11/07/2014 06h30
PCHs no Rio Amambai é tema de debates e discórdias em três municípios da região
Agazetanews
Uma audiência pública realizada na noite dessa quinta-feira, 10 de julho, no Alphaville Clube, discutiu a instalação de duas PCHs (Pequenas Centrais Elétricas), em Amambai.
As duas mini usinas hidrelétricas poderão ser implantadas no Rio Amambai, uma na barra do Rio Amambai com o Saiju, na divida com Caarapó e outra na barra do Rio Jaguari, na divisa com Laguna Carapã.
A equipe da empresa responsável pelas duas pequenas usinas tentou esclarecer, durante a audiência, às autoridades, produtores rurais, estudantes e aos representantes da população amambaiense, detalhes sobre os empreendimentos e supostas vantagens da implantação das hidrelétricas para os municípios envolvidos.
Empreendimentos recebem resistência popular
A audiência pública realizada em Amambai não foi diferente das audiências de mesma natureza realizadas em Laguna Carapã e em Caarapó, onde o projeto das usinas recebeu bastante resistência por parte de segmentos da sociedade e inclusive de autoridades locais devido ao impacto irreversível que as hidrelétricas vão causar ao ambiente, segundo laudos do IMASUL (Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).
A direção das PCHs diz que todos os danos causados ao meio ambiente serão compensados com a criação de reservas ambientais ao longo dos lagos que se formarão em decorrência das barragens entre outras ações para amenizar o impacto, mas não é o que acham o Ministério Público Estadual (MPE), a classe produtora e vários seguimentos envolvidos durante as audiências públicas.
Durante a audiência realizada nessa quinta-feira em Amambai o presidente do Sindicato Rural local, Diogo Peixoto, foi categórico em afirmar que a entidade e a classe produtora do município é contrária a instalação das PCHs por entenderem que o empreendimento vai trazer mais malefícios do que benefícios para a sociedade local, tendo em vista o impacto ambiental que irá gerar.
O representante do Ministério Público da comarca de Amambai na audiência, o promotor de justiça, Dr. Eteócles Brito Mendonça Dias Junior, apontou supostas falhas do projeto técnico apresentado pela direção das usinas, inclusive dando como exemplo, um exemplar de sapo, cujo a mesma foto apareceu no projeto das duas usinas, sendo que uma está distante da outra.
Segundo o promotor de justiça, os debates em torno da usina estão apenas no começo e muitas situações ainda terão que ser esclarecidas pela empresa, sob pena do empreendimento não sair do papel por determinação judicial, por não cumprir as exigências previstas.
Os poderes, Executivo e Legislativo, representados pelo prefeito, Sérgio Diozébio Barbosa e pelo presidente da Câmara Municipal de Amambai, vereador Roberto Dias, destacaram a importância dos empreendimentos no que diz respeito ao desenvolvimento, mas também levantaram ressalvas, que deverão ser observadas pelos empreenderes.
Se colocadas em operação, juntas as duas Pequenas Centrais Elétricas, que segundo a empresa responsável, vão gerar 50 empregos diretos e energia suficiente para abastecer uma cidade de 90 mil habitantes, o equivalente a Amambai, Naviraí, Laguna Carapã e Juti juntas.


