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segunda-feira, 14 de setembro, 2026

Diagnóstico de Alex Escobar chama atenção para desafios no reconhecimento da miastenia gravis

Doença rara pode provocar sintomas que oscilam ao longo do dia e, por isso, frequentemente enfrenta atraso no diagnóstico; identificação precoce é importante para o manejo adequado da condição

O diagnóstico recente do jornalista Alex Escobar trouxe visibilidade para a miastenia gravis, uma doença neuromuscular crônica e autoimune, com prevalência global estimada entre 150 e 200 casos por milhão de pessoas1, ainda pouco conhecida pela população. A repercussão do caso abre espaço para ampliar a conscientização sobre os sinais da condição, os desafios para sua identificação e a importância do acesso a acompanhamento especializado.

A miastenia gravis ocorre quando o sistema imunológico produz anticorpos que interferem na comunicação entre nervos e músculos, resultando em diferentes graus de fraqueza muscular2. Embora seja considerada uma doença rara, seu impacto pode ser significativo na vida dos pacientes, afetando atividades cotidianas, relações sociais e desempenho profissional3. No caso de Escobar, o estopim para a investigação médica ocorreu após manifestar mal-estar e dificuldades na fala2, durante uma transmissão ao vivo.

Diagnóstico ainda é um dos principais desafios

Um dos maiores obstáculos enfrentados pelos pacientes é o reconhecimento precoce da doença. Como os sintomas podem variar de intensidade ao longo do dia e se assemelhar a outras condições, muitas pessoas percorrem uma longa jornada até obter um diagnóstico definitivo3.

Segundo o Dr. Marcondes Cavalcante França Junior, coordenador do programa de pós-graduação em fisiopatologia médica da Unicamp, dados da instituição mostram que o atraso diagnóstico pode chegar, em média, a dois anos. “Infelizmente, essa demora passa a ser a regra e não a exceção. A forma que temos para minimizar esse atraso é conscientizar e educar tanto a população quanto os profissionais de saúde sobre os sintomas da doença e os métodos diagnósticos disponíveis”, afirma o especialista.

Conhecer os sintomas é fundamental

A miastenia gravis pode se manifestar inicialmente por sinais muitas vezes pouco valorizados. Entre os sintomas mais frequentes estão3:

  • Queda das pálpebras (ptose palpebral);
  • Visão dupla ou embaçada;
  • Dificuldade para falar;
  • Dificuldade para mastigar ou engolir;
  • Fraqueza nos braços, pernas e pescoço;
  • Cansaço muscular que piora com o esforço e melhora com o repouso;
  • Em situações mais graves, comprometimento da respiração.

A doença pode se apresentar de forma ocular, quando os sintomas se restringem aos músculos dos olhos, ou como miastenia gravis generalizada (MGg), que acomete outros grupos musculares e costuma estar associada a maior impacto funcional e risco de complicações4.

Manejo terapêutico e perspectivas do paciente

Embora a miastenia gravis ainda não tenha cura, os avanços científicos observados nos últimos anos têm ampliado as alternativas terapêuticas disponíveis para pacientes elegíveis. O manejo da doença pode incluir diferentes abordagens, como medicamentos, acompanhamento multidisciplinar e, em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos4.

Nesse cenário, a chegada de novas alternativas terapêuticas representa um marco importante para a comunidade de pacientes. Em abril de 2026, a Anvisa aprovou o medicamento Rystiggo® (rozanolixizumabe), desenvolvido pela UCB Biopharma, para pacientes elegíveis com miastenia gravis generalizada, conforme indicação em bula5. O tratamento representa uma nova alternativa terapêutica para adultos com anticorpos anti-AChR e/ou anti-MuSK5. O rozanolixizumabe atua sobre um mecanismo imunológico associado à manutenção dos anticorpos envolvidos na doença, contribuindo para a redução desses anticorpos circulantes. Essa abordagem amplia as possibilidades terapêuticas atualmente disponíveis para pacientes elegíveis com miastenia gravis generalizada5.

Informação e apoio fazem diferença

Para a presidente da Associação Brasileira de Miastenia (ABRAMI), Andréa Amarante, casos com grande repercussão pública, como o do Alex Escobar, ajudam a tirar a miastenia do esquecimento e trazem esperança aos diversos pacientes no Brasil. “Nossa luta diária na associação é para que as pessoas encontrem diagnóstico correto rápido, informação de qualidade e acolhimento. Saber que existem novas opções terapêuticas e cirúrgicas que podem ser capazes de devolver a funcionalidade ao paciente nos enche de otimismo”, ressalta.

Fonte: Cristina Camarena