07/03/2014 18h
Dr. Zaloar diz que no Brasil já deveria ser utilizada a pratica do voto facultativo
Douradosnews
O entrevistado desta semana é juiz eleitoral da 18º Zona Eleitoral de Dourados, Zaloar Murat Martins de Souza, ele que também é magistrado da Vara da Infância e Juventude.
Nascido em Cruz Alta-RS, mora no município há 25 anos e falou ao Dourados News sobre a campanha para que os eleitores regularizem ou tirem a primeira via do titulo. Atualmente, em torno de 145 mil pessoas votam na cidade.
Ainda durante a entrevista, o juiz diz que no Brasil já deveria ser utilizada a pratica do voto facultativo (não obrigatório), pois a população já está preparada para escolher seus representantes.
“Eu penso que nosso voto deveria ser facultativo, pois o brasileiro de uma forma em geral já amadureceu o suficiente para entender o que é certo e errado[…], Penso que o voto facultativo é uma forma muito valida e que já deveria estar se pensando em aplicar ao nosso país” afirmou o magistrado.
Confira a entrevista:
Dourados News: Qual é o atual quadro eleitoral de Dourados, está em um patamar proporcional ao número de habitante?
Zaloar Martins – É um percentual dentro dos padrões da normalidade. Hoje se tem um percentual de eleitor em relação à população de no máximo 70%, tanto é, que alguns municípios que vinham ultrapassando essa quantia o Tribunal Eleitoral fez um levantamento para ver o que estava acontecendo, porque é anormal quando o percentual ultrapassa essa estimativa. São números muito elevados que passam a chamar a atenção principalmente por ser muito a cima do número da população.
D.N – O senhor acredita que o fato de Dourados ser uma cidade universitária e ter os moradores em trânsito, isso atrapalha na contabilidade de eleitores?
Z.M – É essa campanha que nós das Zonas Eleitoras estamos desencadeando em parceria com a Aced [Associação Comercial e Empresarial de Dourados], visa chamar esses estudantes para que se inscrevam aqui em Dourados. Quanto à transitoriedade eu não vejo problema, já que alguns vêm ficam quatro ou cinco anos e vão embora, outros já estão entrando. Então o estudante não tem como alegar que mora em outra cidade e que está aqui só por um tempo, porque perante o código civil você pode ter duas residências, e outra, o temporário do estudante é por alguns anos, então não é problema algum em transferir o título para o local que está residindo .
D.N – Seria um “dano” para sociedade e para o sistema eleitoral, quando esse estudante que mora aqui e vota em outra cidade, deixa de comparecer no local no dia da eleição?
Z.M – Eu creio que sim, é um dever de cidadania o direito de voto e escolher seus representantes. Tanto é que há anos se combate o voto nulo e branco. Acho que o cidadão não tem essa desculpa que não tem escolha, que as opções são ruins, pois se o povo não votar não haverá democracia. E mesmo com muito problema a democracia ainda é um ótimo sistema que o regime ditatorial.
D.N – Esta campanha que está sendo realizada em Dourados, além de aumentar o número de eleitores tem mais algum objetivo?
Z.M – Bem o principal objetivo é sim amentar o eleitorado, eu vejo que a força política de um município está muito ligado ao seu potencial eleitoral. Quanto maior for um colégio eleitoral, mais força política e mais representatividade política terá. Se dentro de alguns anos pudermos pular de 150 mil para 200 mil, teremos mais chances de eleger mais deputados estaduais, federais. Dourados poderá sonhar com a eleição de um senador.
D.N – Em sua opinião, quantos anos levariam para que Dourados atingisse a marca de 200 mil eleitores?
D.N – Em sua opinião, quantos anos levariam para que Dourados atingisse a marca de 200 mil eleitores?
Z.N – Ah, é difícil um prognóstico, depende do crescimento do município, pois tudo isso se dá de forma muito lenta. Tanto é, que quando se lançou essa campanha o sonho era chegar a 10 mil novos eleitores, mas se conseguirmos apenas cinco mil está muito bom também.
