Ministério da Saúde mantém vigilância reforçada diante de duas suspeitas simultâneas de Ebola no país.
A Secretaria Municipal do Rio de Janeiro passou a investigar, neste sábado (30), um caso suspeito de Ebola envolvendo um viajante vindo de Uganda, logo após a confirmação de outra caso semelhante notificado em São Paulo no mesmo dia.
Os resultados laboratoriais dos dois pacientes são aguardados para a próxima semana e poderão definir se o país registra, pela primeira vez, casos do vírus em território nacional.
Segundo caso suspeito de Ebola no Brasil envolve cepa raraFoto: Reprodução/ND Mais
A Secretaria Municipal do Rio de Janeiro passou a investigar, neste sábado (30), um caso suspeito de Ebola envolvendo um viajante vindo de Uganda, logo após a confirmação de outra caso semelhante notificado em São Paulo no mesmo dia.
Os resultados laboratoriais dos dois pacientes são aguardados para a próxima semana e poderão definir se o país registra, pela primeira vez, casos do vírus em território nacional.
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O novo alerta ocorre em meio à preocupação internacional com o avanço de um surto da doença em países africanos.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os episódios representariam não apenas os primeiros registros de Ebola no Brasil, mas também os primeiros casos identificados fora da África desde o início da atual onda de transmissão.
Segundo caso suspeito de Ebola no Brasil
Segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o paciente investigado é um cidadão belga que chegou ao Brasil após passar por Uganda, uma das nações afetadas pelo surto em curso.
De acordo com a administração municipal, exames realizados no Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz apontaram resultado positivo para malária.
Apesar disso, a hipótese de Ebola continua sendo analisada, e pessoas que tiveram contato com o paciente estão sendo acompanhadas de forma preventiva.
São Paulo monitora paciente sob suspeita
No mesmo dia, a Prefeitura de São Paulo informou que apura um caso envolvendo um homem de 37 anos que esteve recentemente na República Democrática do Congo, país que concentra a maior parte das ocorrências ligadas ao atual surto.
O paciente apresentou febre, foi submetido a exames no Instituto Adolfo Lutz, e o resultado identificou a bactéria Neisseria meningitidis, responsável pela meningite meningocócica.
Segundo informações da BBC, ele permanece internado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade especializada no atendimento de doenças infecciosas.
Brasil nunca registrou caso confirmado da doença
Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil jamais confirmou um caso de Ebola desde que a doença passou a ser monitorada internacionalmente.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que, até 27 de maio, haviam sido contabilizados na República Democrática do Congo:
- 906 casos suspeitos da doença;
- 223 mortes entre os casos suspeitos;
- 134 casos confirmados, incluindo nove em Uganda;
- 18 mortes entre os casos confirmados.
O cenário mantém autoridades sanitárias em estado de atenção devido ao potencial de disseminação internacional do vírus.
Sintomas se parecem com outras infecções
A identificação da doença pode ser dificultada porque os sintomas iniciais são semelhantes aos de diversas enfermidades infecciosas.

Entre os sinais mais comuns estão febre alta, dores musculares, dor de cabeça intensa, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais. Os sintomas podem surgir entre dois e 21 dias após a infecção e, em alguns casos, evoluir para quadros mais graves com hemorragias.
Por essa razão, além da avaliação clínica, o histórico de viagens e possíveis exposições ao vírus é considerado fundamental para a investigação de casos suspeitos.
Ministério da Saúde reforça vigilância
Embora as autoridades avaliem que o risco de transmissão no Brasil seja baixo, o Ministério da Saúde decidiu ativar o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais.
O protocolo prevê medidas como monitoramento de viajantes procedentes de áreas afetadas, isolamento de pacientes suspeitos, rastreamento de contatos e ampliação da vigilância epidemiológica.
O documento também estabelece a possibilidade de uma nova coleta de sangue 48 horas após o primeiro exame, mesmo quando o resultado inicial for negativo.
As autoridades destacam que o Ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, geralmente quando elas já apresentam sintomas.
Além disso, o plano não determina fechamento de fronteiras nem restrições a viagens ou atividades comerciais.
Surto atual desafia especialistas
Segundo a BBC, o atual surto é provocado pela espécie Bundibugyo do vírus Ebola, considerada rara e sem vacina aprovada até o momento.
Especialistas enfrentam dificuldades adicionais porque testes laboratoriais desenvolvidos para cepas mais comuns podem não detectar imediatamente essa variante, além de não existem medicamentos específicos voltados para essa espécie do vírus.
Outro fator de preocupação é que o surto ocorre em uma região marcada por conflitos e deslocamentos populacionais. Estima-se que cerca de 250 mil pessoas tenham deixado suas residências, enquanto a movimentação frequente entre fronteiras aumenta os desafios para o controle da doença.
Fonte: R7

