Desde que chegou na Netflix a série coreana tem dado o que falar. Escolas tem emitido alertas para os pais preocupados com a faixa etária que tem assistido ao seriado.                                                             

Trata-se de um cidadão que participa de um jogo (que sem saber) acaba perdendo os colegas de uma forma brutal. O drama é envolvente, colorido e chama atenção dos menores, pois apresenta brincadeiras infantis como desafios. E é disso que quero falar. Nossas crianças e adolescentes das gerações Z e Alpha vivem no mundo cibernético. Diferentemente das gerações X e Y que brincavam na rua até o entardecer. Essa série, de certa forma, estimulou o brincar! É verdade! Mesmo não sendo indicada para crianças tenho visto nos parques, professores de educação física, famílias brincando de batatinha frita 1 2 3, cabo de guerra, bolinhas de gude, entre outras apresentadas na obra.  

Estamos em tempos de pandemia e talvez por isso muitas famílias refletiram o quão é importante aproveitar o ar livre, brincar na rua e interagir mais com seus filhos. Bem ou mau a série “veio a calhar”, ou seja, deu um “Start” e disse: Hein, vamos brincar também? Claro, de uma maneira saudável! Não é porque no jogo as pessoas morrem que vamos sair nos matando. A morte lá é o perder aqui. Tão importante de ser trabalhado com nossos pequenos. A frustração é importante.  Segundo o Inpa (Instituto de Psicologia Aplicada) “A frustração vem com o intuito de nos mostrar que não somos donos do mundo, que tudo tem limite. Tal sentimento é importante para a construção psicológica do ser humano, nos tornando mais flexíveis, adaptáveis e empáticos”. Criança que não sabe perder possivelmente será um adulto mais egoísta, com pouca empatia, que dificilmente aceitará cumprir regras. Percebe o quanto é importante brincar e perder?

Não faço apologia à série tão pouco indico que as crianças assistam, e acho corretíssimo o alerta das escolas, mas considero importante a mensagem do “vamos sair um pouco do computador e desfrutar a vida de outras maneiras?”. Pasmem, existem crianças que não conhecem bolita (bolinha de gude) tão pouco sabem jogar. E o jogo da lula? Mesmo sendo sul coreano tem famílias brasileiras tentando brincar. E isso é o legal, parece que estimulou os adultos a convidarem suas crianças para brincar na rua.

O YouTube está repleto de vídeos onde essas brincadeiras estão sendo resgatadas e incentivadas. Isso é o positivo, mesmo que por trás tenha inúmeras mensagens negativas. Fomos criados ouvindo Mamonas Assassinas. Era envolvente, contagiante e muito inocente aos ouvidos infantis até nos tornarmos adultos e percebemos o quanto de malícia tinha implícito ali. Dona Florinda batia no rosto do seu Madruga que por consequência beliscava o Kiko e batia na testa do Chaves. Quanta violência presenciamos, não?

Só quero dizer que não é de hoje que a ferocidade é oferecida aos menores por meio televisivo. Vai de cada família classificar o que a criança pode ou não assistir e também cabe à família supervisionar o que ela tem visto na TV e internet, principalmente conscientizando sobre as causas e efeitos de tudo que vemos e fazemos.

A orientação, a presença ativa na vida das crianças e jovens faz grande diferença no tipo de adulto que ele vai se tornar e principalmente como ele vai lidar com os problemas e frustrações.

Seja amigo, observe, oriente, converse e principalmente brinquem muito! No E-book Reflexões Sobre Atividades Lúdicas em Tempos de Pandemia falamos da importância do brincar e sugerimos atividades sensoriais para cada faixa etária. Então, não tem desculpas para deixar as crianças só em frente a telas. Vamos brincar, mas de maneira saudável, ok?

Psicopedagoga Juliana Rauzer

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