Felipe Domingues estava na unidade militar desde 27 de setembro, depois da denúncia da atendente de farmácia, deixou a prisão nesta sexta-feira (6)
O bombeiro militar Felipe Batista Valeriana Domingues, de 37 anos, deixou o Presídio Militar Estadual nesta sexta-feira (6), após a expedição de um alvará de soltura. Ele estava preso preventivamente desde 27 de setembro, quando foi detido sob suspeita de perseguir e estuprar uma atendente de farmácia, de 35 anos, em Campo Grande. Com o caso recente, outros registros envolvendo Felipe, incluindo denúncias de assédio sexual contra adolescentes que trabalhavam como mirins na Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), também vieram à tona.
Conforme o boletim de ocorrência, a situação começou no dia 15 de setembro, quando Felipe foi até a farmácia onde a vítima trabalhava, no Bairro Aero Rancho. Na ocasião, ele se apresentou como “Felipe Lorde” e deixou um bilhete com o número de telefone para que outra funcionária entregasse à atendente.
Os dois começaram a conversar por mensagens e chegaram a combinar um encontro. No entanto, a mulher descobriu que o bombeiro era casado e, após confirmar a informação com funcionários de uma casa noturna onde ele dizia trabalhar como segurança, avisou que não iria mais encontrá-lo.
Felipe chegou a bloquear a atendente nas redes sociais, mas, no sábado daquela semana, voltou a procurá-la. Segundo o relato da vítima, ele enviou diversas mensagens e afirmou que iria buscá-la no trabalho às 22h. Quando saiu da farmácia, a mulher encontrou o militar à espera. Ele a chamou até o carro, mantendo a mão na cintura, o que deu a entender que estaria armado. Com receio, ela enviou uma mensagem a um amigo e entrou no veículo.
Ainda conforme a denúncia, Felipe dirigiu até uma rua escura no Bairro Centenário, onde teria retirado uma arma e colocado embaixo do banco da passageira. Em seguida, segurou a mulher, forçou um beijo e a obrigou a manter relações sexuais. Durante o episódio, ele também teria pegado o celular da vítima e guardado o aparelho após receber ligações do amigo dela.
Depois do ocorrido, a atendente pediu para descer do carro e procurou o amigo. Na sequência, registrou a ocorrência e passou por exame de corpo de delito.
A Justiça expediu o mandado de prisão preventiva em 25 de outubro. Dois dias depois, equipes da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) foram até a casa do militar para cumprir a ordem judicial.
Na ocasião, Felipe se recusou inicialmente a sair da residência e afirmou que não se entregaria, alegando que era inocente. Diante da resistência, os policiais precisaram chamar um oficial do Corpo de Bombeiros para ajudar nas negociações. Depois de um período de conversa, ele concordou em deixar o imóvel e foi encaminhado à delegacia. Uma pistola Taurus calibre 9 milímetros também foi apreendida.
Durante a audiência de custódia, realizada no dia 30 daquele mês, o advogado Gustavo Ferreira Santos alegou que a relação entre o bombeiro e a atendente foi consensual. A defesa também sustentou que o militar teria sido vítima de extorsão e apresentou mensagens que, segundo o advogado, comprovariam cobranças de dinheiro para evitar que o caso fosse denunciado à polícia.
O defensor afirmou ainda que Felipe tinha residência fixa, não possuía antecedentes criminais e exercia função pública estadual desde 2016. Apesar dos argumentos, a Justiça manteve a prisão preventiva naquele momento.
Assédio à adolescentes – O Campo Grande News teve acesso a três registros de assédio sexual envolvendo Felipe. As vítimas eram adolescentes que trabalhavam como mirins na Sejusp, onde o militar também atuava. Os casos ocorreram entre janeiro e junho de 2022 e foram encaminhados à DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).
Na época, a Sejusp informou que tomou conhecimento das denúncias, adotou as providências necessárias e afastou o servidor de suas funções. As adolescentes também receberam acompanhamento social e psicológico.
Já o Instituto Mirim confirmou que prestou acolhimento às jovens, mas ressaltou que não tem competência para conduzir procedimentos disciplinares ou aplicar sanções a servidores das instituições parceiras.
Fonte: Campograndenews

