Existem cinco vírus responsáveis pela doença: A, B, C, D e E. Dependendo do tipo, a infecção pode evoluir para formas crônicas, silenciosas e graves.
Como as hepatites virais afetam seu fígado?
O ponto alto da campanha Julho Amarelo é o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, que chama a atenção para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento das hepatites virais, doenças que atingem o fígado e provocam processos inflamatórios ou infecciosos. Existem cinco vírus responsáveis pela doença: A, B, C, D e E. Dependendo do tipo, a infecção pode evoluir para formas crônicas, silenciosas e graves.
“É um problema de saúde pública, pois causa elevada morbidade e mortalidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais provocam cerca de 1,3 milhão de mortes por ano, principalmente por cirrose e câncer de fígado, e 304 milhões de pessoas vivem com infecção crônica pelos vírus das hepatites B ou C. A entidade mantém como meta eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, reduzindo em 90% as novas infecções e em 65% as mortes relacionadas à doença. No entanto, o cenário ainda exige atenção. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações mais graves”, alerta o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN 2026.
Números preocupantes
Para o médico nutrólogo, merece destaque a hepatite A, pois observa-se um aumento da incidência, especialmente entre adultos jovens, no país. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, a taxa de detecção passou de 0,4 caso por 100 mil habitantes, em 2022, para 1,7 caso por 100 mil habitantes, em 2024, um crescimento de aproximadamente 325%.

“Esse tipo de infecção ocorre pela via fecal-oral e está diretamente relacionado ao consumo de água contaminada, alimentos manipulados sem higiene adequada, frutas e hortaliças lavadas de forma imprópria, frutos do mar crus ou com cozimento insuficiente, provenientes de áreas contaminadas, e ao contato próximo com pessoas infectadas. A prevenção é possível com práticas simples no dia a dia. Além disso, o cuidado com a alimentação vai além da prevenção da hepatite A, pois uma dieta equilibrada ajuda a preservar a saúde do fígado, contribui para a manutenção do estado nutricional e favorece uma melhor resposta ao tratamento das hepatites virais”, afirma.
No mundo, estima-se que ocorram cerca de 1,5 milhão de casos clínicos de hepatite A por ano. Como grande parte das infecções é assintomática, o número real de casos é significativamente superior. A doença permanece endêmica em regiões com saneamento inadequado, principalmente na África, Ásia e em partes da América Latina.
Diagnóstico e sintomas
A combinação do histórico clínico (anamnese), do exame físico e de testes laboratoriais permite confirmar o diagnóstico das hepatites virais. Muitas vezes, exames sorológicos e moleculares são necessários para identificar o tipo de vírus e o estágio da infecção. Na fase aguda, independentemente do tipo de hepatite viral, podem surgir náuseas, vômitos, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura, dor abdominal, cansaço e mal-estar. Nas hepatites que podem evoluir para a forma crônica (principalmente B, C e D), os sintomas costumam ser raros e, geralmente, só aparecem quando o fígado já apresenta comprometimento importante, como nos casos de cirrose.
Transmissões e tratamentos diferentes
Hepatite A: ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes contendo o vírus; contato direto com pessoas infectadas ou objetos contaminados. Locais com saneamento básico precário apresentam maior risco de transmissão. Geralmente apresenta cura espontânea, sem evolução para a forma crônica.
Hepatite B: relação sexual desprotegida; contato com sangue contaminado por meio de seringas, agulhas, materiais perfurocortantes ou instrumentos não esterilizados; transmissão da mãe para o bebê, principalmente durante o parto. Na maioria dos casos crônicos, não há cura definitiva, mas a infecção pode ser controlada com medicamentos antivirais, reduzindo o risco de complicações.
Hepatite C: contato com sangue contaminado, especialmente pelo compartilhamento de seringas, agulhas, objetos perfurocortantes ou instrumentos não esterilizados. A transmissão sexual é menos frequente, mas pode ocorrer, principalmente em pessoas com múltiplos parceiros ou outras infecções sexualmente transmissíveis. Também pode acontecer da mãe para o bebê, embora seja menos comum. Apresenta taxas superiores a 95% de cura com os antivirais de ação direta.
Hepatite D: ocorre apenas em pessoas já infectadas pelo vírus da hepatite B. A transmissão se dá pelas mesmas vias da hepatite B. Ainda não possui cura definitiva, mas pode ser prevenida por meio da vacinação contra a hepatite B.
Hepatite E: transmissão fecal-oral, semelhante à hepatite A, geralmente por água contaminada. Em alguns países, também pode estar associada ao consumo de carne suína ou de caça com cozimento insuficiente. Pode ser especialmente grave em gestantes, sobretudo no terceiro trimestre da gravidez. Geralmente evolui para cura espontânea, embora possa apresentar formas graves, especialmente em gestantes.
Vacinas
Existem vacinas eficazes contra as hepatites A e B, disponíveis gratuitamente pelo SUS. Como a hepatite D depende da infecção pelo vírus B, a vacinação contra a hepatite B também protege contra a hepatite D. Ainda não há vacinas amplamente disponíveis contra as hepatites C e E. Para esta última, há uma vacina licenciada apenas na China, que não faz parte dos calendários de vacinação da maioria dos países, inclusive do Brasil.
Prevenção
Entre os principais cuidados estão higienizar corretamente as mãos, os alimentos e os utensílios; consumir água tratada ou filtrada; utilizar preservativos nas relações sexuais, especialmente para prevenir a hepatite B; e evitar o compartilhamento de objetos perfurocortantes, como alicates de cutícula, lâminas, agulhas e seringas, que podem transmitir os vírus das hepatites B e C.
Fonte: Edna Vairoletti

