Para quem paga impostos e depende dos serviços públicos, a discussão sobre o tamanho da estrutura administrativa do Estado pode parecer distante. O que chega à vida cotidiana é outra medida: a capacidade de transformar dinheiro público em escola funcionando, atendimento de saúde, segurança, saneamento, estradas, habitação, tecnologia e serviços que resolvam problemas. É nesse ponto — entre o recurso arrecadado e aquilo que efetivamente retorna à população — que a eficiência da máquina pública deixa de ser um conceito técnico e passa a ter significado concreto.
É também a partir dessa lógica que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, planeja o futuro do Estado. Em vez de tratar eficiência apenas como redução de estruturas ou despesas, o Plano de Governo coloca o tema dentro de uma agenda mais ampla: planejamento, gestão orientada por resultados, qualidade do gasto, transformação digital, uso de dados, gestão de pessoas e melhoria das compras públicas. A proposta é construir um Estado mais ágil e capaz de responder às demandas da sociedade sem perder de vista a sustentabilidade financeira.
A questão central, portanto, não está simplesmente em quanto a administração custa, mas no retorno produzido por aquilo que gasta. Para Riedel, o desafio do próximo mandato será preservar a capacidade de investimento conquistada nos últimos anos e, ao mesmo tempo, elevar a produtividade da estrutura pública. O objetivo é passar de uma situação de responsabilidade fiscal equilibrada para uma etapa de maior excelência na gestão das contas e, sobretudo, na escolha de onde e como aplicar os recursos públicos.
Equilíbrio fiscal como ponto de partida
São muitos os indicadores que sustentam que Mato Grosso do Sul chega a essa nova etapa com uma base fiscal e administrativa consolidada.
O Estado obteve Nota A do Tesouro Nacional pelo quarto ano consecutivo na avaliação da qualidade fiscal, conquistou pelo terceiro ano seguido o Selo Diamante de transparência da Atricon, aparece entre os dez estados mais digitais do país, com mais de 700 serviços. Vale registrar também a implantação de um modelo de gestão por resultados com indicadores acompanhados em tempo real.
Outro indicador diretamente ligado ao debate sobre capacidade de investimento é a taxa de investimento público de Mato Grosso do Sul: quase três vezes a registrada pelo governo central. Esse dado ajuda a explicar por que a preservação dessa capacidade ocupa lugar relevante na estratégia de Riedel para os próximos quatro anos.
A preocupação não aparece apenas em um cenário de crescimento das receitas. A robustez das contas estaduais permitiu enfrentar uma queda inesperada na arrecadação proveniente do gás e impactos de quebras de safra provocadas por problemas climáticos nos últimos anos. A administração reduziu gastos para preservar a responsabilidade fiscal e sustenta que, no próximo ciclo, será necessário avançar além desse equilíbrio.
É nessa passagem que surge uma das formulações mais importantes do Plano de Governo protocolado na semana passafa. A proposta é estruturar uma gestão do gasto capaz de considerar relevância, impacto, custos e esforços antes da alocação dos recursos, buscando assegurar maior retorno social para cada real aplicado. O próprio documento resume o objetivo como “fazer mais, com menos recursos e da melhor forma possível”.
Isso não significa transformar o corte de despesas em um fim em si mesmo. A lógica é outra: gastar com mais critério. Um Estado pode reduzir uma despesa e ainda assim perder eficiência caso comprometa um serviço essencial; da mesma maneira, pode gastar mais em determinada área e obter retorno social superior se a decisão estiver apoiada em planejamento, avaliação e evidências. A qualidade do gasto passa, portanto, pela capacidade de distinguir custo de desperdício e economia de simples redução de entrega.
Do equilíbrio das contas à qualidade de cada gasto
Para 2027–2030, Riedel propõe aprofundar os mecanismos que determinam como o dinheiro público é planejado, distribuído, executado e avaliado. Entre as medidas estão o aprimoramento das previsões orçamentárias, o monitoramento permanente da eficiência e da conformidade dos gastos e o fortalecimento do sistema de controle de custos da administração.
O plano prevê também ampliar a utilização de análises de custo-benefício nas decisões sobre programas, projetos e investimentos. Outra proposta é aumentar a aderência entre planejamento e orçamento, evitando que as prioridades definidas pelo governo caminhem separadamente da efetiva distribuição dos recursos. A revisão periódica das despesas, o incentivo à inovação para elevar a produtividade administrativa e o acompanhamento da execução orçamentária e das metas completam essa agenda.
Na prática, esse modelo procura introduzir uma pergunta permanente antes e depois de cada política pública: o recurso aplicado está produzindo o resultado esperado?
