Por Juliana Rauzer

Uma certeza que podemos ter na vida é que um dia teremos um fim. É o ciclo: nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Mas como dizer isso para as crianças?

Artigo: Explicando a morte para as crianças

Por Juliana Rauzer

Quem me conhece sabe o quanto eu defendo o lúdico para explicar qualquer situação e independente da circunstância falar a verdade é sempre a melhor forma de lidar com qualquer adversidade.

As crianças são curiosas e sentem o luto como nós. A saudade, a tristeza acomete quando um ente amado falece, a diferença é que elas não sabem expressar e nomear seus sentimentos.

É difícil para você, porém pode se tornar ainda mais complicado caso não explique o que é a morte. Dizer que depois de bem velhinho as pessoas morrem é o natural. Mas que a morte pode acontecer inclusive com crianças, jovens e adultos também é verídico. Existem doenças que as levam antes de chegar ao fim do ciclo, assim como acidentes. Mas para que as crianças não fiquem com medo de morrer quando doentes pode-se explicar que não é qualquer doença, apenas as mais graves.

Um fato importante é não dizer que a pessoa foi viajar, assim ela pode ter a sensação de abandono, pois o familiar não voltará mais, pode pensar que o “viajar” é algo negativo e se ouvir alguém informando um deslocamento terá medo da pessoa também não retornar.

Fale a verdade. Isso é unânime entre os especialistas. “As crianças são só crianças, não bobas”, afirma Maria Helena Franco, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre o Luto da PUC-SP.

Quando elas convivem com plantinhas, bichinhos e eles morrem faz com que tenham contato com a situação de perda. Esse assunto não é fácil, mas inevitável, pois elas irão questionar e perceber você triste. Sei que a vontade é privá-la de qualquer sofrimento, porém independente da idade o assunto precisa ser explicado.

 À medida que a criança vai se desenvolvendo compreenderá melhor o significado da morte. A partir do seis anos a criança começa a compreender que o falecimento é irreversível, antes disso ela acredita que a pessoa pode voltar, pois ainda está na fase em que não difere fantasia da realidade. Em nossas vidas convivemos com despedidas, quanto mais ela for capaz de compreender isso, menos dolorido será o luto. A tristeza natural do pesar ajudará a passar pela fase da aceitação da perda o que ajudará a lidar melhor com aquele sentimento.

Ao levá-la ao funeral é importante informar o que acontecerá (pessoas tristes, o corpo em um lugar onde possam dizer adeus). Diga que o ente amado estará dentro de uma caixa, mas não vai conseguir falar e se mexer porque os órgãos que o mantem vivo não estarão mais funcionando. Para algumas famílias é importante ter esse momento de despedida e a criança compreende melhor que chegou o fim para esta pessoa. Outras preferem que não tenham esse contato (depende exclusivamente de cada família). Se optar por não levá-la é importante deixar claro o que é o falecimento para que ela não se iluda com o retorno da pessoa querida.

Existem filmes, histórias infantis que abordam essa temática e são muito bem vindos como apoio lúdico para nos auxiliar a explicar para elas que a morte é dura, difícil, terrível, mas natural.

Michaelene Mundy, é escritora da coleção terapia infantil onde apresenta livros com ilustrações e conselhos para famílias, professores, crianças ajudando a compreender esse delicado tema.

Depois de ler o livro todos poderão mais sentir-se mais seguros para lidar com uma eventual perda. O título da obra é: O que acontece quando alguém morre? Um guia para as crianças lidarem com a morte e os funerais. Ela também é autora do livro: Quando mamãe ou papai morrem. Um livro para consolar as crianças. Dentre vários outros auxiliando através da literatura a compreensão de vários sentimentos.

Também tenho como sugestão os seguintes livros que trabalham a morte de uma forma lúdica para o mundo infantil: “O pato, a morte e a tulipa” do autor Wolf Erlbruch, “Íris uma despedida” da escritora alemã Gudrun Mebs, “O urso e o gato-montês” escrito pelos japoneses Yomoto e Sakai.

