À medida que o Brasil se aproxima das eleições de 2026, especialistas apontam cinco áreas cruciais que dominarão o debate político e exigirão decisões firmes dos futuros líderes: educação, segurança pública, saúde mental, agronegócio e meio ambiente. Estes setores não apenas moldarão as políticas públicas, mas também influenciarão diretamente a vida dos cidadãos e o desenvolvimento do país.
As discussões em torno desses temas vão desde a manutenção e aprimoramento de programas existentes até a alocação de recursos orçamentários e a criação de novas leis e estratégias de longo prazo. A Rádio Câmara, através de sua série especial “Painel Eletrônico”, tem promovido debates aprofundados com a participação de diversos especialistas, abordando desde o financiamento educacional e a integração das forças de segurança até as políticas de saúde mental, o suporte ao agronegócio e o cumprimento de metas ambientais, incluindo a transição energética.
Educação: prioridade nacional para 83% dos brasileiros
A educação desponta como uma das maiores preocupações da população, segundo Talita Nascimento, diretora de relações governamentais do Todos pela Educação. Temas como alfabetização, valorização docente e a qualidade do aprendizado estão no centro das atenções. Uma pesquisa do Instituto Ideia, encomendada por entidades da sociedade civil, revelou que 71% dos eleitores consideram as ações governamentais na educação ao decidir seu voto, e 83% defendem que o setor esteja entre as três principais prioridades dos próximos governantes. Nascimento enfatiza que a educação é vista como prioritária pela população, especialmente por aqueles diretamente impactados pela qualidade do ensino público. A implementação do Novo Plano Nacional de Educação, aprovado recentemente e com metas para os próximos anos, exigirá atenção contínua dos eleitos.
Segurança Pública: integração e combate à corrupção como chaves
Lucas de Oliveira Jaques, consultor legislativo da Câmara dos Deputados, ressalta que o enfrentamento da criminalidade, especialmente de organizações criminosas e o controle de fronteiras, demanda ações coordenadas entre os governos federal e estaduais. A integração das forças de segurança, já prevista na Lei do Sistema Único de Segurança Pública e potencialmente fortalecida por futuras propostas legislativas como a PEC da Segurança Pública e a criação de um Ministério da Segurança Pública, é vista como fundamental. Contudo, Jaques alerta que a eficácia dessa integração é minada pela corrupção de agentes públicos. Embora o aumento de penas possa responder a anseios sociais, não é uma solução isolada. A divisão de responsabilidades entre os entes federativos, incluindo a gestão prisional e o policiamento, e o papel do Legislativo na definição de leis e orçamentos, são cruciais para a melhoria da segurança no país.
Saúde Mental: do esquecimento à pauta política
Bruno Ziller, gerente-executivo do Instituto Cactus, destaca a necessidade de dar maior visibilidade à saúde mental nas campanhas eleitorais. Tradicionalmente negligenciado, o tema precisa ser integrado às discussões sobre educação, segurança, meio ambiente e emprego. Ziller observa que, embora a saúde mental esteja ganhando espaço no discurso político, ainda é abordada de forma genérica. O Instituto Cactus tem trabalhado para informar eleitores e candidatos sobre a política pública de saúde mental, marcos legais e a Rede de Atenção Psicossocial, propondo ações concretas para os próximos anos. A conexão entre saúde mental e outros aspectos da vida social e econômica é inegável e deve ser tratada de forma transversal.
Agronegócio: crédito, seguro e sustentabilidade em foco
O agronegócio, pilar de aproximadamente 25% do PIB nacional, é presença constante nos programas de governo. Luiz Rodrigues, consultor legislativo do Senado, aponta que o crédito à agricultura familiar e o seguro rural são pontos centrais nas propostas. A volatilidade do mercado de commodities e eventos climáticos recentes, como o El Niño, intensificaram a necessidade de apoio financeiro e de instrumentos como a recuperação judicial, que, apesar de essencial para algumas empresas, reflete dificuldades em toda a cadeia produtiva. O aumento de 22% nos pedidos de recuperação judicial no setor no primeiro trimestre de 2026 é um indicativo preocupante. Em contrapartida, a transição energética abre novas oportunidades com a expansão da produção de etanol de milho e combustível sustentável de aviação (SAF), com potencial para novos negócios, inclusive para pequenos produtores.
Meio Ambiente: cumprir metas e superar contradições
Rafael Vargas Marques, consultor legislativo da Câmara, enfatiza a urgência no cumprimento dos compromissos ambientais internacionais, como a redução das emissões de gases de efeito estufa e o fim do desmatamento ilegal até 2030. Apesar de a legislação ambiental brasileira ser avançada, sua aplicação efetiva enfrenta desafios. Marques aponta a contradição entre o discurso e a prática como um obstáculo, exigindo ações concretas e coerentes com a agenda ambiental. A complexidade dos problemas ambientais, que demandam tanto ações de curto prazo quanto planejamento de longo ciclo, é agravada pela insegurança jurídica, exemplificada pela judicialização de normas e a indefinição sobre a Nova Lei do Licenciamento Ambiental. Ele defende que os recursos destinados à fiscalização ambiental e ao combate às mudanças climáticas sejam vistos como investimentos essenciais para o futuro do país.

