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quarta-feira, 30 de setembro, 2026

São Paulo inverte pirâmide etária: um idoso para cada criança

O estado de São Paulo apresenta uma inversão demográfica significativa: pela primeira vez, o número de idosos com 60 anos ou mais superou a quantidade de crianças e adolescentes com menos de 15 anos. Segundo dados de 2025 da Fundação Seade, o índice de envelhecimento alcançou 101,0, o que significa que para cada 100 jovens, há 101 idosos no estado.

Essa transição demográfica acelerada é evidenciada pela trajetória do indicador nas últimas décadas. Entre 1950 e 2025, a proporção de idosos em relação aos jovens em São Paulo multiplicou-se por mais de oito vezes. Em 2000, a relação era de 34,1 idosos para cada 100 jovens, saltando para 53,9 em 2010, 82,3 em 2020 e, finalmente, ultrapassando a marca dos 100 em 2025.

A mudança transforma a tradicional pirâmide etária, que antes possuía uma base larga de crianças e um topo estreito de idosos. Atualmente, a base se afunila devido à queda na taxa de fecundidade, enquanto o topo se expande em virtude do aumento da expectativa de vida.

Lucia Yazaki, porta-voz da Seade, explica que a taxa de fecundidade em São Paulo está em 1,5 filho por mulher, um contraste acentuado com o século passado, quando a média era de cerca de quatro filhos. A entrada da Geração X, nascidos entre 1965 e 1980, na faixa etária dos 60 anos, com 549 mil pessoas atingindo essa idade em São Paulo, contribui ainda mais para essa nova realidade demográfica.

Este grupo representa 6,6% da população idosa do estado, aproximando a quantidade de pessoas entre 45 e 60 anos, que totalizam 9,2 milhões de habitantes. Yazaki ressalta que esse crescimento populacional de idosos intensifica a demanda por políticas públicas nas áreas de previdência, saúde, lazer, infraestrutura e cuidados específicos.

A pesquisa também revela disparidades regionais dentro do próprio estado. Enquanto as regiões ao sul, como Registro, Itapeva e Baixada Santista, apresentam índices de envelhecimento menores, com aproximadamente 93 idosos para cada 100 jovens, as regiões norte e noroeste, como Araçatuba e Presidente Prudente, concentram os maiores índices, ultrapassando 120 idosos para cada 100 crianças. Essas variações são influenciadas pelos indicadores locais de fecundidade e mortalidade, diretamente ligados à situação socioeconômica, embora a tendência geral de envelhecimento populacional seja observada em todo o estado.