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sexta-feira, 2 de outubro, 2026

Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em 11,76% com impacto da guerra no Oriente Médio

A Petrobras anunciou um reajuste médio de 11,76% no preço do querosene de aviação (QAV) para as refinarias da companhia, com o novo valor em vigor a partir desta quinta-feira (1º). O QAV é um combustível essencial para a operação de aeronaves, incluindo aviões e helicópteros.

O preço médio do litro do QAV subiu de R$ 5,585 em setembro para R$ 6,242 em outubro. A Petrobras disponibiliza a lista completa de preços por refinaria em seu site oficial. Este tipo de reajuste é previsto em contrato e ocorre mensalmente, sempre no primeiro dia de cada mês, e é aplicado na venda do combustível para as distribuidoras.

A estatal tem justificado as recentes altas no preço do QAV com a instabilidade geopolítica no Oriente Médio, especificamente a guerra na região, que tem gerado dificuldades na cadeia logística da indústria de petróleo e seus derivados. O preço atual representa um aumento de 74% em comparação com o valor registrado em 1º de março, data próxima ao início de confrontos militares na região do Irã. A instabilidade no Estreito de Ormuz, rota marítima crucial para o transporte de cerca de 20% da produção global de petróleo e gás antes do conflito, é apontada como um dos principais fatores para a elevação dos preços devido à redução na oferta do insumo.

O custo do querosene de aviação tem um impacto significativo nas operações das empresas aéreas. Antes do agravamento da situação no Oriente Médio, o QAV representava aproximadamente 30% das despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Após o início do conflito, esse percentual saltou para mais de 45%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), evidenciando a pressão sobre os custos do setor.

Apesar de o Brasil ser um produtor relevante de petróleo, o preço do QAV, assim como outras commodities, é influenciado pelo mercado internacional. Houve períodos de redução no preço do combustível em junho e julho, coincidente com momentos de aproximação de acordos diplomáticos, mas as cotações voltaram a subir em agosto, setembro e outubro. Para mitigar o impacto financeiro nas companhias aéreas, a Petrobras havia implementado em maio a opção de parcelamento do reajuste para as distribuidoras.

A Petrobras atua na comercialização do QAV, seja ele produzido em suas refinarias ou importado, para as distribuidoras. Posteriormente, essas empresas são responsáveis pelo transporte e pela venda do combustível às companhias de transporte aéreo e outros consumidores finais em aeroportos, além de revendedores. Embora a estatal detenha cerca de 85% da produção nacional de QAV, o mercado é aberto à concorrência, permitindo a atuação de outras empresas como produtoras ou importadoras.