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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

ONU critica Meta por suposta parcialidade em eleições brasileiras

Um grupo de especialistas em direitos digitais das Nações Unidas (ONU) expressou preocupação em uma carta recente sobre a forma como as plataformas da Meta, incluindo Instagram, Facebook e WhatsApp, gerenciaram o conteúdo durante as eleições brasileiras de 2026. Os observadores internacionais que acompanharam o processo eleitoral teriam identificado um tratamento desigual em relação às campanhas políticas, com alegações de que contas associadas a um candidato específico foram prejudicadas.

Entre os incidentes relatados estão a suspensão temporária de contas de campanha e uma redução significativa no alcance e engajamento de publicações políticas de um dos candidatos. Além disso, o documento menciona a suspensão de milhares de contas de influenciadores, jornalistas e criadores de conteúdo, com a observação de que a maioria pertencia a um mesmo espectro político.

Uma carta separada, elaborada pelo NetLab – um laboratório de pesquisa em internet e redes sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – também levantou questionamentos. O NetLab citou a suspensão de um perfil ligado ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva, sob o pretexto de combate a notícias falsas sobre políticas públicas. Contudo, o laboratório apontou que perfis com publicações consideradas fake news pela Meta permaneceram ativos.

O documento do NetLab também destacou falhas por parte da Meta, que teriam permitido a veiculação de propaganda eleitoral paga proveniente do exterior e durante o período de restrições eleitorais. Essa prática, segundo o laboratório, violaria as normas eleitorais brasileiras.

Um caso específico que gerou repercussão foi o do WhatsApp. A campanha do candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), moveu uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após relatos de que a inteligência artificial do aplicativo se recusava a gerar imagens com as palavras “Lula” e o número “13”, enquanto produzia conteúdo normalmente com termos como “Flávio” e o número “22”. Os advogados da campanha acusaram a Meta de “seletividade algorítmica” em benefício de Flávio Bolsonaro (PL).

Em resposta às alegações da ONU, a Meta declarou que seus aplicativos garantem a liberdade de expressão sem favorecimento a qualquer corrente política. A empresa reconheceu a possibilidade de incidentes técnicos em sua plataforma, mas afirmou que estes não indicam um direcionamento político. A Meta assegurou que cumpre a legislação eleitoral brasileira e que atua prontamente para corrigir quaisquer erros, visando manter a igualdade de condições para todos os usuários.

Quanto às observações do NetLab, a Meta reiterou que não tolera conteúdos que visem explorar programas públicos para enganar pessoas e que tais materiais são removidos assim que identificados.