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sexta-feira, 16 de outubro, 2026

Remédios e produtos de limpeza: os perigos dentro de casa que podem levar crianças ao hospital

Medicamentos lideram os casos de intoxicação infantil no Brasil; especialista alerta para atitudes que podem colocar a vida das crianças em risco

Um comprimido esquecido sobre a mesa, um frasco de desinfetante ao alcance das mãos ou um produto de limpeza guardado em uma garrafa de refrigerante. Basta um momento de distração para que a curiosidade infantil transforme uma situação cotidiana em uma emergência. E, quando isso acontece, a reação dos adultos pode fazer toda a diferença.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com base em registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o Brasil contabilizou 177.766 casos de intoxicação aguda em 2022. Desse total, 32,6% envolveram crianças e adolescentes de até 19 anos, aproximadamente 58 mil ocorrências. Os medicamentos lideram as causas nessa faixa etária, com 63,8% dos registros, seguidos por produtos de limpeza e outros agentes químicos, com 7,2%.

O impacto também aparece nos hospitais. Levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) aponta que, entre 2015 e 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 45.511 internações por envenenamento, uma média de uma ocorrência a cada duas horas. As crianças de 1 a 4 anos responderam por 7.204 dessas internações.

Para Denis Corrêa, da CoreHelp, instituição de educação sul-mato-grossense especializada na capacitação de profissionais de saúde para o atendimento de urgências e emergências, um dos principais riscos está nas tentativas de resolver o problema com soluções caseiras. A instituição oferece treinamentos práticos e simulações de situações críticas, preparando profissionais para reconhecer riscos e agir com segurança em atendimentos de emergência.

“Quando uma criança ingere um medicamento ou produto químico, muitos adultos tentam provocar o vômito ou oferecer leite e água. Mas essas atitudes podem agravar a intoxicação. O mais importante é buscar orientação especializada imediatamente, mesmo que a criança não apresente sintomas. Saber o que não fazer também pode salvar vidas”, explica.

Provocar o vômito é especialmente perigoso quando a substância ingerida é corrosiva, pois pode causar novas queimaduras no esôfago e até comprometer os pulmões. Oferecer leite, alimentos ou misturas caseiras sem orientação profissional também não é recomendado.

Os sinais de intoxicação variam conforme a substância e podem incluir vômitos, dor abdominal, sonolência, salivação excessiva, queimaduras na boca, dificuldade para respirar e convulsões. Em alguns casos, os sintomas demoram a aparecer.

O que fazer em caso de intoxicação? A primeira medida é afastar a criança da substância e buscar orientação especializada. Sempre que possível, os responsáveis devem identificar o produto, verificar a quantidade que pode ter sido ingerida e guardar a embalagem para apresentar aos profissionais de saúde.

O Disque-Intoxicação nacional oferece orientações gratuitas pelo número 0800 722 6001. Em Mato Grosso do Sul, a população deve acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CEATOX/CIVITOX-MS) por meio dos telefones (67) 3386-8655 ou (67) 3386-4335, com atendimento 24 horas. Em situações graves, como dificuldade respiratória, convulsões ou perda de consciência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deve ser chamado imediatamente pelo 192.

A prevenção começa dentro de casa A segurança doméstica exige escolhas conscientes desde o momento da compra. A orientação é adquirir apenas itens de fabricantes regularmente registrados, que apresentem a composição química detalhada nos rótulos. Jamais mantenha em casa produtos clandestinos, de fabricação caseira, de origem desconhecida ou armazenados em embalagens de alimentos e garrafas PET, um atrativo visual letal que confunde facilmente as crianças.

Além disso, medicamentos e substâncias perigosas devem permanecer em locais altos, preferencialmente trancados, e sempre nas embalagens originais, evitando o abandono de comprimidos em bolsas, mesas de cabeceira e gavetas acessíveis.

“A curiosidade faz parte da infância, mas cabe aos adultos garantir um ambiente seguro. Além da prevenção rigorosa, conhecer os primeiros socorros é fundamental para reconhecer uma emergência e agir corretamente até a chegada do atendimento especializado”, reforça Denis Corrêa.

Fonte: Evelise Couto