Delas Day Empreendedorismo transforma realidades em comunidades indígenas e quilombolas

Painel “Mulheres Indígenas – Nascer, viver e empreender na aldeia” reuniu lideranças que compartilharam experiências sobre como tradição e inovação podem caminhar juntas. Imagens: Messias Ferreira - Sebrae/MS

Painéis específicos no evento destacam geração de renda, autonomia feminina e valorização cultural

A diversidade e a inclusão ganharam destaque no Delas Day 2026, com a realização de painéis voltados a mulheres indígenas e quilombolas, nesta quarta-feira (25), em Campo Grande. A iniciativa destacou o empreendedorismo como caminho para geração de renda, autonomia feminina e desenvolvimento sustentável nessas comunidades, em uma ação do Sebrae/MS em parceria com a Secretaria de Estado de Cidadania (SEC), por meio do programa Sebrae Plural.

Para a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, promover este tipo de programação dentro do Delas Day é uma forma concreta de garantir inclusão produtiva. “Falar de mulheres indígenas e quilombolas é falar de empreendedoras ou de potenciais empreendedoras. Seja no afroturismo, seja na economia criativa, a atuação do Sebrae junto a esse público já acontece de forma natural. Quando a gente traz esse debate para um evento como o Delas Day, estamos, na verdade, colocando luz sobre uma estratégia que já existe e sobre todo o potencial que essas mulheres têm, reforçando o compromisso no apoio e fortalecimento desses negócios.”

A secretária de Estado de Cidadania, Viviane Luiza, destacou que a parceria fortalece políticas públicas voltadas à equidade. “Quando pensamos em políticas públicas para mulheres, precisamos considerar todos os recortes identitários. É isso que fazemos ao lado do Sebrae, com ações como o Empretec Rural Indígena e o Empretec Rural Quilombola, levando formação e capacitação para dentro dos territórios. Garantir acesso ao empreendedorismo é promover autonomia econômica, enfrentamento à violência de gênero e protagonismo. Ao fortalecer mulheres indígenas e quilombolas, fortalecemos também a cultura, a arte e transformamos a sociedade como um todo”, destacou a secretária.

Na Sala Ipê Amarelo, o painel “Mulheres Indígenas – Nascer, viver e empreender na aldeia” reuniu lideranças que compartilharam experiências sobre como tradição e inovação podem caminhar juntas. Entre as participantes esteve a representante do povo Atikum em Mato Grosso do Sul, Nalva Vicente, que relatou a experiência com empreendedorismo na área de panificação artesanal.

“O empreendedorismo é um fortalecimento muito grande, principalmente dentro das comunidades. Hoje a gente vê que nós, mulheres, estamos ocupando o nosso espaço. Empreender traz um benefício enorme, porque garante o nosso trabalho e a nossa renda durante o mês. Eu trabalho com massas caseiras e pães dentro da comunidade. Participei do Empretec e isso abriu muito a nossa mente. Foi um seminário riquíssimo, uma experiência que fez a gente enxergar novas possibilidades para crescer sem deixar de lado a nossa cultura.”

Daniele Luiz, da etnia Terena, é presidente da Associação de Mulheres Solidárias Terena, que atua na região de Taunay Ipegue, em Aquidauana. Ela também integra o Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres de Mato Grosso do Sul. Ao falar sobre o impacto do empreendedorismo na vida das mulheres indígenas, ela destacou a preservação cultural. “Empreender não significa apenas criar uma fonte de sustento, mas fortalecer a identidade cultural das comunidades originárias. Tudo o que é feito pelas mãos das mulheres tem vida. Não é só renda. É pelo povo, é pela comunidade. Em cada projeto desenvolvido na região, há mais do que uma proposta econômica, há alma, cultura e história. O empreendedorismo, nesse contexto, torna-se instrumento de autonomia para essas mulheres e também de manutenção das tradições indígenas”, reforçou.

