10/03/2015 19h40
Pelo menos é essa a leitura feita pelo líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Rocha,
Conjuntura Online
O envolvimento do PT como alvo principal do escândalo de corrupção na Petrobrás levou as lideranças do PMDB em Mato Grosso do Sul a avaliar que a melhor alternativa nesse momento é abandonar a base aliada da presidente Dilma Rousseff, no Congresso Nacional.
Embora aliados no plano nacional, PT e PMDB são como água e óleo em Mato Grosso do Sul, o que motiva mais ainda a ideia de rompimento.
Pelo menos é essa a leitura feita pelo líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Rocha, para quem o partido deve se afastar do PT mesmo que isso custe à perda de espaço no Governo.
“Passou da hora de o PMDB se descolar do PT, nem que isso custe entregar ministérios”, sugeriu o parlamentar, em entrevista na Capital.
A maior preocupação dos peemedebistas é que o desgaste político do PT por causa das denúncias de corrupção acabe refletindo nos partidos aliados, como é o caso do PMDB que desde a época do mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva é parceiro de primeira hora dos governos petistas.
Além do mais, o PMDB se prepara para as eleições municipais do ano que vem, quando pretende manter a maioria das 20 prefeituras que controla no Estado.
Liderado pelo ex-governador André Puccinelli, o PMDB se articula para retornar a prefeitura de Campo Grande depois de perder uma hegemonia de mais de duas décadas e conquistar a de Dourados, o segundo maior colégio eleitoral do Estado, onde o deputado federal Geraldo Resende surge como a principal alternativa do partido.
Na Capital, o nome do próprio André Puccinelli é lembrado para disputar à sucessão do prefeito Gilmar Olarte (PP), embora à imprensa o ex-governador tem dito que isso não está em seus planos.
Apesar disso, a cúpula regional peemedebista não esconde de ninguém o desejo de retomar o poder na Capital, lembrando, inclusive, outros nomes, como o do ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, e o do deputado estadual Marquinhos Trad.
Eles, no entanto, se manifestam favoráveis a mudar de partido alegando descontentamento com o grupo depois da eleição para o governo do Estado, na qual o PMDB saiu derrotado para o tucano Reinaldo Azambuja (PSDB).
CONGRESSO
Aliás, a disputa de poder entre PT e PMDB ganha, a cada dia, um novo capítulo. Depois do vazamento dos primeiros nomes envolvidos no esquema de corrupção da Lava Jato, na qual estão citados Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, as duas legendas parecem ter ficado cada vez mais distantes.
Cunha e Renan têm bloqueado o Governo em áreas cruciais à presidente para, com isso, aumentar o poder de barganha do PMDB, que pedia uma maior participação nas decisões do Planalto e mais cargos.
Nos bastidores do Congresso, se afirma que alguns membros do PMDB acusam o próprio Governo de ter atuado para incluir os dois nomes na lista, ainda não divulgada oficialmente, para tentar diminuir o poder deles.
Tanto Calheiros quanto Cunha teriam sido avisados de que seriam alvos da denúncia, algo que ambos negam.
Como reação, o presidente do Senado teria decidido devolver uma MP (Medida Provisória) encaminhada por Dilma Rousseff que aumentava os tributos pagos por empresas.
O argumento dele foi de que a proposta deveria tramitar como um Projeto de Lei e que aceitá-la por meio de uma MP diminuiria o poder do Congresso.


