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quinta-feira, 24 de setembro, 2026

Ctrl+Z: organização brasileira desafia o poder das big techs com comunidades alternativas

Uma organização social brasileira, a Ctrl+Z, está propondo um novo modelo de interação digital para contrapor a influência e o poder concentrado das gigantes de tecnologia, as chamadas big techs. Segundo Henrique Sampaio, coordenador de redes sociais da Ctrl+Z, essas empresas exercem um controle excessivo e buscam ditar regras que se sobrepõem à soberania de países como o Brasil no ambiente digital.

Sampaio critica a concentração de poder no Vale do Silício, sede das maiores empresas de tecnologia, afirmando que elas tentam impor seus termos de serviço acima das leis nacionais. Em entrevista à Rádio Nacional, ele detalhou as estratégias da Ctrl+Z, que incluem a investigação e denúncia de abusos, a proposição de ações judiciais e a mobilização social com o objetivo de reformular o setor tecnológico para priorizar o bem-estar coletivo.

Recentemente, a Ctrl+Z divulgou um levantamento que expôs a presença de dezenas de perfis falsos de médicos na plataforma YouTube, evidenciando um dos tipos de desinformação que a organização busca combater. A equipe da Ctrl+Z é liderada pela executiva Daniela da Silva, ex-chefe de Políticas Públicas do WhatsApp (Meta) no Brasil; pela jornalista investigativa Tatiana Dias, ex-editora executiva do Intercept Brasil; e por Luã Cruz, especialista em direitos digitais e políticas públicas, que atuou como coordenador no Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).

O principal objetivo da organização, conforme explicado por Sampaio, é incentivar a criação de comunidades que existam independentemente das plataformas controladas pelas big techs. “Queremos levar as pessoas para fora das telas e criar uma comunidade que não seja mediada pelas empresas de tecnologia”, declarou.

Para alcançar essa meta, a Ctrl+Z articula indivíduos com diferentes expertises e promove o uso de plataformas de código aberto, que oferecem maior transparência em comparação às redes sociais convencionais. Sampaio reconhece o apelo e o poder de vício das plataformas populares, mas ressalta que existem alternativas. “As plataformas de código aberto sempre existiram, mas as big techs têm um poder muito grande para nos convencer a usar os produtos delas. É viciante”, ponderou. Ele conclui que, ao apresentar opções que divergem dessa lógica, as pessoas redescobrem a existência de uma internet mais livre e autônoma.