22.1 C
Ponta Porã
segunda-feira, 22 de junho, 2026

Consea, CNAPO e Condraf destacam papel da participação social na transição agroecológica

Fortalecer estratégias institucionais da agenda da agroecologia por meio da articulação entre sociedade civil, gestores governamentais e pesquisadores. Esse é um dos objetivos do seminário “Agroecologia Embrapa 2026: 20 anos do Marco Referencial”. Com participação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o evento foi realizado na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília, de terça-feira (16) até quinta-feira (18), em formato híbrido.  

A iniciativa é resultado da união de esforços dos conselhos que atuam pela transição justa, sustentável e popular dos sistemas alimentares. Além do Consea, integram a organização: a Embrapa, a Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf).  

Na mesa de abertura, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou o compromisso da instituição com a agenda agroecológica. Segundo ela, a Embrapa busca estreitar relações com os pequenos produtores para compreender suas necessidades e utilizar o conhecimento técnico da instituição em apoio ao avanço da transição agroecológica.  

“Entendemos a importância de fazer a inclusão digital e socioprodutiva para os pequenos produtores de modo a disseminar com maior agilidade a informação que a Embrapa gera, mas também ouvir mais. E complementou: “Queremos receber as comunidades tradicionais e da agricultura familiar, entender quais são as demandas, quais são as necessidades para que a gente possa fazer uma pesquisa mais aplicada, e desse modo atender mais rapidamente os movimentos”, concluiu.  

A agroecologia não é apenas uma forma de produzir, é também um cuidado com a vida”  

Anderson Amaro, conselheiro do Consea e representante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), celebrou os 20 anos do Marco Referencial em Agroecologia e reconheceu que o documento é um instrumento importante para a construção de sistemas alimentares agroecológicos. Contudo, ressaltou que os produtores que se dedicam à agroecologia ainda enfrentam barreiras substanciais, entre elas, o subfinanciamento.  

O conselheiro destacou a importância da continuidade do debate e das ações voltadas ao tema, bem como seus impactos em diferentes níveis: “A agroecologia não é apenas uma forma de produzir, mas reafirmamos que é o cuidado com a natureza, com a terra, com as pessoas, com a ecologia, a gente reafirma que é o cuidado com a vida”. A conselheira do Consea Alba Mendes também acompanhou as atividades do seminário. 

Agroecologia na agenda política e protagonismo das mulheres 

A representante da CNAPO e integrante do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Sara Moreira, ressaltou a importância de pensar a agroecologia a partir de uma perspectiva que contemple a contribuição das mulheres.  

“As mulheres têm chamado a atenção da importância de olhar a partir da perspectiva da economia feminista, também a importância do trabalho produtivo, trabalho de cuidados que elas desenvolvem e que dão condições reais para que todos os outros trabalhos se realizem”. 

Sara apresentou na ocasião a quarta edição da iniciativa: Agroecologia nas Eleições. A carta política com o tema: “Por um Brasil Soberano e Agroecológico: aprofundar a democracia para construir um futuro com justiça, sustentabilidade e paz”, tem como um de seus objetivos reafirmar o compromisso da ANA com o aprofundamento da democracia nas esferas do Estado e da sociedade brasileira.  

“A agroecologia é um projeto de sociedade” 

Lindenilson Sousa, representante do Condraf, definiu a realização do debate como parte do desenho de um novo momento histórico e destacou a importância do evento e da união dos conselhos como uma estratégia coletiva de participação social para o fortalecimento do debate sobre sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.  

“A agroecologia é um projeto de sociedade. Ela é um projeto para resolver o problema da desigualdade no chão, na terra deste país. Se ela não for olhada assim, não é possível continuarmos avançando”, afirmou.  

Apoio ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à agricultura familiar

Fernanda Machiaveli, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) evidenciou a importância do Marco Referencial em Agroecologia. Segundo ela, o documento representa um instrumento fundamental para o desenvolvimento da agricultura no país.

A ministra também defendeu a ampliação do apoio ao desenvolvimento de tecnologias voltada à demanda da agricultura familiar, com foco na valorização de iniciativas inovadoras e na disseminação dessas soluções. “Queremos apoiar cada vez mais os inventores da agricultura familiar, para que os desenvolvimentos dessas tecnologias, de fato, sejam disseminados”.

Ela destacou ainda, o papel da participação social na promoção dos avanços da agroecologia. Para Fernanda, a construção coletiva será decisiva para a efetiva transformação dos sistemas alimentares nas próximas décadas. “Nós vamos vencer juntos. E daqui 20 anos, vamos estar celebrando a transformação dos nossos sistemas alimentares, que vão ser muito mais inclusivos, saudáveis, mais sustentáveis e definitivamente agroecológicos”, concluiu.

Transição ecológica pensada em conjunto 

Patrícia Tavares, secretária-executiva da CNAPO, ressaltou que a iniciativa do seminário representa uma parceria estratégica que reúne a sociedade civil junto a Embrapa e demais instituições com objetivo de ampliar os esforços voltados ao tema de ciência e tecnologia que beneficiem a construção de sistemas alimentares mais sustentáveis. “Essa é uma oportunidade de construir agendas de inovação que de fato possam acumular conhecimento e pensar juntos a transição agroecológica, a construção de sistemas abastecimento popular e outras estratégias”, concluiu.   

A secretária nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, Kelli Mafort, o deputado Bohn Gass (PT-RS) e o diretor do Departamento de Aquisição e Distribuição de Alimentos Saudáveis do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Raimundo Nonato, estiveram entre as autoridades presentes na mesa de abertura.

Fonte: Secretaria-Geral