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segunda-feira, 25 de maio, 2026

Dourados concentra quase metade das mortes por chikungunya do país

A nova vítima suspeita é um homem de 71 anos.

Dourados atualmente investiga quatro mortes suspeitas por chikungunya. Considerada o epicentro da doença em Mato Grosso do Sul, a cidade contabiliza 12 mortes confirmadas e 4.306 casos da doença. O número de óbitos representa 44% — ou seja, quase metade — das 27 mortes registradas em todo o Brasil neste ano.

A nova vítima suspeita é um homem de 71 anos. Outros três óbitos que seguem em investigação envolvem pacientes de 74, 50 e 84 anos. Todos eram não indígenas e moradores da área urbana de Dourados.

Neste ano, o município já registrou 8.904 notificações da doença. Desse total, 4.879 casos são considerados prováveis, 4.306 foram confirmados, 573 seguem em investigação e 4.025 acabaram descartados, conforme dados do boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (25).

Atualmente, 28 pacientes permanecem internados com suspeita ou confirmação de chikungunya. A taxa de positividade dos exames é de 51%, indicando que mais da metade das pessoas testadas com sintomas receberam diagnóstico positivo para a doença.

MS concentra sete a cada dez mortes do país

A situação também preocupa no restante de Mato Grosso do Sul. Em 2026, o Estado já confirmou 19 mortes por chikungunya, o equivalente a 70,4% dos 27 óbitos registrados no Brasil. Na prática, sete a cada dez brasileiros mortos pela doença são sul-mato-grossenses.

A morte mais recente confirmada no Estado é de uma mulher de 53 anos, moradora de Guia Lopes da Laguna, município a 234 quilômetros de Campo Grande. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, ela foi internada com sintomas respiratórios e morreu no dia 14 de maio. No entanto, o resultado laboratorial que confirmou chikungunya como causa da morte só foi divulgado na última quinta-feira (21). A paciente tinha comorbidades.

Dourados lidera o número de mortes no Estado, com 12 registros. Em seguida, aparecem Bonito e Jardim, com dois óbitos cada. Fátima do Sul, Guia Lopes da Laguna e Douradina registraram uma morte cada. Fora de Mato Grosso do Sul, os demais óbitos por chikungunya em 2026 foram registrados em Goiás (2), São Paulo (2), Rondônia (1), Mato Grosso (1), Bahia (1) e Minas Gerais (1).

Nos últimos dez anos, Mato Grosso do Sul contabilizou 24 mortes por chikungunya — sendo 17 em 2025, uma em 2024 e três em 2023 e 2018. Com isso, em menos de cinco meses, 2026 já representa 79% de todas as mortes pela doença registradas na última década no Estado.

O que é a chikungunya

Dourados concentra quase metade das mortes por chikungunya do país
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Fonte: Midiamax