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segunda-feira, 13 de julho, 2026

Disputa por gestão de Hospital Regional em Ponta Porã envolve diferença de R$ 25 milhões e acirra concorrência

Com valor mensal R$ 417 mil menor, ISAC destaca resultados assistenciais, redução de filas e reconhecimentos nacional e internacional em gestão

A disputa pela gestão definitiva do Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, em Ponta Porã, entrou em fase decisiva e passou a chamar atenção pelo contraste entre as propostas financeiras apresentadas pelas organizações classificadas. O processo seletivo (Chamamento Público nº 001/2025) colocou em lados opostos duas realidades: de um lado, a proposta apresentada pela atual gestora emergencial; de outro, uma proposta que projeta economia superior a R$ 25 milhões ao longo do contrato.

Na fase financeira da concorrência, o Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), organização social com 15 anos de atuação e sede em Brasília (DF), apresentou uma proposta mensal de R$ 8.859.405,68 para gerir a unidade. O valor é significativamente menor que o apresentado pelo Instituto Social Mais Saúde (ISMS), atual gestor do hospital, que cobrou R$ 9.276.788,50 por mês. A diferença é de R$ 417.382,82 mensais. Em termos anuais, a economia para o Estado ultrapassa os R$ 5 milhões, podendo gerar uma folga de R$ 25 milhões nos cofres públicos ao longo dos cinco anos de contrato. Na prática, essa diferença se traduz em recursos que podem ser revertidos na compra de medicamentos, exames e abertura de novos leitos na própria região de Ponta Porã.

O fator eficiência:

Menos fila, mais cirurgias Para além das cifras, o debate ganha corpo quando analisados os indicadores assistenciais das organizações. O ISAC tem usado como principal argumento o seu histórico recente em hospitais públicos, maternidades e UPAs de outras regiões do país, onde conseguiu expandir o atendimento reduzindo custos e filas.

No Hospital Regional Chagas Rodrigues, no Piauí, a gestão do instituto resultou em um salto de 125,1% no número de cirurgias eletivas no comparativo entre os períodos de janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026. Já no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba (PI), o tempo médio de espera do paciente por uma cirurgia caiu de 60 para apenas 22 dias.

Outro indicador relevante apresentado pela instituição refere-se à segurança assistencial. No Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba (PI), a taxa de infecção hospitalar, que registrava índices superiores a 80% antes da reestruturação dos processos assistenciais, foi reduzida e estabilizada em uma média próxima de 4%, resultado atribuído ao fortalecimento dos protocolos de segurança do paciente, controle de infecções e monitoramento permanente dos indicadores assistenciais.

O desempenho rendeu ao grupo credenciais de peso. Em janeiro de 2026, duas das unidades geridas pela instituição (o HEDA, no Piauí, e o Hospital Municipal de Araguaína, no Tocantins) foram integradas à prestigiada lista dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil, ranking que avalia eficiência, governança e satisfação dos usuários.

Certificações inéditas A estratégia do ISAC para carimbar sua capacidade técnica em Mato Grosso do Sul está ancorada em um portfólio de premiações que quebrou monopólios históricos na saúde. No Piauí, por exemplo, o HEDA, sob sua governança, cravou um marco histórico ao se tornar o primeiro hospital público de todo o estado a conquistar a certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA).

O padrão se repete no Nordeste, onde os únicos dois Prontos Atendimentos certificados com o nível máximo de excelência (ONA Nível 3) em toda a região são geridos pelo ISAC: as UPAs Benedito Bentes e Trapiche da Barra, em Maceió (AL). Na mesma capital, o Hospital da Cidade também atingiu o topo da certificação ONA 3, feito inédito na rede pública de Alagoas, somando-se à metodologia internacional Qmentum Gold, que audita a segurança do paciente em padrões globais, e ao selo UTI Top Performer 2026.

O instituto também acumula reconhecimentos na área de gestão de pessoas. Atualmente, cinco unidades administradas pelo ISAC possuem certificação GPTW (Great Place to Work). Em 2025, a UPA Santa Lúcia, em Maceió (AL alcançou o 1º lugar nacional na categoria Hospitais de Médio e Grande Porte, superando instituições tradicionais da saúde brasileira, como o Hospital Israelita Albert Einstein e unidades do sistema Unimed. O reconhecimento valida o argumento do instituto de que a eficiência fiscal caminha de mãos dadas com a valorização profissional.

Inovação, acessibilidade e segurança do paciente

O instituto também recebeu reconhecimento nacional pelo Projeto Íris, iniciativa desenvolvida para ampliar a acessibilidade em exames de imagem para pessoas com deficiência e pacientes neurodivergentes. O projeto promove adaptações no ambiente assistencial e nos fluxos de atendimento, proporcionando uma experiência mais acolhedora, segura e humanizada durante a realização dos exames.

A iniciativa tornou-se uma das principais referências da instituição em inovação assistencial e humanização do cuidado, demonstrando que eficiência operacional, inclusão e qualidade da experiência do paciente podem caminhar juntas na gestão pública de saúde.

Economia para os cofres públicos

Além dos resultados assistenciais apresentados, a proposta financeira do ISAC representa uma economia significativa para o Estado. A diferença superior a R$ 5 milhões por ano poderá ser revertida em investimentos diretamente relacionados ao atendimento da população, como aquisição de medicamentos, compra de equipamentos, contratação de profissionais, realização de exames, ampliação de cirurgias, abertura de novos leitos e melhorias estruturais na unidade hospitalar. Desempenho, qualidade e economicidade O Instituto Saúde e Cidadania reúne um conjunto de indicadores recentes que incluem crescimento da produção hospitalar, redução de filas, aumento de cirurgias eletivas, certificações ONA e Qmentum, reconhecimento em terapia intensiva, inovação em acessibilidade e hospitais classificados entre os melhores do país. Com a fase final do chamamento público em andamento, a escolha da nova gestora segue considerando critérios de desempenho, capacidade operacional, segurança assistencial, qualidade da gestão e correta aplicação dos recursos públicos.

A comissão responsável pelo chamamento segue analisando os critérios técnicos e financeiros previstos no edital. A definição da organização que assumirá a gestão definitiva do Hospital Regional de Ponta Porã deverá ocorrer após a conclusão das etapas previstas no processo seletivo.