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domingo, 26 de abril, 2026

Eddson Contar, o paladino  da história, por Rosildo Barcellos

Em cada canto que se faz novo, eu me apego,

Em novos sonhos de esperanças eu navego,

Qual marinheiro aventureiro eu me entrego,

Num viajar sem fim que é meu destino,

Buscar, no etéreo, o amor perfeito que imagino,

Seja o mais puro e, ao mesmo tempo, libertino.

E nessa busca, vai passando a existência…

Nas minhas rugas escrevendo ilusões,

A solidão desenha um quadro de demência,

Carência pura de impuras conclusões.

Em cada canto, um novo canto, um velho cisma,

Um duvidar, uma certeza, um sofrimento,

Um castigar a velha alma escravizada,

Abandonada na tristeza e no lamento.

E, nessa busca ambiciosa, o desenlace,

A conclusão , a solução, cruel verdade.

Minha procura não terá fim nesta existência,

Nem na vivência de toda uma eternidade.

Hoje falo um pouco do Eddson Carlos Contar, o poema acima denominado “busca” é um de seus meandros. Fez muitos sambas enredo até que se tornou o homenageado. Não era para menos “Allkontar” é um multifacetado cidadão, primeiro em diversas áreas. Encontrei-o de repente caminhando pelas calçadas, como faço sempre e de repente  fui agraciado com um de seus livros, devidamente autografado. Eu lembrei a ele da sua importância para o nosso estado e agradeci o autógrafo. Para quem não lembra dia 28 de maio de 1979. Esta é a data de criação do primeiro órgão estadual voltado para o fomento do turismo de Mato Grosso do Sul através do Decreto nº 132. Edson Carlos Contar, que presidiu a Turisul na gestão de 1979 a 1980 e MSTur na gestão de 1981 a 1983;

Mas o que gosto de ouvir é o que ele sabe da história da capital. Ele conta que seu bisavô e fundador, realizou o seu sonho de transformar o local em um arraial, trazendo amigos e familiares para fazer com que o espaço se tornasse futuramente uma cidade. “A família cresceu e assim ele fez a divisão de terras entre os filhos. No final, ele se recolheu em sua fazenda, que fica localizada no Parque dos Poderes, muitos se engam achando que sua residencia era no museu José Antônio Pereira, mas ali ele construiu a fazenda Balsamo e deu ao filho dele, meu avô”,  Uma grande parte da população acredita que Campo Grande foi fundada no dia 26 de agosto de 1899, mas nesse dia ocorreu a emancipação do município, a fundação ocorreu no dia 21 de junho de 1872. Aliás Edson Contar que conhece muito de Campo Grande, informa que  em 1899 o que ocorreu foi a elevação da “Parochia” de Campo Grande à condição de Villa, constituindo-se um município na comarca de Nioaque, conforme Resolução nº 225 de 26 de agosto de 1899, assinada pelo Cel Pedro Alves de Barros, presidente do estado de Mato Grosso, dando à Campo Grande sua emancipação político administrativa, com status de município…

Antes porém, em 23 de novembro de 1889, dez anos antes, a lei nº 792, assinada pelo Cel Ernesto Augusto da Cunha Mattos, elevava Campo Grande à categoria de Freguesia, com a denominação de Santo Antonio de Campo Grande, subordinada ao município de Miranda, tratando esta lei dos limites da Freguesia. Já em 1910, no dia 20 de julho, o Cel Pedro Celestino Corrêa da Costa assinava a Lei 549, criando aqui a Comarca de Campo Grande, com sede na Villa de Campo Grande.

Na mesma lei, gozaram do mesmo benefício as Villas de Aquidauana, Bela Vista e a de Santo Antonio do Rio Abaixo, no norte do Estado.A Comarca de Campo Grande incorporava o distrito de Vacaria. Somente em 16 de julho de 1918, pela Lei de nº 772, assinada por Dom Francisco de Aquino Corrêa, Bispo de Prusiade e Presidente do estado de Matto Grosso, a Villa de Campo Grande é elevada à categoria de CIDADE. Meu prezado Contar. Só um bate papo já saiu um artigo inteiro. E agora o que faremos?  Em breve uma outra conversa: Vida longa a Eddson Contar !

* Rosildo Barcellos, Articulista