No Youtube encontramos videos e entrevistas que podem auxiliar no enfrentamento dessa realidade. Destaco aqui Rosely Sayão e Luiz Hanns que são autores e psicólogos renomados no Brasil.

Existem filmes infantis que também podem auxiliar como o clássico da Disney “Rei Leão”, “Lilo & Stich”, “A casa monstro”, “Divertidamente”, “O vale encantado dos dinossauros”, “Frankenweenie”, “A casa dos pequenos cubos”, “O túmulo dos vaga-lumes”, “Up, Altas aventuras” dentre outros que podem ser encontrados na internet e nos canais por assinatura.

Importante lembrar: “Se os pais escondem da criança que um cachorro ou peixe do aquário morreu, dizendo que ele fugiu ou sumiu, e depois ela vê o bicho morto, ou mesmo ouve uma conversa sem querer, ocorre à quebra da confiança que ela tem em seus próprios pais”, explica Rita Calegari, psicóloga do hospital São Camilo (SP). Nossas crianças sentem o clima na casa, percebem nossas atitudes e esconder delas não será benéfico em nenhuma circunstância.  

No e-book que escrevi juntamente com meu marido Maximiliano Sousa (Reflexões sobre atividades Lúdicas em Tempos de Pandemia) faço a seguinte citação:

É cientificamente comprovado que se nos abraçarmos por trinta segundos produziremos o tão famoso hormônio do amor (Ocitocina) e por consequência diminuiremos o hormônio do estresse (cortisol). Segundo os especialistas, a Ocitocina reduz a ansiedade, pressão arterial, estresse e aumenta a endorfina que fortalece o sistema imunológico do nosso corpo. Estão convencidos da importância do abraço? Mas só funciona com pessoas que temos laços emocionais, então nada de sair abraçando estranhos em busca de Ocitocina ok?  (RAUZER e SOUSA, 2020 p. 24)

É uma sugestão para vocês confortarem suas crianças, pois nem sempre teremos palavras para afagá-las.  Pense que na hora de contar você precisa estar calmo. Fale de uma maneira que a criança compreenda. “Temos o hábito de antecipar a angústia da criança pela nossa própria e por vezes damos informações além das que ela precisa e pediu. Dê tempo para ela compreender tudo” nos diz Júlio Peres, psicólogo e autor do livro Trauma e Separação (Ed. Roca).

Tudo deve ser explicado conforme as nossas crenças. Caso as perguntas venham sem você conseguir dar uma resposta apenas fale que vai pensar e não tem uma resposta no momento.

Mostre suas emoções não tenha medo ou receio de chorar na frente dos pequenos, isso mostra que quem está vivo tem sentimentos e ele pode expressar suas emoções também. Segundo a jornalista em comportamento Cíntia Marcucci:

Nas primeiras semanas, a criança também viverá o luto. Ela pode ficar um pouco mais agressiva, dispersa, com dificuldades para dormir e, no caso dos mais novos, regredir em algo que já havia aprendido, como voltar a fazer xixi na cama. É tudo normal. Não dê bronca nem se preocupe. Em geral, passa logo e você só deve agir se o comportamento ficar muito intenso ou não passar em mais de dois meses.

Despeço-me relembrando da importância de usar a sinceridade, ludicidade e muito amor na hora de conversar com os pequenos sobre esse assunto. Assim com certeza estará contribuindo de forma positiva no seu desenvolvimento. Sugiro também que com o passar do tempo vocês possam juntos realizar a caridade, seja doando roupas, brinquedos, calçados, alimentos em nome do ente querido, informando para sua criança que este gesto é uma maneira de deixá-lo sempre vivo na lembrança de vocês. Pois fazer o bem nos torna pessoas melhores e nos faz tão feliz quanto doar.

Nota: O e-book Reflexões sobre Atividades Lúdicas em Tempos de Pandemia está disponível em várias lojas virtuais, dentre elas: Amazon, Simplíssimo, GoogleApp. Baixe e estimule os cinco sentidos das crianças de uma forma diferente.

Deus abençoe e até a próxima semana,

Juliana Rauzer da S. Sousa

Pedagoga/Psicopedagoga/Especialista em Educação Especial

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