Em 2020 a Educação precisou adaptar-se a uma nova realidade: o Ensino à distância! Alguns chamam de aulas remotas, outros on-line, outros de aprendizagem virtual, em fim, a verdade é             que se não fosse o uso das tecnologias nossos alunos ficariam ainda mais desemparados em tempos de Pandemia.

Não é de hoje que as aulas à distância vêm tomando força em nosso país. No ano de 1920 algumas rádios brasileiras transmitiam conhecimentos e trouxeram um descomunal importante para o ensino a distância. A TV Cultura e TV Escola em meados dos anos 60 e 70 apresentavam programações voltadas com finalidades educativas.

Quem lembra do Telecurso 2000? Ele foi um percursor, oferecendo cursos para quem não tinha oportunidade de estudar, tendo assim uma oportunidade no mercado de trabalho.

Segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) as faculdades à distância já ultrapassaram o número de vagas da modalidade presencial. Isso porque o EAD (Ensino a Distância) apresenta algumas vantagens, tais como: menor custo nas mensalidades, maior flexibilidade para estudar, o diploma tem o mesmo peso que o do presencial, sem falar que o estudante economiza em transporte, tempo de deslocamento, alimentação na faculdade.

Educação Híbrida é Ensino à Distância?

Sim e não. É muito além. Vou explicar! Na verdade essa Educação é mesclada com ensino presencial e on-line. Híbrido tem vários significados, mas para o ensino tem a intenção de dizer que é algo misturado, mesclado podendo ser chamado também de Blended Learning.

Os educandos no ensino híbrido presencial são estimulados a trabalhar em equipe. As salas de aulas são ambiente de troca sociais, promovendo colaboração, pensamento criativo, argumentação sistemática, dentre outras várias habilidades necessárias para a sua formação.

Híbrido também é flexibilidade, quando se planeja algo para todos, mas que permite caminhos personalizados para atender às necessidades de cada aluno. Implica misturar e integrar áreas profissionais e alunos diferentes, em espaços e tempos distintos. Não se aplica apenas a fusão de presencial e on-line. Ele oferece inúmeras oportunidades.

 Existem diferentes metodologias, os  laboratórios rotacionais são uma delas. Os alunos neste modelo são divididos em dois grupos, uns trabalham no laboratório com apoio da tecnologia digital enquanto outros trabalham em sala de aula com o professor. A rotação por estação acontece no ensino híbrido que é quando se organiza a sala por grupos (estações de aprendizagem) o professor atua como mediador auxiliando os grupos e favorece a autonomia.

Algumas instituições apresentam modelos inovadores, mais integrados onde não tem disciplinas separadas. Organizam o projeto a partir de competências, valores, equilibrando assim uma aprendizagem individual com a cooperativa.

 Os modelos pedagógicos são diferenciados, as atividades, jogos, desafios são propostos respeitando o ritmo e a necessidade de cada aluno. Eles tem a supervisão de professores e orientadores, mas também aprendem com os colegas e projetos. Os projetos visam estimular a busca de um sentido, com uma motivação profunda e socialmente proficiente. Estuda-se o que tem significado de acordo com a realidade dos envolvidos na aula presencial e também com materiais no virtual.

Quando os estudantes desenvolvem atividades criativas que sejam relevantes para eles com certeza acabam participando mais e por consequência tendo uma aprendizagem significativa.

A escola tem uma visão mais integradora capacitando os alunos, dando sentido às coisas, contextualizando, permitindo uma aprendizagem integradora.

Segundo Carl Rogers (que foi um psicólogo americano, que apontava a importância da relação da pessoa e do terapeuta, sendo iguais e que não possuíam posição de hierarquia), nos diz:

Temos baseado a educação mais no controle do que no afeto, mais no autoritarismo do que na colaboração. Nossas escolas, nosso governo, nossos negócios estão permeados da visão de que nem o indivíduo nem o grupo são dignos de confiança. Deve existir poder sobre eles, poder para controlar. O sistema hierárquico é inerente a toda a nossa cultura. (ROGERS, 1992, p. 66).

Infelizmente temos que concordar com ele. Hoje em dia pouco se evoluiu referente ao ensino. Em muitas escolas as crianças e jovens continuam sentando um atrás do outro e o professor é o centro do saber. No Ensino híbrido é diferente o professor não é transmissor do conhecimento e sim o mediador.

Um exemplo da diferença do ensino tradicional é que a  escola pode enviar um material previamente (vídeo ou outro recurso que explique o tema que será abordado em aula) quando os estudantes vão para o encontro com o professor já possuem amplas informações facilitando assim a assimilação do conteúdo no presencial. Esse método é chamado de sala de aula invertida.

O Ensino híbrido combina aprendizado misto, respeitando o  ritmo individual do aluno. Combina-se diferentes técnicas de instruções presenciais com construções on-line propondo criação de ambientes personalizados de ensino e aprendizagem.

Os vídeos  disponíveis no ambiente virtual contribuem significadamente com o aprendizado, isso porque o aluno tem o controle do ritmo de aprendizagem. Eles possuem acesso a laboratórios virtuais, animações, simulações, games, podcast, explicações dos conteúdos com diferentes recursos, favorecendo ainda mais a assimilação, respeitando as modalidades de aprendizagem de cada indivíduo.

No E-book que escrevi juntamente com meu marido e pedagogo Maximiliano Sousa, (Reflexões Sobre Atividades Lúdicas em Tempos de Pandemia) apresentamos um quadro mostrando que cada pessoa pode ter uma predominância diferente para aprender. (Rauzer e Sousa, 2020 p. 27) Segue ele:

Estilo visualEstilo AuditivoEstilo Cinestésico
A pessoa possui habilidade de interpretar, diferenciar e conhecer os estímulos que recebe visualmente. Ela visualiza as imagens e consegue estabelecer relações entre conceitos e ideias. Lembra melhor quando faz anotações.Pela palavra falada, ruídos e sons a pessoa consegue conhecer e interpretar. Organiza suas ideias, abstrações e conceitos. A pessoa retém informações quando escuta e fala sobre o assunto.Pelo movimento corporal a pessoa que possui esta habilidade consegue interpretar e conhecer. Quando por exemplo, o professor explica sobre planaltos, planícies o cinestésico aprende melhor construindo uma maquete.

Alunos diferentes demandam estilos de aprendizagens diferentes e no ensino híbrido o aluno pode acessar os conteúdos de casa, sem pressão de acompanhar o ritmo da turma ou do professor. Podendo rever os conteúdos quantas vezes forem necessários. Ele anota dúvidas que poderão ser sanadas na aula presencial. E conforme as dificuldades apresentadas o professor avalia as necessidades e ajusta o material conforme os temas que eles precisam melhorar. Com o uso da tecnologia o professor consegue visualizar, coletar dados e acompanhar sobre a aprendizagem dos alunos e de uma forma mais precisa auxilia individualmente cada adversidade que possa surgir.

Portanto, “O ensino híbrido pode ser uma oportunidade de discutir a redução da presencialidade, dando visibilidade ao chão da escola, ao currículo como um espaço-tempo de criação didática e de conteúdo de maneira permanente”. Conforme nos informa a Doutora em Educação  Maria Luiza Süssekind V. Cinell.

 

Deus abençoe e até a próxima semana,

Juliana Rauzer da S. Sousa

Pedagoga/Psicopedagoga/Especialista em Educação Especial

Página no Facebook: Psicopedagoga Juliana Rauzer

 

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