Em Ponta Porã

Meu irmão ( Osmar Icassatti Cabral) sempre foi um indivíduo exemplar. Trabalhou por mais de dez anos na Schincariol do Py onde ao lado hoje é a Comissaria Primeira. Também trabalhou em algumas serrarias da região sendo sempre um bom funcionário. Nunca brigou com ninguém. Com o passar do tempo adquiriu problema na coluna e por isso foi dispensado do trabalho e de uns 5 anos pra cá vem lutando por uma cirurgia pelo SUS e também pra se aposentar (recolheu contribuição por muitos anos). Em todo esse tempo não conseguiu nem uma coisa nem outra. 


Homem de bem, bom pai e esposo, todos no bairro em que mora conhece sua índole. Sem contar com apoio financeiro do antigo trabalho nem do INSS, começou a tecer redes de pesca e catar latinhas nos finais de semana para prover o sustento da família. Qualquer homem que honra seus compromissos familiares sabe o quão doloroso é não prover sequer o básico pra sua família sentindo-se desemparado pelos órgãos públicos que deviam ajuda-lo. 

Mesmo sentindo dor trabalhava todo final de semana e tecia redes de pesca. Com toda essa carga, tornou-se emocionalmente instável, mas mesmo assim nunca causou nenhum problema para ninguém, somente sua família sabia de suas dores e frustrações. No dia 8/11 saiu pra catar latinhas e encontrou um grupo de rapazes que começaram a zombar dele e o atacaram e agrediram sem nenhuma explicação. Sem chance de reação. O psicológico de qualquer pessoa se desestabiliza ao passar por uma situação dessas. Não estava fazendo nada de errado, somente catando latinhas e foi espancado brutalmente. Tomado pela raiva acabou cometendo um crime. 

NÃO. Não estou justificando ele ter reagido daquela forma. Nada justifica tirar uma vida.  

Apenas quero relatar o que de fato aconteceu e o que levou ele a praticar aquele ato. Todos que o conhecem sabem que isso não é da índole dele. Ele é um homem bom, trabalhador e sem vícios. 

O problema de saúde dele é grave, pode perder os movimentos. Depois de anos, no dia 11/11 iria marcar uma possível cirurgia pelo SUS. Porém, desde que foi detido não passou por nenhum médico , está ferido, sentindo dor e nenhum remédio foi prescrito. Ele não passou pelo exame de corpo de delito.  Apenas preso e declarado pistoleiro (sicário). Não quero isenta-lo de culpa, se deve que a justiça julgue. 

Só quero deixar claro que ele não agiu premeditadamente. Ele não é uma pessoa violenta, não tem passagem pela polícia. Nunca respondeu judicialmente por nada.  

Ele foi tomado pela raiva ao ser agredido, espancado injustamente e só quer uma chance de ser ouvido. 

                                                             Wilmar Icassatti Cabral 

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