Washington Quaquá publicou foto ao lado da família Brazão e disse acreditar na inocência dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã da ex-vereadora Marielle Franco, executada em 2018, acionou o Conselho de Ética do PT contra o vice-presidente do partido, Washington Quaquá. O petista, que é prefeito de Maricá (RJ), publicou uma foto no dia 9 de janeiro ao lado da família Brazão e disse acreditar na inocência dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, réus no STF (Supremo Tribunal Federal) como supostos mandantes do assassinato de Marielle e seu motorista, Anderson Gomes.
O ofício de Anielle foi protocolado nessa quarta-feira (15) e descreve a postura do dirigente como “antiética” e “não condizente com os princípios, direitos e deveres de um dirigente partidário do Partido dos Trabalhadores”.
Postou em sua rede social:

Recebi aqui com muita dor no coração, mas muita consideração e solidariedade, a esposa e os filhos de Domingos Brazão.
Eu quero afirmar o que já afirmei diversas vezes, porque não só conheço Domingos e Chiquinho Brazão, mas, além disso, li todo o processo e NÃO HÁ SEQUER UMA prova contra eles!
Eu podia me calar e não me expor para defender alguém que já foi condenado pela mídia. Mas não posso fazer isso!
Não sou um rato que se esconde no esgoto para fugir da luz. Eu tenho honra e não vou trocar a verdade por medo de prejuízos de imagem!
Deus, o cristianismo e o marxismo me ensinaram que só a verdade liberta, só a verdade e a realidade são critérios de validade!
E a verdade, a realidade é que usaram a família Brazão de bucha de canhão para ocultar, inclusive, o fato de que o assassino brutal esteve um dia depois no condomínio onde moram Bolsonaro e seu filho. Isso foi deixado de lado pela investigação!
Eu não vou assistir à dor desta família que vê dois entes queridos apodrecerem numa cadeia desumana, enquanto os assassinos confessos armam uma delação para reduzir a pena e viver numa boa, numa cadeia boutique.
A verdade tem que ser defendida, até mesmo em honra à memória da Marielle!
Segundo a representação, Quaquá “tenta descredibilizar de forma irresponsável e leviana” a luta por justiça das famílias das vítimas e o próprio governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao assumir o Ministério da Justiça em janeiro de 2023, Flávio Dino, hoje ministro do STF, afirmou que a resolução do caso Marielle era uma “questão de honra”. A investigação foi federalizada e concluída em março de 2024. O resultado do inquérito é contestado por Quaquá.
O prefeito foi procurado pela reportagem para comentar o ofício de Anielle, mas não havia dado um retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
Após a publicação da foto de Quaquá ao lado da família Brazão, Anielle reagiu dizendo, sem citar o nome do prefeito, que um dirigente da sigla usava o nome de sua irmã de forma “repugnante”.
O PT está rachado sobre punições cabíveis a Washington Quaquá. Uma ala da sigla defende a expulsão do dirigente, enquanto outros filiados avaliam que o afastamento do prefeito da vice-presidência da sigla seria suficiente.
Interlocutores do partido ouvidos pela reportagem relembram que o trâmite do Conselho de Ética da sigla costuma ser demorado e, de todo modo, depende de um aval da maioria da executiva nacional, que está prestes a ser renovada por meio de uma eleição interna, que ocorrerá em julho.
Fonte: R7

