A palavra Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), vem sendo intensamente pronunciada em nossa sociedade apresentando-se como um transtorno, porém nem sempre famílias e pessoas que não são da área da Educação e Saúde compreendem suas características no comportamento humano. Com a intenção de esclarecer, apresento um resumo sobre o assunto.

Por Juliana Rauzer

O TDAH, segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção é um transtorno neurobiológico e de causas genéticas. O TDAH quando não tratado pode abrir portas para evasão escolar, abuso de drogas lícitas e ilícitas, além do Transtorno Opositor Desafiador (TOD) que é um transtorno onde a criança/Adolescente possui muitas dificuldades de cumprir regras.

 Ele é caracterizado por dois tipos de sintomas: a desatenção e hiperatividade/impulsividade. No site ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção) temos a seguinte informação: “O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como “avoadas”, “vivendo no mundo da lua” e geralmente “estabanadas” e com “bicho carpinteiro” ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos”

No meu dia-a-dia como Psicopedagoga, vejo que muitos pais e até mesmo professores têm dúvidas quando o assunto é Déficit de Atenção e Hiperatividade. Ouço quase diariamente as perguntas: Será que não é falta de limite?  Será que não é preguiça? Como se pode ajudar uma criança com desatenção? Ele não para porque tem muita energia!

É extremamente equivocado comparar um aspecto comportamental com déficit de atenção. É importante ficar esclarecido que para diagnosticar um Transtorno é necessário uma avaliação com uma equipe multidisciplinar, composta por terapeutas (psicopedagogos, fonoaudiólogos, psicólogos…) e médicos (neurologistas, psiquiatras… que dão o laudo). Isso porque ainda não existem exames laboratoriais que comprovem o TDAH.

Existem estudos que informam que a parte do cérebro que é responsável pela atenção é o Córtex pré-frontal, ele possui de 1 a 4 milímetros de espessura e estes estudos mostraram que quanto menos espesso é o Córtex mais grave é o TDAH. As pesquisas também apontam que existe uma alteração química causada pela falta de dois neurotransmissores: a Dopamina e a Noradrenalina o resultado dessas combinações são pessoas com mais dificuldades de prender a atenção durante um mesmo assunto por muito tempo e também são mais inquietas do que o normal, no caso hiperativas. O que os responsáveis e professores devem avaliar quando suspeitam de um Transtorno de Déficit de Atenção é a frequência dos desvios e agitação.

Segundo o Psiquiatra Paulo de Mattos que é um estudioso da área “o portador de TDA ou TDAH consegue se concentrar em atividades estimulantes e prazerosas, o que o diferencia de uma pessoa não portadora é sua desatenção nas atividades que não são do interesse dele”.

Em uma entrevista Mattos informa que:

 “Os sintomas da hiperatividade tende a melhorar com o passar do tempo. A criança que não conseguia parar por muito tempo, é um adulto que ao sentar se remexe muito na cadeira, levanta várias vezes para ir ao banheiro, beber água, etc. Porém a criança que era desatenta permanece igual ou pode piorar, porque à medida que você vai crescendo vai fazer mais coisas que exijam sua atenção, os textos são maiores, tem mais detalhes, e os assuntos se tornam mais complexos, então sua atenção vai ser muito mais exigida do que antes”.

Em nosso E-book Reflexões Sobre Atividades Lúdicas em Tempos de Pandemia, citamos:

“Muitos pais julgam seus filhos, dizendo que são preguiçosos, desatentos, desinteressados, mas já pararam para pensar o que eles têm feito para estimular o seu desenvolvimento? Por trás de uma criança com dificuldades pode ter uma família sem as verdadeiras informações e noções corretas sobre como auxiliá-la”. (RAUZER E SOUSA, 2020, p.45)

Por este motivo é importantíssimo estimularmos a atenção desde pequenos. Os jogos são sempre bons aliados. Xadrez, damas, quebra-cabeça, montar blocos, e os de tabuleiro são algumas opções.

