Em entrevistas nos Estados Unidos, ministro da Economia voltou a se defender sobre offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está em Washington, nos Estados Unidos, onde participa da reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional). A viagem acontece em meio a pressões de parlamentares por explicações sobre a offshore em nome do economista nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.

Em entrevistas na capital norte-americana nesta terça-feira (12), o ministro tentou justificar a alta da inflação no Brasil e falou sobre a empresa no exterior. Guedes, mais uma vez, disse que não fez nada de errado, que a empresa é legal, foi informada ao Comitê de Ética da Presidência da República, declarada na Receita Federal e registrada no Banco Central.

O ministro investiu US$ 9,5 milhões no paraíso fiscal e, durante o período em que está no governo, teve um lucro de quase R$ 15 milhões com a desvalorização do real em relação ao dólar em razão da política econômica adotada na gestão dele.

À imprensa americana, também alegou que saiu do comando da empresa antes de assumir o Ministério da Economia e que o STF (Supremo Tribunal Federal) teria arquivado o caso. No entanto, a decisão da corte máxima brasileira não foi sobre o mérito da investigação. O ministro Dias Toffoli entendeu apenas que a notícia-crime deveria ser apresentada diretamente à Procuradoria-Geral da República, e não ao STF.

Passados nove dias desde que a existência da empresa no exterior foi revelada, o ministro da Economia ainda não respondeu a perguntas importantes.

As perguntas às quais Guedes não respondeu sobre empresa em paraíso fiscal

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), criticou a falta de transparência de Paulo Guedes. “É bastante estranho que o ministro comemore o dólar acima de R$ 5. Isso dá lucros extraordinários à offshore dele por um lado, mas aumenta a quase R$ 7 o combustível Brasil afora para o cidadão brasileiro ao qual ele deve satisfação.”

O deputado ainda afirmou que resta uma questão de ética e coerência ao chefe da Economia. “O Paulo Guedes é o ministro que ataca dia e noite os incentivos fiscais concedidos à indústria brasileira, que produz, gera emprego e distribui renda. Mas ele próprio retira dinheiro do Brasil numa movimentação tão legal quanto são legais os incentivos. Portanto, ainda que não haja uma infração legal, a infração ética e a falta de coerência são absolutamente latentes”, analisou Ramos.

O mistério em torno da empresa milionária do ministro da Economia deve acabar em breve. Paulo Guedes terá que dar explicações no plenário da Câmara e no Senado. A data ainda não foi marcada.

Procurada pela Record TV, a defesa de Paulo Guedes disse que o caso já foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal. Em nota, afirma que os documentos apresentados à Procuradoria-Geral da República demonstram que o ministro se afastou da gestão da empresa e jamais se beneficiou do cargo que ocupa.

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