Vamos tentar nos colocar no LUGAR DO OUTRO

Nestes tempos de Pandemia, a pergunta que vale mais que milhões de dólares é: “Você já perdeu, um parente, um familiar, um amigo ou alguém que você conhece para o novo Coronavírus?

Pergunta forte né!!!

No exato momento em que estou escrevendo esse texto (13/06/2020; às 11h), o Brasil tem 41.952 mortes por Covid, aponta consórcio de veículos de imprensa. Você consegue imaginar quantas pessoas, quantas famílias, parentes e amigos chorando os seus entes queridos?

Mas se nem esses números e a atual situação são capaz de mexer com os seus sentimentos, tente ao menos se colocar no lugar, de uma mãe de duas crianças, entre 6 e 10 anos, meninas lindas, olhos azuis, cabelos encaracolados, cheias de vida e vontade de viver, que corre para todos os lados o dia inteiro, te chamando para isso, ou aquilo, veja isso, veja aquilo, coisa que completa o seu dia e sua vida. Pense nessa mãe, que ainda é jovem, mas que mesmo sendo jovem, tem que trabalhar todos os dias e seu trabalho não é um trabalho qualquer, é enfermeira, trabalha em um hospital, local  este que conta com algumas dezenas de pessoas internadas, todas em tratamento contra o Coronavírus.

Essa mãe, enfermeira, está a mais de 30 dias sem ver as suas filhas, não podendo ter contato com a família, porque esses são os protocolos a serem seguidos. Isso não é brincadeira e nos deixa triste, pois o lema do  governo que eu acreditei e votei é:  ‘a família acima de tudo’.

´Todo mundo vai morrer um dia, quando chega a hora não tem jeito’, disse meu presidente Bolsonaro, aquele que votei, trabalhei, briguei e fiz inimizades por acreditar em sua fala, seus planos, seus ideais, cujo objetivo, no meu ver, era o de chegar ao poder com o lema de honestidade, família, País e Deus acima de tudo. Porem, mais uma vez vejo que ao chegar no poder é como todos e o lema muda para: eu, minha família e meus filhos, acima de tudo. Não, não afirmo em momento algum que o Presidente do Brasil seria o responsável pelas mortes. Só queria que fosse mais solidário, mais afetuoso. Mais preocupado com as mortes, como o sofrimento.

Vejo a mídia sendo chamada de “sensacionalista”, por apenas divulgar os números exorbitantes de mortes no meu amado País. Brasileiros que morrem isolados, sozinhos, sem direito a um enterro, a uma despedida.  Àquele que se apesar de tudo ainda não acredita no que a ‘mídia’ sensacionalista mostra  no mundo inteiro, vou te fazer uma simples proposta, e espero que você aceite.

Pense nos filhos que não podem chegar perto ou até mesmo abraçar os seus pais e até os avôs que estão ali, com uma grande experiência de vida, a espera de carinho e amor em forma de abraços e afagos.

Para finalizar, fiz esse texto em forma de desabafo, pois essa semana perdemos um amigo. Não era aquele amigo  de nos ver todo dia, mas quando nos falávamos, a conversa era sempre agradável, falávamos do cotidiano, do dia a dia, do serviço e da vida.

Em nosso último encontro, ele me contou que naquela semana tinha dado entrada nos documentos solicitando a sua aposentadoria . Estava feliz pelos serviços prestados a comunidade, sendo um policial civil, que sempre procurou fazer um bom serviço e  com certeza, o número de amigos e de pessoas que oraram pela sua recuperação foi grande, mas infelizmente não foi essa a vontade do Criador e a hora do Adeus chegou.

É triste, muito triste, choraram familiares, companheiros de trabalho, amigos e conhecidos, porque depois de tanto isolamento, uso de álcool em gel, máscaras e água e sabão, a partida do amigo Valdir deixou muitas pessoas tristes e com a sensação de vazio e de perda.

Quero aqui deixar o meu carinho e o meu respeito a todos os familiares e amigos do policial Civil Valdir. Eu senti a sua partida dessa forma tão trágica e da maneira como ocorreu.

Mas, tem sempre o mas, muitos ainda não acreditam no poder trágico desse vírus e as suas consequências. Saem nas ruas sem máscaras, se aglomeram em bares, lanchonetes, restaurantes, filas de bancos, lotéricas, shopping e tantos outros lugares que você nem imagina.

Quanto a mim, só tenho a pedir a Deus, que continue protegendo a todos, sempre procurando amenizar todas as dores. Peço a Deus mais empatia nos corações dos seres humanos. Vamos tentar nos colocar no LUGAR DO OUTRO.

Que Deus nos abençoe, abençoe nosso Estado, nossa cidade e nosso Presidente Bolsonaro no comando desse País maravilhoso que é o Brasil.

Sebastião Neris Prado – Radialista e Jornalista, trabalha a 15 anos na Radio Cerro Cora FM 91.5 de Pedro Juan Caballero, é diretor do site Pontaporainforma, trabalhou na assessoria de imprensa da Prefeitura de Amambai e Câmara de Vereadores de Ponta Porã, foi vereador em Amambai no período 1997 a 2000

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