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quinta-feira, 19 de maio, 2022
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Alta dos combustíveis faz disparar inflação de itens relacionados a transporte

Reajustes sucessivos de praticamente tudo que envolve transporte fizeram com que a inflação do grupo batesse os 21% em 2021.

O preço dos combustíveis fez disparar a inflação dos itens relacionados a transporte. A alta de 2021 foi a maior em 27 anos.

Os números da economia que batem direto no bolso são os mais fáceis de entender.

“Além da gasolina e do transporte, aumentou alimentação e nosso salário não aumenta junto. Não tem de onde tirar, não tem folga. E você pensa: ‘Vou de transporte público’, mas você fica com medo porque a gente ainda está na pandemia”, conta a bióloga Juliana Marques.

Os reajustes sucessivos de praticamente tudo que envolve transporte fizeram com que a inflação do grupo batesse os 21% em 2021. Foi a maior variação desde o começo do Plano Real, em 1994, quando os preços subiram 872%. No ano seguinte, em 1995, o índice foi de pouco mais de 17% e, em 2019, antes da pandemia, 3,57%. Em 2021, disparou.

Alta dos combustíveis faz disparar inflação de itens relacionados a transporte
Inflação dos transportes — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A inflação dos transportes é medida com base nos preços de quase 30 itens que têm a ver com o deslocamento. Em 2021, só o transporte escolar não ficou mais caro. Afinal de contas, os estudantes passaram muitos meses assistindo às aulas de casa. Isso mostra que a alta foi generalizada. Mas ainda assim os economistas dizem que dá para apontar os maiores culpados.

“A culpa é da gasolina, ela subiu muito em reais. Você tem o aumento do petróleo em 50% no ano passado, alguma desvalorização do câmbio entre 7% e 9%, isso fez com que a gasolina ficasse mais cara para o brasileiro”, ressalta Marcelo Kfoury Muinhos, economista da FGV/EESP.

A gasolina ficou 47,5% mais cara, segundo o IBGE. A gasolina ajudou a puxar o preço do etanol: 62% de alta. O combustível subiu tanto que fez o operador de máquina Alexandre Antônio da Silva desistir do trabalho como motorista de aplicativo – e olha que o preço do serviço também aumentou bastante em 2021: 33,75%.

“Eu tinha uma meta de R$ 300 por dia, R$ 300 livre. Chegou uma época que eu não conseguia mais fazer por conta do combustível. Você saia de casa, quando voltava o combustível já estava outro valor. Então, não estava mais valendo a pena”, relembra.

E também foi ficando pesado pagar pela manutenção do carro ou até trocar por um mais novo, mesmo que não fosse zero quilômetro.

No fim de 2021, a pressão nos preços veio da demanda reprimida por viagens. O professor da FGV diz que ainda tem repasse atrasado a ser feito no transporte público.

“Ou passa para passagem ou o setor público vai ter que colocar dinheiro, o que, no fim das contas, não faz tanta diferença assim. Todo mundo vai ter que pagar por isso”, afirma o economista Marcelo Kfoury Muinhos.

Fonte: G1

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