A gestão por resultados já aparece no plano como uma trajetória iniciada no atual mandato. O documento cita o fortalecimento do planejamento estratégico, do plano plurianual, dos Contratos de Gestão, da Inteligência GOVMS e do monitoramento de programas. Para o próximo ciclo, a intenção é aprofundar essa estrutura e tornar permanente uma cultura institucional baseada em indicadores, avaliação de efetividade e decisões apoiadas por dados e evidências.
É uma mudança importante de perspectiva. Em vez de medir a administração apenas pelo volume de recursos executados ou pelo número de ações realizadas, o modelo proposto procura dar maior peso ao resultado efetivamente entregue. O orçamento deixa de ser apenas um instrumento contábil e passa a ser tratado como parte do planejamento da política pública.
Tecnologia e compras para reduzir desperdícios
A transformação digital entra nessa estratégia não como objetivo isolado, mas como instrumento para diminuir burocracia, acelerar processos e liberar capacidade administrativa.
Riedel reconhece que digitalizar um procedimento ruim não necessariamente o torna eficiente. Por isso, propõe revisar e simplificar processos administrativos antes da digitalização. A agenda inclui digitalização integral dos principais serviços estaduais, integração de plataformas, ampliação do uso de inteligência artificial, automação e mecanismos de autoatendimento.
Os dados também ganham função mais sofisticada. O Estado pretende integrar bases governamentais, desenvolver painéis gerenciais, ampliar a inteligência analítica e utilizar informações não somente para acompanhar aquilo que já aconteceu, mas para antecipar demandas e desenvolver uma gestão preditiva. Em termos administrativos, isso significa tentar identificar necessidades antes que elas se transformem em gargalos e direcionar recursos com maior precisão.
Outra frente relevante está nas compras públicas. Todo governo é também um grande comprador de produtos, obras e serviços, e a diferença entre uma contratação mal planejada e uma compra eficiente pode representar desperdício ou ganho significativo de capacidade de entrega.
Para o próximo mandato, o plano prevê consolidar o planejamento anual das contratações, ampliar soluções digitais ao longo de todo o processo de compras, fortalecer a gestão dos contratos baseada em desempenho e resultados e expandir compras compartilhadas para obter ganhos de escala. Também pretende utilizar indicadores para acompanhar a execução contratual e desenvolver inteligência de mercado para subsidiar as aquisições.
A lógica novamente não se resume a procurar sempre o menor gasto. Comprar melhor significa estabelecer com mais precisão aquilo que o Estado precisa, planejar a contratação, acompanhar a execução e medir o que foi efetivamente entregue. Uma contratação barata que não resolve o problema pode custar mais ao contribuinte do que um contrato adequadamente planejado e fiscalizado.
Eficiência com valorização dos servidores
A busca por eficiência não é uma política de confronto com os servidores. Ao contrário. “A modernização da administração pública passa necessariamente pela valorização das pessoas, servidores que fazem o Estado acontecer”, diz o governador.
Para 2027–2030, a proposta é combinar maior cobrança por desempenho com investimento no desenvolvimento profissional. Estão previstas uma política permanente de formação de lideranças, capacitação continuada, aperfeiçoamento da gestão por competências, mecanismos de avaliação e monitoramento de desempenho e ambientes de trabalho que estimulem inovação, colaboração e sucessão. O documento inclui ainda ações voltadas à valorização, segurança, saúde e bem-estar dos servidores.
Essa combinação é decisiva para o modelo que Riedel apresenta. Tecnologia sem servidor capacitado pouco transforma. Indicadores sem equipes capazes de interpretá-los não melhoram decisões. Controle de despesas sem compreensão do funcionamento das políticas públicas pode produzir apenas cortes. E planejamento sem execução permanece no papel.
No fim, a discussão sobre eficiência administrativa retorna ao ponto em que começou: a vida de quem está do outro lado do balcão público. Responsabilidade fiscal importa porque permite ao Estado continuar investindo. Controle de custos importa porque reduz o espaço do desperdício. Dados, digitalização e compras melhores importam porque podem fazer cada recurso produzir mais resultado.
Riedel propõe transformar o equilíbrio fiscal alcançado até aqui em uma etapa mais exigente: não apenas manter as contas sob controle, mas examinar com maior rigor a qualidade de cada gasto e o resultado de cada política. Se essa arquitetura funcionar como projetada, a eficiência da máquina pública deixará de ser medida simplesmente pelo que o Estado gasta para ser julgada, sobretudo, por aquilo que consegue devolver à população.
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Eduardo Penedo
Assessoria de Comunicação do Partido Progressista de Mato Grosso do Sul