A leitura também é uma atividade importante, mas deve ser realizada de um jeitinho diferente para quem possui TDAH. Os temas precisam ser interessantes, as letras necessitam ser maiores, as frases curtas e muitas imagens auxiliam na apreciação e no entendimento prazeroso por essa atividade.

Muitas crianças com TDAH são impulsivas. As brincadeiras de morto vivo e estátua auxiliam no desenvolvimento da consciência corporal estimulando o controle do impulso e concentração, portanto o brincar também é fundamental.

O esporte é excelente, faz com que eles gastem energia acumulada e também estimula a capacidade de lidar com a frustação e perda que são importantes para o desenvolvimento infantil, mas para as pessoas com TDAH são imprescindíveis. Recordo uma frase que o atleta Michel Phelps (portador de TDAH e recordista de medalhas olímpicas) que disse: “A natação salvou a minha vida!” Isso porque ele teve uma infância de desprezo, rejeição e bullying. Na escola não conseguia atingir boas notas e era rotulado negativamente pelos professores. Suas orelhas de abano eram motivo de piadas o que também gerou uma depressão. Mas o tratamento (medicação e psicoterapia) aliado ao esporte e apoio da família fizeram com que Phelps transformasse sua história em sucesso!

Não podemos permitir que as crianças façam mais de uma coisa ao mesmo tempo, isso porque ela vai dar atenção somente a uma. Se for comer que não seja assistindo televisão, pois não estará prestando atenção no aroma, nas formas, texturas, quantidades que o alimento possui. E isso é matemática, é sensorial. Saber colocar a comida na colher é medida, é coordenação e ela precisa estar inteiramente atenta nisso.

A rotina precisa estar organizada e nela você pode oferecer uma tabela com horários e atividades orientando por escrito seu dia a dia.

Os adultos com TDAH normalmente apresentam impulsividade, esquecimento, desatenção, ansiedade e depressão. Conhecer o TDAH é importante para aprender a lidar com ele.

Alguns sintomas podem ser considerados segundo a Psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva:

Dificuldades em organizar as tarefas diárias;

Irritação com tarefas repetitivas ou monótonas;

Comportamento impulsivo. Falar e agir sem medir consequências;

Alterações rápidas de humor;

Falhas de memória;

Numa conversa, começa a falar antes do fim de uma pergunta ou de uma resposta;

Desvia facilmente sua atenção do que está fazendo, quando recebe um pequeno estímulo. Um assobio do vizinho é suficiente para interromper uma leitura;

Requentemente apresenta “brancos” durante uma conversa. A pessoa está explicando um assunto e, no meio da fala, esquece o que iria dizer;

Costuma cometer erros de fala, leitura ou escrita. Esquece uma palavra no meio de uma frase ou tem dificuldade em pronunciar palavras muito longas;

Está sempre mexendo com os pés ou as mãos. São os indivíduos que têm os pés “nervosos”, girando suas cadeiras de trabalho, ou que estão sempre com suas mãos ocupadas, pegando objetos, desenhando em papéis ou ainda ajeitando suas roupas ou seus cabelos;

Costuma fazer várias coisas ao mesmo tempo. É a pessoa que lê e vê TV ou ouve música simultaneamente;

Baixa tolerância à frustração. Quando quer algo não consegue esperar, lança-se impulsivamente numa tarefa. Mas como tudo na vida requer tempo, tende a se frustrar e desanimar facilmente; Dentre outros sintomas citados pela autora.

Para mais informações indico dois livros de profissionais renomados no Brasil que são médicos e portadores de TDAH que explicam sobre esse transtorno e como lidar com eles.

No Mundo da Lua do Dr. Paulo de Matos e Mentes inquietas TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva.

O E-book REFLEXÕES SOBRE ATIVIDADES LÚDICAS EM TEMPOS DE PANDEMIA também contribui no desenvolvimento infantil com dicas de atividades, reflexão sobre Educação emocional, cognitiva, sensorial e pedagógica. Está disponível no site da Simplíssimo, Amazon, GoogleApp entre outros.

Agradeço a atenção e até a próxima semana.

Juliana Rauzer da S. Sousa

Pedagoga, Psicopedagoga e Especialista em Educação Especial.

Comentários