20/12/2015 07h50
Promotor de Justiça aposentado
Divulgação (TP)
Quando vejo o pedreiro, erguendo uma casa; quando vejo o marceneiro trabalhar a madeira; quando vejo o professor enfrentando o seu dia a dia para formar as nossas crianças e os nossos jovens recebendo um salário miserável; quando vejo o médico que estudou muito dentro de um serviço público de saúde sem as mínimas condições de trabalho para exercer o seu sacerdócio; quando vejo o empresário que emprega, paga salários e enfrenta a alta carga tributária resignado com a situação econômica que estamos atravessando; quando vejo o policial que sai de sua casa para trabalhar e não sabe se vai voltar vivo para a alegria da sua família, e outros tantos brasileiros, que nos seus ofícios silenciosos e dignos lutam desesperadamente para terem uma vida decente fico pensando como uma parte dos nossos dirigentes políticos e empresários bem sucedidos encontram força e coragem para maquinar encontros, arquitetar planos diabólicos, ultrajarem a honra, silenciar vozes, calar a verdade e até fomentar assassinatos para direcionarem suas ações apenas para o enriquecimento ilícito à custa do patrimônio público.
Formar um patrimônio sólido com trabalho e honestidade demora algumas décadas de labor contínuo, se tudo correr bem. Nessa linha de pensamento fica difícil acreditar que pessoas jovens sobretudo, de uma hora para outra, consigam sucesso sem que algo sujo não tenha contribuído para a formação do seu patrimônio. Nem a camorra italiana conseguiu em tão curto espaço de tempo adquirir um patrimônio sólido levando dor e luto aos lares italianos.Diante desse quadro estarrecedor, fica fácil compreender porque os russos liquidaram com uma ferocidade incrível a família do Czar Nicolau II, da Casa dos Romanoff, e os franceses, ao tomarem a Bastilha levaram à guilhotina o seu rei Luis XVI e a sua mulher, Maria Antonieta.
Recentemente, durante a primavera árabe, assistimos o replay desses espetáculos registrados no século passado. Nenhum exército segura um povo enlouquecido por vingança. A história da humanidade está recheada dessas passagens. É só consultar os seus anais.
Quem não tem medo de roubar a pátria não pode temer um regime de força. Nunca esqueço uma frase proferida pela presidenta Dilma nos tempos áureos de seu primeiro governo quando afirmou que dificilmente encontraremos um político triste, aborrecido, acabrunhado. Não vamos mesmo, senhora presidenta. Com as burras cheias de dinheiro sujo fica muito difícil alguém ficar aborrecido. Esse pessoal não sabe o valor da conta de luz, da água, do telefone, do combustível, do aluguel, da mensalidade escolar, do preço dos remédios, dos planos de saúde. Não sabe o custo da cesta básica, nem do salário mínimo. Nada disso conhecem e se conhecem essas pequenas coisas que são grandes para as pessoas normais para eles, são insignificantes e nãos os afligem em nada.
Agem assim, porque não possuem a noção exata de Pátria, o que representa para todos nós, com os seus rios, seus campos de cultivo, sua enorme faixa litorânea, suas riquezas naturais, a mansidão do seu povo e a sua importância no contexto das nações. Seus olhos só conseguem enxergar os seus interesses, que não guardam nenhuma consonância com o interesse comum.
Esse tipo de gente teria a oportunidade preciosa de fomentar o desenvolvimento da nação com a oferta de emprego e salário digno para o seu povo, mas procura justamente o encontro mais amargo que a vida pública pode oferecer, o da desconfiança, da mentira, da incredulidade, do descrédito, do desrespeito à lei, enfim, da sua morte política e empresarial.


