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terça-feira, 20 de outubro, 2026

Debate na Band: Lula e Flávio trocam acusações e propõem visões distintas para o Brasil

Candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram neste domingo (18) de um debate promovido pela TV Bandeirantes. O encontro foi marcado por intensas trocas de farpas e questionamentos, exigindo intervenções dos mediadores em diversos momentos.

Logo no primeiro bloco, Lula direcionou questionamentos a Flávio sobre o recebimento de vultuosos recursos de um banqueiro e sua defesa a um indivíduo acusado de assassinato de uma criança. O presidente também indagou Flávio sobre sua proximidade com pessoas envolvidas no assassinato da vereadora Marielle Franco, sua posição contrária à marcação de munições e o voto contra a ampliação da licença-maternidade quando deputado estadual.

Flávio, por sua vez, evitou responder diretamente e focou suas perguntas em Fábio Luís, filho de Lula, investigado por suposto tráfico de influência. O senador também atribuiu ao governo Lula responsabilidades por irregularidades no INSS, minimizando os desvios que, segundo o governo atual, tiveram início na gestão anterior e estão sendo combatidos com ressarcimento aos aposentados.

No que tange a propostas, Flávio Bolsonaro sinalizou a intenção de classificar facções criminosas como narcoterroristas e construir 500 mil novas vagas no sistema penitenciário. Em contrapartida, Lula reiterou seu plano de criar o Ministério da Segurança Pública, com o objetivo de definir competências entre os entes federativos, combater a criminalidade e integrar o governo federal nas ações de segurança.

O segundo bloco do debate deu ênfase às propostas, especialmente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Flávio sugeriu a indicação do médico Cláudio Lottenberg, presidente de uma instituição privada, para liderar o Ministério da Saúde, visando implementar um “padrão Einstein no SUS”. Lula rebateu, afirmando que seu adversário desconhece o SUS por nunca ter utilizado o sistema público e levantou a possibilidade de privatização. Ele também relembrou a gestão da pandemia sob o governo Bolsonaro, citando o alto número de mortes e o atraso na compra de vacinas, criticando a “irresponsabilidade” e a descredibilidade na ciência.

Em outro ponto, Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das políticas de segurança pública, com maior vigilância e punições mais rigorosas. Lula contrapôs, mencionando ações de seu governo, como o programa Celular Seguro, e criticou as propostas repetitivas do oponente.

A questão das saídas temporárias de presos (“saidão”) também foi tema de debate. Flávio criticou o benefício, associando-o a assassinatos recentes e acusando Lula de priorizar os direitos dos condenados. Lula, por outro lado, defendeu a manutenção do benefício para presos com bom comportamento e em processo de recuperação, excluindo casos de crimes graves como estupro e violência contra a mulher. O presidente também acusou Flávio de defender um eventual indulto para Jair Bolsonaro.

A escala 6×1, proposta pelo governo Lula e aprovada recentemente, foi outro tópico. Flávio Bolsonaro, em uma mudança de posição, declarou ter votado a favor da matéria após ouvir os trabalhadores, enfatizando sua capacidade de ouvir e reconsiderar opiniões. Lula o provocou, alegando que seu adversário desconhece a realidade dos trabalhadores por não ter experiência profissional.

No terceiro bloco, Lula elevou o tom e desafiou Flávio a quebrar os sigilos bancário e telefônico de ambos, incluindo de seus familiares, para que irregularidades fossem apuradas antes das eleições. Flávio respondeu que não tinha o que esconder, mas não aceitou a proposta nos termos apresentados, acusando Lula de manter recursos fora de suas contas. Em relação à política internacional, Lula questionou a relação de Flávio com os Estados Unidos e a soberania na exploração de minerais. Flávio defendeu a cooperação internacional e negou atuar para impor tarifas contra empresas brasileiras.

Ao final do debate, a segurança foi acionada na emissora devido a uma suspeita de bomba em um carro no estacionamento, supostamente pertencente à equipe de Flávio Bolsonaro. Após uma varredura, nada foi encontrado e o local foi liberado.