O painel também atraiu participantes que não pertencem a comunidades indígenas, como Francielle Aparecida dos Santos Ribeiro. Segundo ela, a decisão de acompanhar a atividade foi motivada pelo desejo de prestigiar lideranças femininas. “Eu não sou indígena, mas vim participar pelo incentivo que esse espaço traz e pela força da mulher no empreendedorismo, que motiva a gente a continuar. Hoje, especialmente, viemos prestigiar a cacique Ramona. Somos de Brasilândia, uma cidade pequena, onde todo mundo se conhece, e não temos outra ligação além da admiração e do respeito. É um grande prazer estar aqui”, afirmou.

Delas Day Empreendedorismo transforma realidades em comunidades indígenas e quilombolas
Painel “Mulheres quilombolas – Nascer, viver e empreender na comunidade” trouxe relatos sobre empreendedorismo como ferramenta de valorização histórica e fortalecimento comunitário

Força e identidade quilombola

Encerrando a programação temática, o painel “Mulheres quilombolas – Nascer, viver e empreender na comunidade” trouxe relatos sobre empreendedorismo como ferramenta de valorização histórica e fortalecimento comunitário. O painel contou com a presença de Vera Lúcia, coordenadora do grupo Quilombola em Movimento de Turismo de Base Comunitária e Afroturismo, que enfatizou o potencial do turismo como alternativa sustentável.

“Eu sou do Quilombo Furnas do Dionísio, no município de Jaraguari. Vejo o empreendedorismo como uma ação muito importante para fortalecer as comunidades quilombolas, porque valoriza a nossa produção, capacita as mulheres e dá mais visibilidade aos nossos produtos. É um caminho de fortalecimento e reconhecimento do nosso trabalho”, disse a coordenadora.

Representante da Comunidade Quilombola São João Batista, em Campo Grande, Rosana Cláudia Delfino ressaltou a importância do espaço dedicado às comunidades tradicionais no evento. Para ela, a iniciativa contribui para dar visibilidade às práticas já desenvolvidas no território e cria oportunidades de troca e reconhecimento. “Esse momento é muito importante porque traz à luz tudo aquilo que nós já fazemos dentro da comunidade e abre espaço para que a gente possa compartilhar nossas realizações. Ao mesmo tempo, fortalece também quem não é quilombola, promovendo integração, igualdade, respeito e valorização. É uma ação de grande relevância para dar visibilidade e reconhecimento ao nosso trabalho”, pontuou.

O painel foi mediado por Irineia Cesário, técnica da Subsecretaria de Promoção da Equidade Racial, que destacou a importância do momento dentro do Delas Day. “O ponto principal do empreendedorismo nas comunidades quilombolas é permitir que essas mulheres sejam donas do próprio negócio e consigam gerir aquilo que produzem dentro da comunidade. O empreendedorismo fortalece a autonomia, contribui para a organização da renda e impacta diretamente na vida delas e de suas famílias”, acredita.

Delas Day Empreendedorismo transforma realidades em comunidades indígenas e quilombolas
As participantes das comunidades foram levadas ao Delas Day por meio de caravanas organizadas pela SEC e Sebrae, ampliando o acesso ao evento e garantindo a presença de mulheres de diferentes territórios do Estado

As participantes das comunidades foram levadas ao Delas Day por meio de caravanas organizadas pela Secretaria de Estado de Cidadania e Sebrae, ampliando o acesso ao evento e garantindo a presença de mulheres de diferentes territórios. Foi o caso da professora de Jaraguari, Roseli de Fátima Varela. “O que me motivou a participar do painel foi ver de perto a força das mulheres das comunidades quilombolas. Fiquei encantada com a garra e a superação delas. Apesar de tudo o que já viveram, hoje estão conquistando espaço e se desenvolvendo no empreendedorismo. Isso é brilhante, é inspirador e também nos motiva a querer buscar novos caminhos e oportunidades”, finaliza.

Fonte: Sebrae MS