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segunda-feira, 5 de outubro, 2026

Futebol feminino no Brasil: da proibição à Copa do Mundo, uma jornada de conquistas

O futebol feminino no Brasil atravessa um momento de grande visibilidade, impulsionado pela proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada por oito cidades brasileiras. O evento, inédito na América do Sul com 32 seleções, coloca em evidência a modalidade e os avanços conquistados, sem deixar de lado os desafios que ainda persistem.

Comparado a gerações passadas, o cenário atual é drasticamente diferente. Se as pioneiras atuavam com escassos recursos, muitas vezes sem salários e dependendo de ajuda de custo, hoje o futebol feminino conta com competições nacionais e internacionais estruturadas, abrangendo inclusive categorias de base. A profissionalização se expandiu, com uma cadeia de mulheres envolvidas em diversas etapas da modalidade, tanto dentro quanto fora das quatro linhas.

Apesar da evolução, o machismo e o preconceito ainda são obstáculos. Iniciativas como competições de várzea femininas e espaços exclusivos de treinamento para meninas são pontuais e muitas vezes fruto de esforços individuais. Essa realidade contrasta com o passado recente, quando entre os anos 1940 e meados de 1980, as mulheres eram legalmente impedidas de praticar futebol no Brasil, sob a alegação de riscos à saúde.

Atualmente, mesmo diante de resistências sociais e familiares, meninas e jovens sonham com carreiras no esporte e com a simples liberdade de jogar bola. A jornada de mulheres como Márcia Honório, que integrou a primeira seleção brasileira a disputar uma Copa do Mundo, é um marco dessa transformação. Ela relembra a emoção de ser convocada e ouvir o Hino Nacional, um momento que inspirava a luta por melhores condições para o futebol feminino.

“Quando você pega um telegrama daquele e se vê convocada, e quando está fora do seu país e ouve o Hino Nacional, é emocionante até hoje. A gente gostava e tinha garra, uma vontade de querer ganhar para chegar ao país e falar assim: ‘ó, agora vocês precisam ajudar o futebol feminino'”, relatou.

Especialistas, atletas, ex-atletas, gestoras, jogadoras de várzea e empreendedoras compartilham suas vivências em matérias como a do programa Caminhos da Reportagem. Elas abordam o estado atual da modalidade, os obstáculos superados e as expectativas para o futuro.

A ex-jogadora Formiga, recordista em participações e longevidade na seleção, destaca a importância do senso de comunidade. “Eu passei de Miraíldes, a Mira, da família e dos amigos, para Formiga. E só aí vim entender que não só a Miraíldes jogava futebol, existiam outras mulheres que também passaram o mesmo ou pior, que eu não era a única mulher estranha no mundo. Até então eu me achava um ser humano estranho, por ser a única menina ali que jogava realmente futebol no meio dos meninos”, compartilhou.

A jornalista Milly Lacombe ressalta o poder da união. “Eu acho que a principal mudança é a ideia de que juntas, conseguimos coisas, sozinha ninguém consegue nada. Então, a ideia de que a luta pela emancipação feminina não se separa da luta pelo futebol feminino. Eu diria que essa consciência de que a gente é classe, é um grupo, de que vamos juntas. Eu acho isso muito bonito no futebol feminino, que tem uma história de amor que o masculino não tem”, afirmou.

O cenário atual é de otimismo, com a Copa do Mundo no Brasil como catalisador de maior visibilidade. As entrevistadas vislumbram um futuro promissor para o futebol feminino. “Meu maior sonho é ver as atletas que estão batalhando alcançar o objetivo chegar, ganhar e ter oportunidades. É o que elas merecem”, expressou Lu Leal, treinadora de times de várzea.

O programa “Elas em campo: futebol, paixão e resiliência”, do Caminhos da Reportagem, será exibido na TV Brasil. Em breve, outro programa abordará o futebol feminino como profissão e carreira para jovens mulheres.