Neste 5 de outubro, Dia Mundial de Combate à Meningite, o médico infectologista Alexandre Albuquerque Bertucci, que atua no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), chama a atenção para a importância do reconhecimento precoce da doença, do atendimento médico rápido e da vacinação.
Embora o termo meningite englobe diferentes formas da doença, causadas por vírus, bactérias, fungos e outros agentes, as meningites bacterianas exigem atenção especial devido à velocidade com que podem evoluir e ao risco de complicações graves.
Segundo Bertucci, algumas meningites bacterianas são transmitidas por gotículas e secreções respiratórias e podem provocar sequelas neurológicas, perda da audição, alterações da visão e até levar à morte.
Entre os principais agentes responsáveis estão o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo B (Hib). Entre eles, o meningococo merece atenção especial por também poder causar a meningococcemia, uma infecção generalizada que pode provocar queda da pressão arterial, choque e sepse.
“Além da meningite, ela é acompanhada de queda da pressão, choque, que são sinais de sepse. E no exame físico tem um sinal muito chamativo, que é a presença de manchas arroxeadas”, explica o infectologista.
Atendimento rápido pode fazer diferença
Diante de uma suspeita de meningite, a recomendação é procurar atendimento hospitalar o mais rapidamente possível. A avaliação inclui exame clínico e exames laboratoriais e, quando indicada e segura, a realização da punção lombar para análise do líquor, procedimento fundamental para auxiliar na identificação da causa da doença.
No caso da meningite bacteriana, o início precoce do tratamento é especialmente importante. De acordo com Bertucci, mesmo quando há dificuldade para confirmar imediatamente a causa da infecção, a terapia com antibióticos deve ser iniciada o quanto antes diante de uma suspeita clínica.
“A meningite bacteriana tem uma evolução muito rápida. Em poucos minutos e horas, um paciente que está muito bem pode se apresentar de forma muito grave, com uma piora neurológica agressiva, com risco de morte”, alerta.
Para o médico, o reconhecimento da suspeita, a coleta adequada dos exames e o início precoce do tratamento podem mudar o prognóstico e a evolução do paciente.
Vacinação é uma das principais formas de prevenção
Bertucci ressalta que a vacinação é uma das principais estratégias de prevenção das meningites bacterianas, mas explica que não existe uma única vacina capaz de proteger contra todas as bactérias que podem causar meningite.
No Calendário Nacional de Vacinação de 2026, o SUS oferece, entre outras, a vacina meningocócica C, administrada em duas doses, aos 3 e 5 meses de idade, e a meningocócica ACWY como dose de reforço preferencialmente aos 12 meses. A ACWY também é indicada para adolescentes de 11 a 14 anos.
Também fazem parte da estratégia de proteção as vacinas contra o pneumococo, que previnem doenças pneumocócicas invasivas, incluindo meningite, e a vacina contra o Haemophilus influenzae tipo B, presente na vacina pentavalente utilizada na infância.
“A principal orientação às famílias é conferir a caderneta de vacinação e procurar uma unidade de saúde se houver doses atrasadas, porque manter o calendário vacinal atualizado protege as crianças, reduz os riscos de formas graves e também reduz a transmissão da doença”, orienta o infectologista.
Dados reforçam importância da vigilância
A meningite permanece como uma importante questão de saúde pública em Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MS) divulgados em maio de 2026, até a Semana Epidemiológica 17 haviam sido confirmados 34 casos de meningite e oito óbitos no Estado. Dos óbitos, seis ocorreram em Campo Grande, um em Corumbá e um em Dourados. Os registros consideravam diferentes agentes causadores, entre vírus, bactérias e fungos.
Apesar dos números, a SES/MS informou que os casos registrados não apresentavam vínculo epidemiológico e não configuravam surto, reforçando a importância do monitoramento contínuo pela vigilância em saúde.
“Antes de gerar um alarme, esses dados reforçam toda a importância do sistema de vigilância, da vacinação e, principalmente, do reconhecimento precoce dos casos para ações efetivas”, afirma Bertucci.
Neste Dia Mundial de Combate à Meningite, a orientação é clara: manter a vacinação em dia, reconhecer sinais de alerta e buscar atendimento médico rapidamente diante de uma suspeita. A data é observada mundialmente em 5 de outubro e integra os esforços internacionais de conscientização e prevenção da doença.