D.N – As regras, principalmente de divulgação nas campanhas estão bastante rígidas. Alguma novidade para este pleito?
Z.N – Até o momento o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] não baixou nenhuma resolução, mas é possível que isso aconteça logo. E através deles que será disciplinado e regras para esse ano.
D.N – O que tem avançado, em sua opinião, após a restrição de propagandas eleitorais – antes bastante convencional – como bonés, camisetas, pinturas?
Z.M – Essa é uma área que a legislação enrijeceu mais, com o objetivo de coibir o chamado poder econômico, como antigamente tinha os “showsmícios” com a presença de grandes cantores, tudo isso saia uma fortuna. Então a legislação está buscando combater esse excesso e acho positivo esse desperdício de dinheiro
D.N – Qual sua opinião sobre o atual sistema eleitoral brasileiro é um grande avanço, principalmente com a criação da urna eletrônica?
Z.M – Certamente, com a entrada das urnas eletrônicas e seus aperfeiçoamentos que acontecem constantemente, isso dificulta a fraude ao voto, dificulta o uso do chamado “voto de cabresto”, antes tinham muitos esquemas com o voto de papel, como o voto formiguinha e isso transgredia muito o sistema eleitoral. Mesmo ainda tento contestações dizendo que possa haver fraude, é inegável que é um grande avanço.
D.N – O senhor acredita que o brasileiro estaria preparado para não ter mais o voto obrigatório como nos Estados Unidos?
Z.M – Eu penso que nosso voto deveria ser facultativo também. O brasileiro de uma forma em geral já amadureceu o suficiente para entender o que é certo e errado e a forma de se expressar politicamente. Penso que o voto facultativo é uma forma muito valida e que já deveria estar se pensando em aplicar ao nosso país. Quanto ao amadurecimento do eleitor, ele tem a plena consciência do que faz e da importância de seu voto. Infelizmente ainda há muita interferência financeira dos partidos e próprios políticos na busca desenfreada por esses votos e acabam tumultuando o sistema.
D.N – O senhor concorda com as vagas proporcionais, aquelas por legenda?
Z.M – Eu acho esse que este sistema não condiz com o potencial de cada um, mas enfim, são as regras, nós precisamos de mudanças. Tanto é que se prega muito a aprovação do chamado voto distrital que traria certa dependência do político ao seu povo, sendo mais próximo de quem o elegeu. Hoje um deputado de Três Lagoas vem aqui angaria votos, mas volta para sua terra e quanto é que esse eleitor terá acesso a esse político.
D.N – Então esse voto distrital é por região no Estado?
Z.M – Esse voto forma distrito dentro do Estado e pequenas regiões. Aqui em Dourados, por exemplo, que comporta 30 cidades, se formaria uma microrregião e lançaria seus candidatos, eles só captariam votos nessa região.
D.N – E a questão do financiamento público para campanhas o senhor concorda com isso?
Z.M – Olha não tenho uma opinião muito formada sobre isso. Eu até entendo que poderia ser um serviço melhor explorado, mas que de fato houvesse rigidez na fiscalização e controle financeiro, para que não houvesse além do financiamento o famoso caixa dois. Mas pra isso a justiça eleitoral teria que ter meio de controlar e uma fiscalização mais afunda, senão fica ainda pior. Eu penso que seria uma forma de moralizar o que já vem acontecendo, porém é preciso debater e estudar sobre isso.
D.N – E para finalizar o senhor acredita que a eleição deste ano será tranquila tanto quanto foram as últimas?
Z.M – Eu creio que será tranquila sim, porque o próprio já tem consciência do que pode e o que não pode fazer e isso se deve a legislação eleitoral que vem se aprimorando nos últimos anos e enrijecendo as regras e controlando as fraudes.





