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domingo, 8 de novembro, 2026

Garantia de escolta vitalícia com nova lei pode viabilizar ida do promotor Gakiya a novo ministério de Lula

Promotor havia dito que não deixaria o MP porque é jurado de morte pelo PCC, mas projeto de Moro assegura proteção 24 h após carreira

O promotor de Justiça do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) Lincoln Gakiya é o nome mais cotado para assumir o futuro Ministério da Segurança Pública, nova pasta que o presidente Lula (PT) pretende criar em seu quarto mandato.

Gakiya, que completa o tempo necessário para se aposentar do serviço público estadual em janeiro de 2027, não negou nem quis comentar a possibilidade quando questionado pelo R7.

Porém, um interlocutor do MP com trânsito em Brasília afirmou que, se houver um convite formal, Gakiya, que investiga as facções há ao menos 20 anos e é uma das maiores referências no combate ao crime organizado, vai aceitar o desafio de trabalhar para minar a violência, problema que mais afeta os brasileiros, segundo o Datafolha.

Funcionário de carreira muito admirado por seus pares, Gakiya tem apoio de alas importantes do governo e colaborou com sugestões para o plano de trabalho de Fernando Haddad, caso o petista conquistasse o governo de São Paulo.

Ameaças do PCC

Gakiya tem, hoje, escolta 24 horas por dia por causa das frequentes ameaças de morte em razão das investigações contra o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Em 2025, o promotor do MP chegou a falar em entrevista que estava próximo da aposentadoria, mas que abriria mão de se aposentar porque não havia garantia de segurança para ele e para a própria família.

Um pouco depois desta declaração, quando o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) fez uma megaoperação contra um grupo que planejava matar autoridades, Gakiya cogitou deixar o país ao se aposentar. Mas enfatizou que isso demonstraria a falência do estado brasileiro.

Em entrevista à RECORD no ano passado, disse que “já convivia com este tipo de informação há mais de uma década” e reconheceu que “já estava numa lista de decretados pelo PCC”.

Ministério da Segurança Pública

No entanto, caso seja convidado e aceite integrar a Esplanada em Brasília, Gakiya não perderá a escolta armada 24 h por dia a que tem direito agora. Isso porque um projeto de lei do senador Sérgio Moro (PL 1.307/2023) estendeu a policiais, promotores e juízes aposentados a proteção armada vitalícia do Estado.

A nova lei, sancionada por Lula em outubro do ano passado — poucos dias após as declarações de Gakiya sobre adiar a aposentadoria —, prevê proteção da polícia a juízes e membros do Ministério Público aposentados em razão de seus trabalhos contra facções criminosas. A medida também beneficia os familiares e policiais em risco.

Nome de peso

Gakiya já havia sido citado como possível ministro da Segurança Pública por um candidato de outro espectro político. O então postulante à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) cogitou chamar o promotor para o seu governo caso ganhasse a disputa.

Questionado à época pelo R7, o promotor disse ser da ativa e, por isso, não poderia ter atividade político-partidária. No entanto, afirmou que ficava honrado com “a lembrança do seu nome”.

O movimento, porém, não teria passado de encenação política, uma vez que Gakiya sequer foi procurado pelo candidato, segundo o interlocutor do MP ouvido pelo R7.

Alvo de ameaças

Com mais de 30 anos de atuação no Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya é integrante do Gaeco, sendo especialmente conhecido por sua investigação e confronto direto com a facção criminosa PCC.

Atualmente, trabalha em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e lidera o Gaeco na região após ter solicitado transferência da capital por questões de segurança.

Em 2018, foi ameaçado de morte pelo PCC depois de ter pedido a transferência de membros da facção. Na época, a polícia interceptou cartas codificadas com ordens da alta cúpula para eliminar o promotor caso Marcola fosse transferido de penitenciária.

Fonte: R7