Eu não sabia o que era. Escutava falar na minha adolescência. Quando fui para a faculdade de Pedagogia eu descobri essa linda profissão.

Por Juliana Rauzer

Na verdade eu resolvi ser Psicopedagoga, pois no meu estágio do sexto semestre tive que lecionar para uma turma de primeiro ano. Lá na Escola, conhecendo a turminha a professora titular me falou:

– Esses dois aqui (apontando para dois meninos) você só  entrega desenho para eles pintarem. Eles não conhecem as letras e os números. Pode deixar eles no fundo da sala! Pois não aprendem nada!

Sim leitores, eu ouvi isso de uma professora! Na hora uma mistura de sentimentos invadiu meu coração: raiva, tristeza, frustação e até mesmo a vontade de desistir de ser Educadora. Como eu iria ser colega de pessoas assim? Como me relacionar com gente que excluí ao invés de fazer totalmente o contrário? Fiquei chateada por demais.

No outro dia tive encontro com minha professora orientadora e até explanei para ela que estava descontente com a Educação. Que talvez fosse melhor eu trancar a faculdade. Fazer outra coisa. Mas desde pequena eu brincava de ser professora. As pessoas me dizem que esse era o meu dom. Sou apaixonada pela arte de ensinar e aprender. A professora tinha razão eu não podia desistir de um sonho porque eu encontrei um obstáculo. O problema estava ali na minha frente. O que eu iria fazer com ele é o que poderia mudar tudo. E foi o que eu fiz. Coloquei os dois meninos na frente. Trouxe o lúdico, recursos concretos, jogos e brincadeiras para ensinar a matemática e letramento. Eu estava sendo Psicopedagoga e nem sabia.

Depois na própria graduação tive a disciplina de Psicopedagogia e ali me encantei. Era o que eu realmente queria fazer: Trabalhar com quem possuía alguma dificuldade. Ser um instrumento onde pudesse fazer parte da sua caminhada e observar seu crescimento contribuindo para a sua evolução.

Ser psicopedagoga para mim é a realização de um sonho. Trabalho com vidas! Salvo vidas! Digo isso, pois muitas vezes a criança chega no atendimento tão desmotivada, frustrada, desinteressada pela aprendizagem (muitas vezes foi julgada, inferiorizada, cobrada por algo que ela ainda não era capaz ou até mesmo por apresentar dificuldades) e não quer mais se esforçar.

Eu chego com a varinha mágica e transformo tudo! Quem dera se fosse assim. Inclusive eu falo para os pais, que não tenho varinha de condão, mas tenho muita vontade de contribuir, mas preciso deles nesse processo. É trabalho em equipe: escola, família e terapeutas!

Com o tempo vou conquistando, pois é necessário um período para estabelecer o vínculo e a confiança. Na psicopedagogia motivamos, incluímos fazendo com que o aprendente tenha interesse e vontade de aprender. Muitos resultados são satisfatórios e quando uma criança supera uma dificuldade e avança é uma sensação inexplicável. É maravilhoso acompanhar seu desenvolvimento e conquistas. Nos sentimos úteis e o desejo de servir aumenta mais e mais. Cada caso que chega, por mais desafiador que possa parecer lhe encoraja a estudar mais, se dedicar, pesquisar, pois, ver o brilho nos olhos da família e o sorriso de alegria do aprendente é indescritível. É um trabalho de formiguinha, mas se existe dedicação de todos os envolvidos atingimos um resultado final satisfatório.

Mas afinal o que é a Psicopedagogia?

O Psicopedagogo estuda sobre o processo de aprendizagem humana. O nosso principal objetivo é melhorar o processamento de aprendizagem e aprimorar o desempenho de crianças, jovens e adultos. Nós somos capacitados para atuar tanto na prevenção quanto no tratamento de problemas de aprendizagem.

Nela unimos conhecimentos da Pedagogia e Psicologia. Além de outras áreas como nos informa A Neurocientista Nádia Bossa (2000):

Fala-nos que a Psicopedagogia tem como objeto de estudo da aprendizagem humana, o como se dá o aprender, suas variações e os fatores implicados, como ocorrem as alterações na aprendizagem e como preveni-las, ou tratá-las. Para tanto, a Psicopedagogia recorre a diferentes áreas como Filosofia, Neurologia, Sociologia, Linguística, e Psicanálise, a fim de melhor compreender seu objeto de estudo e nortear sua prática. A Psicopedagogia é uma área de estudos e de aplicação específica, uma vez que busca conhecimentos em outros campos, mas cria seu próprio objeto de estudo e delimita seu campo de atuação”.

Não somos psicólogos nem médicos, por tanto não damos diagnósticos nem laudos. Entregamos após uma Avaliação da Aprendizagem um documento que chamamos de Informe Psicopedagógico com os resultados das áreas avaliadas. Ele serve de parâmetro para outros profissionais analisarem o desenvolvimento do sujeito. Neuropediatras, psicólogos, professores, psiquiatras normalmente fazem o encaminhamento para os psicopedagogos.

 Através de sessões realizamos a avaliação. Quando entregamos o Informe e evidenciamos dificuldades no aprender sugerimos para a família o nosso serviço que é o acompanhamento psicopedagógico clínico onde vamos traçar metas, intervenções e estratégias para auxiliar no desenvolvimento da criança ou adolescente. Utilizamos metodologias diferenciadas, sendo o jogo um grande aliado, pois ele favorece o desenvolvimento cognitivo, físico, afetivo, social, emocional, psicomotor e moral. No E-book REFLEXÕES SOBRE ATIVIDADES LÚDICAS EM TEMPOS DE PANDEMIA, que escrevi juntamente com meu marido e Pedagogo Maximiliano Sousa citamos:

“Por meio das brincadeiras a criança articula conhecimentos relativos ao tempo, espaço, objetos, corpo e também expressa seus sentimentos e o que vivencia. Ao brincar ela exprime seus medos, angústias, desejos e problemas que esteja enfrentado.” (Rauzer e Sousa, 2020 p. 14).

A psicopedagogia pode atuar em escolas, hospitais, empresas, consultórios. Dependendo da necessidade de cada Instituição, pois temos a capacidade de analisar e identificar as necessidades fazendo assim um assessoramento e intervenção nas dificuldades observadas.

Nos hospitais trabalhamos multidisciplinarmente implementando por exemplo, uma visão humanizadora na relação com os pacientes e familiares. Nas empresas podemos contribuir no desempenho dos funcionários, também identificamos problemas e sugerimos soluções. Na escola atuamos de um modo preventivo auxiliando família e professores na elaboração de atividades mais lúdicas e adaptadas permitindo assim a interação e o desenvolvimento do sujeito em questão.  Além de trabalhar em conjunto com todos os colaboradores. O psicopedagogo está comprometido com qualquer modalidade de aprendizagem e de ensino!

Quando identificar dificuldades na leitura, escrita, raciocínio lógico, dificuldades na atenção, interação, atrasos, desmotivação, fracasso escolar (entre outros) procure um Psicopedagogo!

Espero ter contribuindo. Mas qualquer dúvida podemos conversar através da minha página no facebook: Psicopedagoga Juliana Rauzer.

Convido vocês a se inscreverem no meu canal, que está disponível no YouTube: Pais & Pedagogos. Pretendemos dar dicas, trocar experiências, contribuir para o desenvolvimento infanto-juvenil.

Segue o link: https://www.youtube.com/channel/UCWA78EQ1wUfzYhDhVEegWZA

Até a próxima semana! Fiquem com Deus.

Juliana Rauzer

Pedagoga/Psicopedagoga/ Especialista em Educação Especial

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