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terça-feira, 6 de outubro, 2026

Big techs falham em cumprir regras eleitorais em dia de votação, aponta estudo

No dia do primeiro turno das eleições, plataformas de grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, foram flagradas veiculando anúncios e recomendando conteúdos de candidatos, descumprindo regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. A constatação faz parte de um levantamento realizado pelo Observatório das Big Techs, vinculado ao NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A pesquisa identificou irregularidades em plataformas como Meta (que engloba Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger), Kwai, Google, TikTok e YouTube. As normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbem a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet nas 48 horas que antecedem a eleição e nas 24 horas posteriores ao seu término. Além disso, as plataformas devem remover de seus sistemas de recomendação perfis e canais de candidatos informados à Justiça Eleitoral.

O monitoramento do NetLab foi realizado por meio de buscas manuais e computacionais, utilizando termos relacionados às eleições e candidaturas. As informações foram coletadas a partir das bibliotecas de anúncios das plataformas e via API, uma ferramenta que permite o acesso a bancos de dados oficiais das redes.

Na Meta, foram detectados 568 anúncios irregulares. Desses, seis simulavam comunicações oficiais do TSE, utilizando elementos visuais e nomes da Justiça Eleitoral para divulgar uma falsa possibilidade de votação remota pelo celular ou de casa. Esses anúncios induziam o usuário a acreditar em uma modalidade de voto digital oficial, mencionando condições como problemas de saúde ou dificuldades de locomoção para justificar a falsa opção, e em alguns casos direcionavam para sites que solicitavam o CPF.

No Kwai, o estudo apontou 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação, além de outros quatro que estavam em pausa, mas que haviam circulado no período de restrição. O laboratório também encontrou 45 anúncios com data de circulação estendida para o dia da eleição, associados a dez páginas de candidatos. Houve dificuldades em confirmar todos os dados devido a inconsistências entre as informações exportadas pelo Kwai e as exibidas em sua biblioteca de anúncios.

O Google teve um anúncio identificado em 3 de outubro que permaneceu ativo de forma irregular. No TikTok, foram recomendados 18 vídeos de sete candidatos entre os dias 3 e 4 de outubro. Já o YouTube recomendou 17 vídeos de seis candidatos no mesmo período. No Instagram, não foram encontradas recomendações de conteúdos de candidatos.

O NetLab destacou que a falta de transparência e as inconsistências nos dados fornecidos pelas plataformas dificultam a fiscalização e a responsabilização. Divergências entre os dados na interface e obtidos por ferramentas de programação, como no caso da Meta, e inconsistências em arquivos exportados, como no Kwai, foram apontadas. O Google, LinkedIn e TikTok foram citados por oferecerem informações consideradas limitadas para um acompanhamento sistemático.

Em resposta, as plataformas defenderam suas ações. A Meta afirmou estar comprometida com a proteção do processo eleitoral e que a amostragem do relatório não reflete a escala de seu trabalho de integridade. O Kwai reiterou seu compromisso com a legislação e mencionou uma operação especial com equipes dedicadas à moderação. O TikTok declarou que a proteção da integridade digital nas eleições é uma prioridade e que removeu centenas de milhares de vídeos por violações de políticas. O Google informou que suas políticas proíbem anúncios políticos no Brasil desde 2024 e que agiu imediatamente em caso de violações, identificando apenas um anúncio irregular no estudo.