01/04/2017 06h20
“O poder do boato só aumenta, instalando um clima de pânico em políticos e em qualquer um que vê seu nome (e foto) estampado nas telas e páginas mais influentes da mídia”, observam colunistas.
Congresso em Foco
O noticiário sobre a mega investigação de corrupção na Operação Lava-Jato cria um contexto que estimula a farta disseminação de boatos, causando um enorme estrago na reputação dos envolvidos.
Na esfera da comunicação, boato é aquela notícia de origem desconhecida, sem confirmação e que se propaga por meios informais. Pode também ser “produzido com intenção deliberada em relação a determinados interesses”, segundo o Dicionário de Comunicação (Rabaça e Barbosa).
Em três anos de Lava-Jato, a tecla da mídia bate diariamente no compasso do trabalho de procuradores, policiais e juízes. O poder do boato só aumenta, instalando um clima de pânico em políticos e em qualquer um que vê seu nome (e foto) estampado nas telas e páginas mais influentes da mídia. “Caiu na rede”, virou uma espécie de título-senha nas mídias sociais para anunciar qual é o próximo peixe a ser tragado pelas ondas da investigação.
A disseminação de boatos vira uma espécie de vitamina para reforçar as suspeitas sobre citações de qualquer ordem. A imprensa funciona como fomentadora desta caixa de ressonância. Com o desdobramento dos escândalos, os políticos estão fazendo uma verdadeira corrida para tentar fechar acordo de delação.
Em notas publicadas a rodo nas colunas de bastidores, a narrativa serve como um termômetro para indicar a temperatura da disposição do ministério público para aceitar ou dispensar as ofertas de novas delações premiadas. Ninguém confirma, ninguém desmente. Procurado pela imprensa para falar sobre o caso Cabral, um dos procuradores da Calicute, adiantou: “Não falamos sobre acordos”.
O aprendizado de comunicação em questão aqui é sobre os cuidados que precisam ser adotados para se evitar danos ainda maiores à reputação de pessoas e à imagem das marcas. Para muitos envolvidos, o cenário lembra os versos de Chico Buarque, em “Acorda Amor”: “Eu tive um pesadelo agora/Sonhei que tinha gente lá fora/Batendo no portão, que aflição”.
Em contextos como o atual, de incertezas e de indefinições, empresas devem procurar especialistas em gestão de imagem e reputação que possam orientar na condução da crise.


