Brasília (DF), 5/3/2026 – O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão do Ministério da Defesa (MD), promoveu, nesta quinta-feira (5), em Porto Velho (RO), o evento “Pré-Cheia: Prognóstico Hidrometeorológico para 2026”. O objetivo foi apresentar a previsão do cenário climático e das condições dos rios na Amazônia Legal no período de dezembro a maio, época em que o regime de chuvas exerce forte impacto sobre a rotina e a segurança da população local.
Embora as cheias severas sejam características desse período, nos últimos dois anos alguns rios da Amazônia registraram níveis abaixo do esperado, mesmo durante a estação chuvosa. O prognóstico das cheias contribui para a segurança das comunidades que vivem em áreas vulneráveis, reduzindo danos materiais, restrições à mobilidade, prejuízos à infraestrutura urbana, além do risco de contaminação de mananciais, assoreamento de rios e lagos, doenças transmitidas por água contaminada e, em situações extremas, perdas de vidas.
Na palestra “A contribuição do Censipam para o monitoramento e prognóstico de eventos hidrológicos”, o analista em ciência e tecnologia do Censipam, Flávio Altieri, destacou que o sistema SipamHidro disponibiliza, em tempo real, informações sobre riscos, vulnerabilidades e previsões ambientais – como inundações, alagamentos, tempestades severas e estiagem – na região amazônica, permitindo analisar as condições atuais e projetar o comportamento futuro dos rios.
Altieri apresentou ainda um panorama dos níveis dos rios na Amazônia até maio, ressaltando que a maioria deles se encontra dentro da normalidade para a época. No entanto, alguns cursos d’água podem ficar com níveis abaixo da média em comparação ao ano passado, como os rios Acre (Rio Branco-AC), Xingu (Boa Sorte-PA), Araguaia (Xambioá-TO) e Tocantins (Marabá-PA). “Isso preocupa no sentido de que, daqui a alguns meses, terá início um processo de estiagem. É uma região que vem sofrendo muito nos últimos anos”, alertou.
Meteorologia
Na palestra “Prognóstico meteorológico para a Amazônia Legal”, o meteorologista Laurizio Alves, analista em ciência e tecnologia do Censipam, explicou que o clima da região é influenciado principalmente por dois fenômenos oceânicos: El Niño, que atua sobretudo no período seco, e La Niña, que interfere no período chuvoso.
Segundo ele, neste ano a La Niña apresentou fraca intensidade, diferentemente de 2023 e 2024, quando houve um período significativamente mais seco, marcado por queimadas. Outro fator determinante para o clima amazônico é o comportamento do Oceano Atlântico, que esteve mais aquecido no mês passado, provocando um período mais seco no Acre e em Roraima.
Quanto ao prognóstico climático até maio, Laurizio Alves informou que as chuvas devem ficar acima da média no leste do Acre, extremo-leste do Amazonas, Roraima e norte do Amapá. Já no centro e oeste do Mato Grosso, sudeste do Pará, Tocantins e centro-sul do Maranhão, a tendência é de chuvas abaixo da média, o que acende um alerta para o risco de queimadas.
Participação
O evento contou com palestras de representantes do Serviço Geológico do Brasil (SGB), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Também estiveram presentes o Secretário-Geral Adjunto do Ministério da Defesa, Miguel Ragone de Mattos, e o Diretor-Geral do Censipam, Richard Fernandez Nunes.
Por Rafael Paixão
Fotos: Censipam
Assessoria Especial de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa
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Fonte: Ministério da Defesa



