade de Dourados e com a proposta de ocupar a cidade por meio da arte. “Identidade, fronteira e território são palavras que dizem muito sobre Dourados. A praça está no centro da cidade e queremos que ela volte a ser também um lugar de encontro, criação e expressão. O graffiti vai ajudar a transformar esse espaço, mas também queremos que ele conte histórias e provoque perguntas sobre quem somos e sobre o território que compartilhamos”, afirma.
A retomada acontece depois de um período sem novas edições, mas o festival já vem realizando outras ações que integram esta edição. Agora, o público se prepara para encontrar uma Praça do Cinquentenário novamente ocupada pela produção cultural independente.
O Grito Rock Dourados conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, por meio do MinC (Ministério da Cultura), executado pelo Governo do Estado, através da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).
SERVIÇO
Grito Rock Dourados 2026
Quando: 25, 26 e 27 de setembro
Onde: Praça do Cinquentenário – Dourados (MS)
Frentes: Grito Rock, Grito Hip Hop, Grito Slam, Grito D’Ellas, Grito Litera, Cine Grito, Circo Grita, Gritinho, Expo Grito, Grito Verde, Grito Tekoha Sapucaí, Techno Grito e Grito Flashback.
Inscrições até 18 de setembro: bandas, expositores, autores para lançamentos independentes e artistas do graffiti.
Tema da intervenção de graffiti: “Identidade, Fronteira e Território”. Link para inscrições: www.gritorock.com.

