Perfumes árabes entravam clandestinamente no território brasileiro via Ponta Porã e eram transportados para outros estados brasileiros
Receita Federal do Brasil (RFB), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) cumpriram 16 mandados de busca e apreensão, nesta terça-feira (22), durante a Operação Perfume de Mulher, nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco.
A Justiça ainda autorizou a apreensão de até R$ 100 milhões em bens vinculados aos investigados, inclusive criptoativos.
A operação visa desmantelar uma organização criminosa que importa clandestinamente e distribui perfumes estrangeiros para várias regiões do Brasil.
A quadrilha é investigada pelos crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais. Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por intermédio de empresas de fachada, utilização de interpostas pessoas, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados.

Em MS, alguns dos mandados foram cumpridos em Campo Grande, em uma residência localizada na rua Antônio Maria Coelho, número 4803, bairro Santa Fé.
No local, agentes levaram dois carros (Fiat Fastback e Toyota Corolla Cross) que estavam estacionados na garagem e apreenderam uma “bolsa gigante” com itens que não foram divulgados.
No Brasil, participaram da operação 50 auditores-fiscais e analistas tributários da RFB, 50 integrantes do MPF e 30 servidores do MPMS.
Entre 2024 e 2026, mais de 20 apreensões vinculadas ao esquema foram registradas: em um dos casos, em outubro de 2025, R$ 10 milhões em perfumes foram apreendidos pelas autoridades – fato que deu início as investigações.

Conforme apurado pela reportagem, perfumes árabes entravam clandestinamente no território brasileiro via região de fronteira Pedro Juan Caballero (Paraguai)/Ponta Porã (Brasil) e seguiam para um depósito em Campo Grande (MS).
Em seguida, eram enviados para outros centros de distribuição localizados nos estados de São Paulo e Pernambuco. A partir dessas sedes, as mercadorias eram distribuídas para vários estados.
A quadrilha utilizava “notas ficais frias”, declarações de conteúdo falsas e pessoas jurídicas para dar legalidade às operações comerciais.
As vendas eram realizadas principalmente por meio de redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico, com participação de influencers para impulsionar a divulgação.
Em um de seus sites, o grupo se intitulava “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”.





“O mercado ilegal de perfumes importados causa prejuízos significativos à arrecadação tributária, à livre concorrência e à economia formal. Estudos e levantamentos recentes apontam que os perfumes estrangeiros figuram entre os produtos descaminhados mais comercializados no Brasil, ao lado de outros bens de elevado valor agregado e grande demanda no mercado consumidor. As investigações identificaram a suposta existência de uma estrutura organizada dedicada à introdução clandestina de perfumes provenientes do Paraguai, com posterior distribuição para consumidores em diversas regiões do país”, informou a RFB por meio de nota enviada à imprensa.
Fonte: Correio do Estado


