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sexta-feira, 11 de setembro, 2026

Candidatos são convocados a assumir compromisso com a defesa do Cerrado nas eleições

Organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado, com o objetivo de engajar os candidatos nas próximas eleições na proteção do bioma e das comunidades que nele habitam. Um documento de compromisso está disponível para assinatura no site votepelocerrado.org.br.

Em alusão ao Dia Nacional do Cerrado, celebrado nesta sexta-feira (11), as entidades ressaltam a importância vital do bioma, que abriga as nascentes de oito das doze principais bacias hidrográficas brasileiras. Apesar de sua relevância, mais de 50% da vegetação nativa já foi perdida, e os rios da região enfrentam uma redução média de 27% em sua vazão.

A carta-compromisso visa oficializar quais postulantes ao Executivo e ao Legislativo se dedicam às demandas de conservação do Cerrado. Segundo Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), a preservação do bioma exige projetos de longo prazo e a eleição de parlamentares conscientes de sua importância ecológica e socioeconômica.

“Precisamos eleger parlamentares que compreendam a importância do Cerrado e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro”, afirma Figueiredo.

Ingrid Silveira, secretária executiva da Rede Cerrado, enfatiza que os compromissos dos candidatos devem abranger políticas de fortalecimento da agricultura familiar, agroecologia e sociobiodiversidade, assegurando território, crédito e acesso a mercados para os que zelam pelo bioma.

A campanha detalha oito propostas essenciais para a defesa do Cerrado, que incluem:

  1. Proteção do bioma e reconhecimento como patrimônio nacional.
  2. Garantia da água como direito fundamental.
  3. Asseguramento de terra, território e autodeterminação dos povos.
  4. Combate à grilagem e à violência no campo.
  5. Enfrentamento dos impactos de grandes empreendimentos e garantia de consulta prévia e informada.
  6. Promoção da agroecologia e fortalecimento da agricultura familiar.
  7. Valorização da sociobiodiversidade e da soberania alimentar.
  8. Garantia de saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.

A mobilização é liderada pela Rede Cerrado, que congrega mais de 500 organizações, e pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, com articulação de mais de 60 entidades. Entre os grupos envolvidos estão povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação.

Durante o lançamento online da campanha, Samuel Leite Caetano, presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), alertou sobre a necessidade de eleger representantes comprometidos com as causas ambientais e os direitos dos povos tradicionais. Ele destacou que a escolha de legisladores alinhados com a regularização fundiária e a gestão territorial é crucial para evitar a entrega de recursos naturais a interesses predatórios e a reversão de unidades de conservação.

Caetano ressaltou que a proteção do Cerrado é uma responsabilidade nacional, dado que o bioma é fonte de água para grandes rios e capitais, além de sua importância estratégica em um cenário de emergência climática.

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, reforçou a urgência de uma escolha eleitoral consciente diante do atual cenário de retrocessos em legislações ambientais. Ela criticou a presença de candidatos negacionistas em pleno contexto de crise climática, alertando que tais posições agravam a situação dos brasileiros.