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segunda-feira, 6 de julho, 2026

Em dez anos, 45 indígenas de Dourados se candidataram e nenhum foi eleito

Dados divulgados pelo Observatório da Cidadania de MS, mostram que no Estado foram 676 candidaturas, ou seja, 2,7% do total de candidatos.

Em Mato Grosso do Sul, apenas 6% dos candidatos indígenas conseguiram se eleger na última década, entre 2014 e 2024. Essa representatividade diante do tamanho da população é ainda menor em Dourados. Nesse período, a segunda maior cidade do Estado teve 45 candidaturas, mas nenhuma delas resultou em eleição.

Dados divulgados pelo Observatório da Cidadania de MS, mostram que no Estado foram 676 candidaturas, ou seja, 2,7% do total de candidatos. Desses, 41 foram eleitos e todos para câmaras de vereadores em Amambai, Antônio João, Caarapó, Coronel Sapucaia, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Japorã, Miranda, Nioaque, Paranhos, Porto Murtinho, Sidrolândia e Tacuru.

DOURADOS

Em Dourados, apenas um indígena chegou a ocupar o cargo de vereador a partir das eleições de 2012. Aguilera de Souza, exerceu um único mandato na 9ª legislatura, entre os anos de 2013 e 2016.

Em dez anos, 45 indígenas de Dourados se candidataram e nenhum foi eleito
Único indígena vereador da história de Dourados, Aguilera de Souza, no dia de sua posse. Foto: Arquivo.

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que nas eleições seguintes, a partir de 2014, foram 35 candidatos indígenas ao parlamento municipal e nenhum deles conquistou o cargo.

Em 2018, Aguilera ainda foi o único de Dourados a tentar uma vaga de deputado federal pelo MDB, mas teve sua candidatura indeferida.

O mesmo aconteceu com Antonio Perez Vergara da Rocha, o ‘Índio’, em 2014, ano em que a cidade teve o indígena douradense que chegou mais perto da câmara federal. Anastácio Peralta disputou a vaga de deputado pelo PT, ficando como suplente.

Em 2022, Taino pelo Avante e Wilson Mattos pelo Podemos chegaram a entrar na disputa para deputado federal, mas não se elegeram, assim como Rosaniz Martins que colocou o nome a uma vaga pelo Psol na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul).

Na mesma eleição, Diomar Caiuá chegou a tentar uma cadeira de deputado estadual pelo PSD, mas ficou com a suplência.

Nenhum indígena douradense chegou a tentar uma vaga ao Senado ao longo desse período.

EXECUTIVO

Em 2024, Valderi Garcia disputou a vaga de prefeito ao lado da vice Irena Macial, ambos indígenas, encabeçando uma chapa do PCO. Além deles, somente Wilson Matos, havia tentado a chefia do executivo municipal em 2020 pelo PTB.

Já ao cargo de governador, quem se candidatou em 2022 foi Magno de Souza, pelo PCO. No entanto, ele foi declarado inapto após ter o registro indeferido.

BRASIL

Essa representatividade dos povos originários em cargos eletivos em Dourados é ainda mais desproporcional quando comparado à realidade brasileira. Do total de 1,6 milhão de candidaturas em dez anos, 6,9 mil foram de pessoas autodeclaradas indígenas, ou seja, 0,43%. Desse total, 654 conseguiram se eleger, índice inferior a 10% do total.

ELEIÇÕES 2026

Em Dourados, 1,3 mil eleitores são indígenas, o que corresponde a 7,69% do total de pessoas aptas a irem às urnas no dia 4 de outubro, para escolher deputados estaduais e federais, além de senadores, governadores e presidente da república.

O prazo para que as legendas definam quem serão seus candidatos começa no dia 20 deste mês e termina em cinco de agosto, prazo estabelecido para as convenções partidárias.

Os registros das candidaturas na Justiça Eleitoral vão até o dia 15 de agosto. Após serem protocolados, passam por análise para verificar se cumprem os requisitos legais para concorrer.
 

Fonte: Douradosnews