11/11/2015 06h40
Paulo Corrêa pede ajuda para fazer estudo em MS
Divulgação (TP)
A pedido do deputado Paulo Corrêa, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a atuação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em Mato Grosso do Sul ouviu nesta terça-feira o Desembargador do estado de Rorâima, Alcir Gursen de Miranda.
Autor de diversas obras contendo estudos e pesquisas sobre etnias indígenas, conflitos por terras no estado onde atua e avaliações jurídicas sobre a situação, Gursen, que é mestre e especialista em Direito e doutor em Ciências Jurídicas-Políticas, relatou como foi a demarcação das terras indígenas no Estado de Rorâima, que hoje ocupa mais de 60% do território total, além das atuação do CIMI no processo. O principal conflito registrado na região foi pela demarcação da reserva denominada Raposa Serra do Sol, homologada em 2005. Ao relatar o que presenciou em Rorâima, o desembargador afirmou que o CIMI manipula os povos indígenas e trabalha subsidiado por outros países, pelo controle das riquezas nas áreas invadidas.
“Muito cuidado com a manipulação dos dados, porque eles mentem […]. O CIMI é organizado, disciplinados, competentes, tem conhecimento do que estão fazendo, persistentes, intransigentes e agressivos. Em termos específicos seria isso”, declarou.
Ao depor na CPI do CIMI, a primeira no Brasil que investiga denúncias de que o CIMI incita violência e financia a invasão em propriedades rurais no Mato Grosso do Sul, o Desembargador contou detalhes do que descobriu durante os conflitos em seu Estado e afirmou que percebeu em Rorâima a intensa luta e participação da Igreja Católica na questão indígena, criticou a atuação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e a constitucionalidade das demarcações.
“Hoje o índio constitucionalmente não precisa da FUNAI para nada. Hoje o índio não tem tutela”, disse.
Sobre a suposta influência do CIMI, o desembargado afirmou que viu técnicas de guerrilha nos conflitos ocorridos em Rorâima, disse ter provas que serão entregues à CPI e ressaltou a forma organizada e inteligente como tudo é realizado.
“O que nós observamos foi o método de guerrilha utilizado pela Igreja Católica. Vimos uma cartilha de atuação dos indígenas, de 1977, onde mostra toda tática e a estratégia dessa luta. A tática com ataques permanentes a trabalhadores rurais e donos das fazendas. As estratégias seriam destruir cercas, roubar gado, matar gado e animais domésticos, flechando a barriga, minar toda a forma de existência dos trabalhadores rurais e outras situações bem peculiares. Isso tudo aconteceu em Rorâima”, relatou. Gursen pediu um prazo de 20 dias para encaminhar a cartilha à CPI.
Alcir Gursen também falou do privilégio e preferência das associações indígenas apoiadas pelo CIMI e atuantes em todo o território nacional. “O CIMI patrocinava e patrocina a criação de organizações indígenas no Brasil desde 1974. As organizações criadas são preferidas e únicas, com voz na FUNAI e outros órgãos. Em Rorâima criaram o CIR, Conselho Indigenista de Rorâima”, disse.
O desembargador chamou a atenção dos membros da CPI afirmando que as áreas invadidas são estrategicamente onde há riquezas. Em Rorâima, segundo ele, as reservas ficam em áreas onde há grande concentração de minério e em Mato Grosso do Sul o foco seria o Aquífero Guarani.
“Em Rorâima as áreas indígenas foram criadas, como é o casa de Raposa Serra do Sol, e ampliadas, como é o caso da Yanomani, visando envolver as grandes jazidas de minério. O que eu também vi em Rorâima foi as áreas indígenas no controle das nascentes dos rios. Em verdade é a busca do controle da água potável. Parece muita coincidência com Mato Grosso do Sul […]. O CIMI tem uma campanha, que eu chamo de tentáculos operacionais, com grandes projetos da Amazônia e do Brasil. Manipulam os povos indígenas contra projetos de desenvolvimento do país. A rodovia transamazônica é um exemplo”, garantiu.
O desembargador que visitou todas as comunidades indígenas do Estado onde reside, relatou que foi expulso de uma aldeia após a incitação dos índios. “Eu entrava e ficava à vontade. De repente quando eu faço uma visita com um jornalista para fechar uma pesquisa, tinham dois padres. Eles me cercaram e incitaram os índios contra a gente. Foi a única vez que eu tive problema diretamente com os índios”, disse.
No final da reunião os membros aprovaram a convocação do advogado do CIMI Anderson dos Santos para depor na CPI.



